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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 77

正文开头

Não espere por mim

Helena retirou a mão devagar.

O gesto pareceu machucar Lucas mais do que qualquer coisa que ela pudesse dizer. Ele olhou os próprios dedos, ainda curvados sobre a mesa, e depois voltou a encará-la.

"Não quero que você fique", ela disse.

"Por que não? Acabei de falar que posso resolver. Ainda não embarquei."

"Porque não quero que desista disso por mim. E porque ficar não vai resolver o que está acontecendo."

Um funcionário passou com uma bandeja. Os dois esperaram que ele se afastasse, presos naquela educação absurda que obrigava o mundo a continuar funcionando enquanto alguma coisa desmoronava.

Lucas empurrou o café intacto.

"Você não pode decidir o que é importante para mim."

"Não posso. Mas posso dizer que não consigo continuar sendo sua namorada."

A palavra saiu inteira. Helena havia imaginado que conseguiria suavizá-la, esconder o fim dentro de uma explicação longa. Agora estava ali, entre os guardanapos e o recibo de uma compra para uma viagem que ele já não queria fazer.

"Desde quando?"

Ela apertou o tecido da bolsa.

"Não sei te dar um dia."

"Foi alguma coisa que eu fiz?"

"Não."

Lucas soltou um riso sem alegria.

"Você responde rápido demais. Eu ia embora, fiquei ocupado, deixei você esperando um monte de vezes. Eu percebi. Não precisa dizer que não fiz nada só para terminar comigo com delicadeza."

Helena ergueu os olhos.

"Eu gostei de você de verdade. Ainda gosto. Aprendi com você que sair com alguém podia ser bom, que eu podia rir sem ficar pensando no que vinha depois. Não estou apagando isso."

Ele inclinou o corpo sobre a mesa, como se finalmente tivesse encontrado uma fresta.

"Então a gente tenta."

Ela negou com a cabeça.

"Você vai ter aulas, trabalho, uma vida inteira começando. Eu não consigo prometer que vou estar esperando quando voltar. E não quero que passe três anos tentando me alcançar de longe."

"Eu não estou pedindo uma promessa de casamento."

"Eu sei. Mas você está pedindo que eu continue. E eu não posso."

Os olhos dele ficaram vermelhos.

Helena poderia contar uma parte. Poderia dizer o nome de Augusto, a dívida da mãe, a aposta que transformara a oportunidade de Lucas numa peça de outra disputa. A vergonha e o medo, porém, não obedeciam ao que seria justo numa conversa.

Ela não conseguia abrir aquela porta ali, sob a música baixa do café, enquanto ele ainda segurava uma sacola com roupas para o exterior.

"Tem coisas da minha família que eu não sei explicar agora", disse. "Meu padrasto morreu. Minha mãe foi embora. Eu..."

A voz falhou.

Lucas se levantou um pouco, preocupado.

"Helena, olha para mim."

Ela olhou. Era justamente isso que tornava tudo pior. Ele tinha o mesmo rosto aberto do rapaz que lhe oferecera uma flor, mas já sabia ficar em silêncio diante de uma dor que não entendia.

"Eu posso ajudar."

正文1

"Você já ajudou. Muito."

"Não fala como se eu tivesse morrido."

Helena cobriu a boca. Uma lágrima caiu sobre o punho da blusa.

"Desculpa."

"Eu só queria entender."

"Não consigo te dar uma explicação que faça isso parecer certo. Só consigo te dizer que acabou. Não espera por mim, Lucas."

Ele desviou o rosto para a vitrine. Um casal passava do lado de fora, discutindo qual entrada do shopping ficava mais perto do estacionamento.

"Você quer que eu viaje como se nada tivesse acontecido?"

"Não. Quero que viaje porque queria antes de me conhecer."

Ela se levantou. Deixou dinheiro suficiente para a própria parte, embora Lucas nem olhasse para as notas.

"Posso te ligar amanhã?"

O pedido quase a fez sentar novamente.

"É melhor não."

Ele assentiu uma vez, tão devagar que parecia estar tentando aprender o movimento.

Helena saiu antes que a coragem se desfizesse.

Não correu pelo shopping. Caminhou até a rua, atravessou na faixa e só então percebeu que não sabia aonde ir. O caminho para a casa de Augusto lhe pareceu impossível naquele momento.

