"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 81
Ainda não quero ser mãe
Bianca voltou à mesa alguns minutos depois, desta vez procurando a bolsa que deixara com uma prima.
Pedro vinha atrás, carregando dois copos e dando orientações que ela evidentemente não pedira.
"Eu sei onde está", a noiva disse.
"Só estou tentando ajudar."
"Então me dê o copo."
Ele lhe entregou água. Augusto ergueu uma sobrancelha ao notar a troca, e Pedro se inclinou para contar a novidade em voz baixa.
"Estamos esperando um bebê. Ainda é cedo. Não espalhem, por favor."
Helena olhou para Bianca.
"Que notícia boa. Parabéns."
Bianca sorriu de um jeito menos cerimonial, mais íntimo.
"Obrigada. Eu queria contar antes, mas hoje está sendo uma corrida."
Pedro pousou a mão nas costas dela, orgulhoso de um acontecimento que já parecia incorporar à própria lista de conquistas.
"Meu tio vai ganhar outro título."
"Não é uma competição", Bianca respondeu.
"Eu não disse que era. Mas eles casaram antes."
Augusto deixou a taça na mesa.
"Você pode começar tentando sobreviver à primeira noite sem organizar a agenda de todo mundo."
Helena disfarçou uma risada no copo.
Pedro abriu a boca para responder, mas Bianca o conduziu para longe com uma despedida breve. Não precisava aumentar a conversa; entendia a família bem demais.
A notícia percorreu a mesa apenas entre quem já sabia. Lídia, que ouvira parte do diálogo ao se aproximar, pareceu dividir a alegria pela futura criança entre perguntas sobre a própria nora mais jovem.
"E vocês, Helena? Estão esperando se instalar melhor?"
Ela pousou o copo com cuidado.
"Ainda estamos aproveitando esse começo."
Lídia falou do tempo, da importância da família, de como um bebê mudava uma casa. Helena ouviu até Augusto intervir com um comentário sobre os planos de viagem, desviando a conversa para uma data concreta.
Não discutiram o assunto no salão.
No carro, depois da festa, Helena acompanhou as luzes pela janela. O rosto de Bianca voltava à sua memória: ela parecia feliz, embora cansada. Era fácil entender aquela felicidade olhando de fora.
Mais difícil era imaginar o próprio corpo e a própria rotina atravessados por uma decisão semelhante.
Augusto percebeu que ela o observava.
"Meu sobrinho continua falando demais", disse.
"Não estava pensando nele."
"Em quê?"
Helena olhou para a frente.
"Depois eu falo."
Em casa, tirou os brincos, guardou a bolsa e demorou no banho. O cheiro cítrico do sabonete novo encheu o banheiro. Ela o escolhera numa loja por sentir que lembrava uma fruta aberta na cozinha, sem a doçura excessiva dos produtos que costumavam lhe oferecer.
Augusto acabara usando o mesmo.
Ao sair, encontrou-o sentado na cama, lendo uma mensagem. Ela se deitou do outro lado e puxou a manta até a cintura.
"Você quer ter um filho?"
Ele ergueu o rosto.
"Você quer?"
"Perguntei primeiro."
Augusto deixou o telefone de lado.
"Não estou planejando isso agora."
Helena mexeu no canto da manta.
"Por causa do trabalho?"
"Também. Mas quero saber o que você está pensando."
Ela levou algum tempo para responder.
"Que não estou pronta."
A frase pareceu pequena, quase infantil, e por isso Helena continuou antes que ele dissesse qualquer coisa.
"Eu gosto de crianças. Não é isso. Só não consigo pensar em ser mãe agora sem sentir que vou ficar presa a uma preocupação que nunca termina."
Augusto permaneceu quieto.
"Minha mãe podia sair de casa, mas uma parte dela nunca saía. Estava sempre lembrando se eu tinha comido, se meu pai tinha chegado, se faltava alguma coisa. Mesmo quando reclamava, continuava fazendo. Eu não sei se consigo."
