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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 76

正文开头

Não me espera da mesma forma

Helena telefonou para a mãe depois do almoço.

Esperava que a chamada demorasse, talvez que não fosse atendida. Marisa respondeu antes que começasse a procurar uma desculpa para desligar.

"Leninha."

O nome chegou com uma emoção que a filha reconheceu. Durante muitos anos, bastara ouvi-lo para sentir que existia um lugar seguro.

Agora reconhecia a voz sem encontrar a mesma certeza.

"Estou com meu telefone", disse.

Marisa começou a perguntar o que acontecera. Helena não contou naquela primeira frase. Não queria que a conversa virasse outra defesa das decisões feitas em nome dela.

"Vi a gravação."

A mãe ficou quieta.

Helena olhou para o jardim além da janela.

"Quero saber onde está."

"Em Minas. Voltei para perto de Santa Clara."

"Vai ficar aí?"

"Por enquanto."

O silêncio seguinte continha coisas que as duas sabiam e não haviam conseguido dizer diante do vídeo.

Marisa começou a chorar.

Disse que pensara em ir com a filha, que arrumara mentalmente as malas e imaginara um apartamento menor. Mas, quando a proposta chegara, vira o passado inteiro voltar junto: empregos, contas, dependência e o medo de envelhecer sem dinheiro.

"Eu não tenho mais coragem", confessou.

Helena fechou os olhos.

A verdade era cruel, mas não surpreendente. Tinha ouvido pedaços dela desde a primeira conversa sobre Eduardo.

"Você não precisava mentir que iria comigo."

"Naquele momento, eu achei que conseguiria."

"E depois não me contou que tinha mudado."

Marisa não encontrou uma resposta que não parecesse uma desculpa.

Falou dos documentos, do dinheiro oferecido e da segurança de poder finalmente responder aos parentes que as tratavam como uma obrigação. Disse que não queria passar o resto da vida pedindo algo pequeno a alguém que faria questão de lembrar depois.

Helena ouviu sem interromper.

Compreendia o medo.

Isso não lhe devolvia a proteção que a mãe retirara.

"Eu ainda quero que você fique bem", disse.

Marisa começou a agradecer, mas a filha continuou.

"Não estou dizendo que foi certo. Estou dizendo que não vou passar a vida esperando você escolher diferente para conseguir fazer alguma coisa com a minha."

A mãe ficou quieta.

Helena perguntou se visitaria o túmulo de seu pai. Marisa disse que sim, que levaria flores e depois veria algumas pessoas da família.

A filha pediu que não transformasse todas as visitas numa briga. A mãe riu entre lágrimas, reconhecendo uma preocupação que sempre vinha dela.

Não ofereceu outra promessa de que tudo seria simples.

Antes de desligar, perguntou se Helena estava na casa de Augusto.

"Estou."

"Ele está cuidando de você?"

Helena demorou a responder.

"Eu vou cuidar de mim também."

Foi o que conseguiu dizer sem oferecer uma tranquilidade que não sentia.

Depois da chamada, respondeu a Lucas e combinou encontrá-lo numa área comercial de São Paulo. Ele estava na cidade para resolver preparativos da viagem e visitar contatos do programa antes de voltar à família.

正文1

Helena leu o horário duas vezes.

Lucas enviou uma fotografia de uma mala aberta e disse que tinha comprado um tamanho maior do que precisava. A imagem a fez lembrar de quando riam de problemas pequenos, sem que cada objeto parecesse anunciar uma separação.

Ela respondeu que olharia a lista e ajudaria a retirar o que fosse desnecessário.

Depois ficou sentada, com o telefone no colo.

Poderia cancelar o encontro. Poderia esperar outro dia em que se sentisse mais preparada. Mas reconheceu a mesma forma de adiar que a acompanhara antes da ligação sobre a dívida.

Não queria que o silêncio tomasse uma decisão por ela outra vez.

Confirmou que estaria lá, escolheu uma roupa e guardou o aparelho junto à chave do apartamento de Curitiba, que ainda levava na bolsa.

Ainda tinha uma conversa que não poderia continuar adiando.

Ao sair do quarto, encontrou a funcionária responsável pela casa. A mulher perguntou se desejava um carro. Helena disse que não e que voltaria mais tarde.

A resposta veio sem uma ordem de permanecer.

Ela caminhou até a entrada com o medo de ouvir seu nome chamado antes de passar pelo portão. Não ouviu.

Foi de transporte até o local combinado e encontrou Lucas esperando com uma sacola pequena.

Ele sorriu ao vê-la.

"Finalmente. Estava começando a pensar que a gente só sabia se encontrar entre uma viagem e outra."

Helena sorriu de volta.

Não era difícil gostar daquele rosto. Era difícil saber o que lhe devia contar antes de perder a coragem.

Lucas lhe mostrou a lista de compras. Precisava de roupas, alguns objetos pessoais e coisas que pretendia enviar antes da partida.

Helena o acompanhou pelas lojas, fazendo perguntas práticas e retirando itens repetidos da lista. Ele disse que vendera o carro para não deixá-lo parado e que usaria parte do dinheiro na preparação.

Ela lamentou a perda na revenda e o lembrou de como tinha avisado sobre gastos apressados.

"Você vai usar essa vitória para sempre?", perguntou.

"Algum dia vou encontrar outra."

Lucas riu.

Por uma hora, conseguiram parecer as mesmas pessoas de antes.

Helena ajudou a organizar os pacotes e perguntou pelos pais dele. Lucas falou com entusiasmo, preocupado com detalhes que não eram banais para quem atravessaria um período tão longo longe de casa.

Ela não quis retirar esse entusiasmo.

Quando terminaram, pediu que fossem a uma cafeteria tranquila.

Sentaram-se perto da janela. Lucas escolheu duas bebidas e perguntou se queria comer alguma coisa. Helena recusou, mantendo as mãos em volta da xícara.

Ele percebeu o silêncio.

"Aconteceu alguma coisa?"

Helena olhou para ele, sentindo a culpa tentar ocupar o lugar da decisão.

Não tinha escolhido todas as coisas que aconteceram. Escolheria, ao menos, parar de pedir que ele esperasse uma vida que já não conseguiria prometer.

"Lucas, eu acho que precisamos terminar."

O rosto dele mudou devagar.

Não soltou uma pergunta imediatamente. Ficou olhando para ela como se precisasse entender por que aquelas palavras tinham chegado depois de um dia inteiro de ajuda e conversa.

"É por causa da viagem?", perguntou por fim.

Helena tentou responder, mas ele segurou sua mão antes que encontrasse a frase.

"Eu posso não ir."

Ela fechou os olhos.

Lucas apertou seus dedos, com uma urgência que não tinha visto quando falavam da formação.

"Eu fico. Não vai embora de mim por isso."

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