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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 74

正文开头

A comida em que não podia confiar

Augusto permaneceu sentado até Helena diminuir o choro.

Não porque estivesse convencida. Precisava recuperar ar suficiente para continuar falando.

Ele disse que soubera das refeições recusadas e que não queria discutir enquanto estivesse fraca de fome.

"Não estou recusando porque esqueci de comer", respondeu. "Estou recusando porque quero sair."

"Então coma. Depois saímos do quarto."

Helena olhou para ele.

"Para ir embora?"

Augusto não respondeu com a precisão que ela desejava. Disse que conversariam lá fora, que não precisava permanecer diante de uma bandeja intocada para demonstrar nada.

Ela não se moveu.

"Quero meu telefone. Quero voltar para Curitiba."

"Primeiro, uma coisa de cada vez."

Helena estava cansada e com fome. A promessa de uma porta aberta era pequena, mas concreta o suficiente para fazê-la aceitar levantar.

Ele chamou o funcionário de plantão.

Uma refeição de arroz cremoso com peixe chegou à sala próxima, acompanhada de água. Helena saiu do quarto, olhando o corredor como se tivesse mudado durante as horas em que não o vira.

Sentou-se sem tirar os olhos de Augusto.

"Você disse que, depois de comer, eu poderia sair."

"Eu ouvi."

Ela experimentou uma colherada e percebeu o tamanho da fome. Não queria que ele recebesse sua necessidade de alimento como uma derrota. Também não precisava continuar passando mal para tornar a recusa verdadeira.

Comeu.

Augusto falou sobre a faculdade, as despesas e o apartamento que precisaria manter sozinha. Não levantava a voz. Apresentava cada coisa como um motivo pelo qual aceitar sua casa seria a decisão mais prática.

"Pessoas usam apoio o tempo todo", disse. "Não significa que sejam incapazes."

Helena colocou a colher sobre o prato.

"Apoio não é a mesma coisa que ser trancada."

"Você teve tudo que precisava aqui."

"Menos o que pedi."

Ele ficou quieto por um instante e depois disse que queria organizar uma rotina em que estudasse e tivesse menos preocupações.

Helena terminou a comida porque desejava encerrar aquela condição, não a discussão.

Empurrou o prato levemente.

"Acabei. Devolve meu telefone."

Augusto olhou para o relógio.

"Você está muito cansada."

Ela se levantou, com uma raiva que encontrou o corpo mais pesado do que esperava.

"Não começa outra coisa."

O primeiro movimento pareceu comum depois de um dia sem comer. O seguinte, não. Helena precisou apoiar a mão na mesa para manter o equilíbrio.

A voz dele ficou distante por um instante.

Piscou, procurando trazer o ambiente de volta ao lugar. O calor no rosto parecia vir de dentro, e as pernas não respondiam com a mesma firmeza de minutos antes.

"O que foi?", Augusto perguntou.

Helena o olhou.

A pergunta não tinha surpresa suficiente.

Ele se aproximou para ajudá-la, mas ela tentou recuar. Não conseguiu ir tão longe quanto queria.

"Estou estranha."

"Você passou o dia sem se alimentar."

"Não é isso."

Helena conhecia fome e cansaço. Tinha vivido semanas de estudo, noites sem dormir e viagens longas. Não conhecia aquela dificuldade de manter um pensamento inteiro enquanto continuava acordada.

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Olhou para o prato.

Depois para o homem que prometera abrir a porta.

"O que tinha na comida?"

Augusto segurou seu braço para que não caísse.

Ela tentou afastá-lo.

"Responde."

Ele disse que acrescentara algo para ajudá-la a descansar, como se a finalidade declarada tornasse a decisão menos grave.

Não deu um nome que lhe permitisse entender o que estava acontecendo. Não ofereceu uma escolha que pudesse ter sido feita antes de comer.

Helena sentiu o medo crescer por baixo da confusão.

"Você me deu uma coisa sem contar."

Augusto não negou.

"Você estava há horas se machucando com essa briga."

"Eu estava pedindo para ir embora."

Ela tentou alcançar a cadeira e se sentar sozinha. A mão deslizou pela borda, e Augusto a sustentou. Precisar daquela ajuda a deixou ainda mais assustada.

Não queria depender justamente da pessoa que retirara sua capacidade de ficar em pé.

O funcionário começou a recolher a louça. Helena tentou pedir que deixasse o prato, que não levasse embora a única coisa que associava ao que sentia.

A voz saiu fraca.

Augusto pediu que ele saísse.

Helena ficou olhando a porta da sala, lembrando a história que Eduardo contara sobre os pais do irmão. Alguém escolhendo uma substância, uma aproximação, uma vida. Augusto fora capaz de reconhecer o perigo quando estava voltado para si.

Agora o colocava diante dela e chamava de descanso.

"Você sabia como era errado", disse.

Ele se abaixou para encontrar seu olhar.

"Não queria que chegasse a esse ponto."

"Chegou porque você escolheu."

Augusto a levou de volta ao quarto quando já não conseguiu sustentar o peso sozinha. Helena manteve a mão fechada sobre sua roupa, não por carinho, mas porque precisava de apoio para não sentir que desaparecia dentro do movimento.

Ele a colocou na cama.

Ela pediu o telefone outra vez.

"Eu tenho uma amiga que pode vir", tentou dizer. "Só quero falar com ela."

Augusto afirmou que não era hora de chamar pessoas à casa. Helena o olhou com uma raiva que o corpo já não conseguia acompanhar.

"É hora para quem?"

Ele não respondeu.

O quarto tinha uma luz mais baixa, mas isso não diminuía sua necessidade de enxergar uma saída. Helena procurou a bolsa e não encontrou força para pegá-la.

O que lhe faltava não era uma presença perto da cama. Era uma pessoa que não tivesse interesse em continuar fazendo aquilo parecer uma decisão para o seu bem.

Tentou manter os olhos abertos, contando os pequenos objetos que conhecia na mesa. Quando o pensamento se desfez antes de terminar, sentiu medo de não conseguir lembrar depois o suficiente para dizer o que acontecera.

Não recebeu.

"Quero que alguém veja o que você me deu."

Augusto tentou dizer que ficaria ao lado dela. Helena balançou a cabeça, sentindo o corpo responder com atraso.

"Você não é a pessoa em quem posso confiar para isso."

O silêncio durou alguns segundos.

Ela olhou para ele com a pouca clareza que ainda conseguia manter e perguntou por que fizera aquilo.

Augusto segurou sua mão.

"Porque não quero perder você."

Helena tentou recolhê-la.

A frase não pareceu amor.

Pareceu a confirmação de que ele preferia tirá-la de si mesma a permitir que saísse de sua casa.

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