"Você não precisa decidir esta noite."
"Lídia parece achar que preciso decidir antes de acabar a festa."
Ele soltou um breve suspiro.
"Minha mãe pode querer. Não significa que vá escolher por nós."
Helena ergueu os olhos para ele.
"Você fez a cirurgia. Eu sei. Mas hoje todo mundo fala como se fosse só uma questão de eu querer ou não. Fiquei sem saber o que responder."
Augusto tocou a aliança, girando-a uma vez.
"Isso continua sendo uma conversa nossa. Eu não mudei nada nem fiz planos escondidos para ter um filho. Se algum dia nós dois quisermos discutir possibilidades, discutimos com quem entende. Hoje não há essa decisão."
Ela assentiu. Não precisava de uma explicação clínica nem de outra promessa sobre um futuro distante. Precisava apenas que aquela responsabilidade não fosse depositada em seu colo por toda a família.
"E se eu nunca me sentir pronta?"
"Então não é uma dívida que você vai pagar."
Helena examinou o rosto dele, procurando o tom de ironia que às vezes surgia quando ela fazia perguntas sérias.
Não encontrou.
"Você não fica triste?"
"Tenho você aqui. Gosto da nossa vida como está."
Ele dizia a verdade, embora não toda ela.
Augusto apreciava a casa organizada em torno dos horários de ambos. Gostava de encontrar Helena disponível para uma viagem decidida com antecedência curta, de ouvi-la reclamar quando ele trabalhava demais, de receber aquela atenção sem um terceiro chamado no meio.
Um filho não seria apenas mais alguém na família. Seria alguém capaz de tomar dela um lugar que ele não conseguiria exigir de volta sem mostrar o que realmente pensava.
Não tinha pressa de descobrir como reagiria a isso.
Helena encostou a cabeça no travesseiro.
"Às vezes me sinto muito jovem para todas essas coisas. Esposa, nora, agora perguntam de bebê."
"Você pode continuar sendo Helena."
Ela sorriu um pouco.
"Helena quer dormir sem nenhuma pergunta de família."
"Parece um plano possível."
Augusto apagou a luz maior. Ela se virou para o outro lado, ajeitou a manta e tentou encontrar uma posição confortável.
Alguns minutos passaram.
O colchão se moveu quando ele se deitou. Helena, que ainda não conseguira relaxar, estendeu a mão para trás e encontrou a dele.
"Chega mais perto."
Augusto se aproximou. Ela se acomodou junto ao seu peito, com a naturalidade de um gesto que já conhecia antes de pensar nele.
O cheiro cítrico veio primeiro. Depois a temperatura da pele, a presença firme do braço e o silêncio que não precisava preencher.
"Está confortável?", ele perguntou.
Helena conduziu a mão dele até as próprias costas.
"Faz aquilo."
"Aquilo?"
"Você sabe. Bem devagar."
Ele começou a dar leves tapinhas, num ritmo regular. Helena fechou os olhos.
Não era uma cena que teria imaginado aos dezoito anos. Se alguém lhe descrevesse aquele quarto, aquele homem e o modo como agora pedia sua presença, ela provavelmente teria dito que não a conhecia.
Mas estava ali. Gostava daquele cheiro porque o escolhera. Sentia a falta daquele braço quando ele viajava. Pequenos hábitos tinham encontrado espaço mesmo entre lembranças que ainda não conseguia tocar sem dor.
Augusto diminuiu o movimento quando achou que ela dormia.
"Não para ainda", Helena murmurou.
Ele voltou ao mesmo ritmo.
"Está bem."
Ela pousou a palma sobre o peito dele, sem apertar.
Do lado de fora, um carro passou; em seguida, tudo ficou quieto. A última coisa que Helena percebeu antes do sono foi a mão que continuava se movendo depois que ela já não precisava pedir.
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