Entrou num parque pequeno, encontrou um banco afastado e chorou.

Chorou pela maneira como Lucas retirara a mão da mesa. Pela sacola que ele teria de levar sozinho. Pela garota que aceitara o primeiro namoro desejando também um lugar seguro, sem entender quanto podia ferir alguém quando procurava abrigo.

Uma mulher lhe ofereceu um lenço.

"Quer que eu chame alguém?"

Helena agradeceu e disse que não.

Quando o telefone tocou, a luz já havia mudado. Ela limpou o nariz antes de atender.

"Onde você está?", Augusto perguntou.

"Na rua."

"Isso eu percebi."

Helena endireitou as costas.

"Então por que perguntou?"

Houve uma pausa.

"Olhe para a entrada à sua esquerda."

Ele estava ao lado de um carro. Sem pressa, atravessou o caminho entre as árvores e parou diante do banco.

Helena apertou o telefone ainda ligado.

"Você me seguiu?"

Augusto encerrou a chamada.

"Você demorou."

"Não foi isso que eu perguntei."

Ele olhou o lenço amassado.

"Terminar com ele precisava doer desse jeito?"

A familiaridade daquela informação gelou alguma coisa dentro dela.

"Você não sabe tudo só porque chegou aqui."

O maxilar dele se contraiu, mas Augusto não levantou a voz. Tirou outro lenço do bolso e ofereceu. Helena pegou sem agradecer.

"Vamos. Você não comeu direito."

"Ainda quero ficar um pouco."

Ele permaneceu de pé.

Ela esperou uma discussão. Em vez disso, ouviu o rumor de crianças numa quadra, o barulho de um ônibus além do muro e a respiração quieta do homem que não pretendia deixá-la sozinha.

Depois de alguns minutos, levantou.

No carro, encostou a cabeça no vidro. Augusto não tentou tocar nela. Perguntou apenas se queria comida em casa ou em outro lugar.

"Em casa. Qualquer coisa simples."

Ele telefonou e pediu jantar.

Mais tarde, Helena ficou diante de um filme sem acompanhar a história. Quando disse que estava cansada, Augusto desligou a televisão.

正文2

"Vem aqui."

Ela se aproximou com cautela. Ele abriu uma caixa pequena.

A pedra verde pareceu concentrar toda a luz da sala.

"Você comprou isso quando?"

"Já faz um tempo."

Augusto segurou a mão dela. O anel entrou sem esforço, ajustado demais para ser acaso.

Helena olhou primeiro a joia, depois o rosto dele.

"Eu não aceitei um pedido."

"Não estou fazendo a cerimônia hoje."

"Mas está escolhendo o dedo."

Ele passou o polegar pela borda da pedra.

"Quero que fique com você."

A joia era bonita. Ela não precisava negar o que os olhos viam para saber o peso que aquela beleza trazia.

"Não vou usar uma coisa assim na faculdade. Posso perder."

"Pode guardar."

"E não precisa comprar outra se eu perder."

Ele quase sorriu.

"Você sempre encontra uma parte para discutir."

Helena retirou o anel e o acomodou na caixa. Augusto acompanhou o gesto em silêncio.

"Quando voltar às aulas, não quero outro rapaz no lugar dele", disse enfim.

"Não estou procurando ninguém."

"Rapazes da sua idade sabem dizer o que você quer ouvir."

Ela olhou para ele por tempo suficiente para o sorriso desaparecer.

"Você também sabe."

Augusto fechou a caixa devagar.

Naquela noite, Helena guardou a joia numa gaveta. Pela janela, viu os galhos da magnólia recortados contra a iluminação do jardim.

Voltaria à faculdade. Entregaria trabalhos, perderia ônibus, reclamaria de provas. Haveria dias em que riria sem planejar, outros em que o nome de Lucas apareceria numa lembrança e lhe tiraria o ar.

Augusto continuaria ali, entrando e saindo de sua rotina com a mesma determinação com que entrara na vida dela.

A magnólia floresceu e perdeu flores. Os calendários na cozinha foram trocados. Helena concluiu o curso; meses depois, assinou os papéis de casamento.

Quando voltou a Santa Clara, quatro anos haviam passado desde aquele banco no parque.

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