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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 72

正文开头

Mais uma vez, mãe

"Eu aceito."

A voz de Marisa era baixa, mas a gravação não deixou espaço para Helena imaginar outra palavra.

Pedro perguntou se precisava repetir as condições. A mãe balançou a cabeça, chorando, e pediu que não tratassem a filha como uma coisa sem vontade.

A preocupação chegou depois da decisão que a deixava com quem já vinha fazendo isso.

Helena recuou da mesa.

Augusto parou o vídeo.

Por alguns segundos, ela não falou. A sala tinha um cheiro discreto, uma janela voltada para o jardim e um computador que acabara de mostrar o fim de uma vida que planejara até na forma de guardar as malas.

Não havia ruído grande o suficiente para corresponder àquilo.

"Quero falar com ela."

Augusto permaneceu perto da mesa.

"Ela está saindo da cidade."

"Quero falar com ela."

Ele se aproximou, procurando sua mão.

Helena a recolheu.

"Não toca em mim agora."

"Você não precisa ficar sozinha."

Ela o olhou, com a raiva atravessando o choque.

"Você ajudou a fazer isso."

"Sua mãe tomou uma decisão."

"Entre coisas que vocês colocaram diante dela. Não finge que apareceu aqui depois para me consolar."

Augusto ficou quieto por um instante.

Helena sentiu as lágrimas chegarem, mas não queria entregar aquele choro ao homem que preparara o vídeo para recebê-lo.

"Ela tinha uma escolha", continuou. "Fez a dela. Agora eu quero fazer a minha."

Ele balançou a cabeça.

"Depois de tudo, acha que consegue simplesmente sair daqui?"

"Consigo trabalhar. Consigo estudar. Não preciso que minha mãe fique comigo para ser uma pessoa."

Augusto lhe disse que ali teria apoio, que não precisaria passar por dificuldades criadas apenas para demonstrar que podia ser independente.

Helena enxugou o rosto com a manga.

"Você chama de dificuldade tudo o que não pode escolher por mim."

Ele se aproximou mais uma vez. Tentou colocar a mão em sua nuca, num gesto que antes utilizara para conduzir uma conversa sem permitir que ela se afastasse.

Helena o atingiu no rosto.

A palma ardeu imediatamente.

Augusto ficou imóvel, olhando para ela.

Ela não pediu desculpa.

"Não vou casar com você. Não vou dizer que só tenho você porque a minha mãe foi embora."

O rosto dele perdeu o cuidado de parecer tranquilizador.

Helena viu a mudança e recuou, procurando a porta. Continuava fechada. Pegou o telefone na bolsa, decidida a pedir ajuda antes que a conversa se tornasse mais uma espera sem saída.

Augusto o tirou de sua mão.

"Devolve."

Ele manteve o aparelho longe enquanto ela tentava alcançá-lo.

"Devolve meu telefone."

O pedido começou firme e terminou num grito. Helena puxou sua manga, tentou contornar o corpo dele e voltou à porta quando percebeu que a abria.

Não conseguiu passar.

Augusto a colocou de volta no quarto e saiu, segurando o telefone.

A fechadura se fechou outra vez.

Helena puxou a maçaneta, bateu na madeira e chamou as pessoas que vira no corredor. A voz voltava a ela sem outra resposta.

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Não era a sensação vaga de estar presa numa relação.

Era uma porta que não conseguia abrir.

Do lado de fora, Augusto pediu que as refeições fossem levadas nos horários e que avisassem se ela precisasse de alguma coisa.

Não incluiu a saída entre as necessidades que aceitariam atender.

Helena ouviu passos se afastando e bateu mais forte.

"Você não pode me guardar aqui."

Ele não voltou para responder.

Ela continuou até as mãos começarem a doer. Depois ficou encostada na porta, chorando de raiva e de uma tristeza que não tinha coragem de olhar por inteiro.

A mãe estava indo embora.

O homem de quem tentara se despedir tinha levado o telefone.

O quarto continuava preparado com água, toalhas e uma cama em que não desejava deitar.

Helena caminhou até a janela e tentou abri-la. Dava para uma parte interna do jardim, protegida por estruturas que não conhecia. Não encontrou uma forma de sair sem se colocar em risco.

Voltou à porta.

Chamou por uma funcionária e disse que precisava de ajuda, que não tinha concordado em permanecer ali. A mulher respondeu do outro lado que levaria o recado ao senhor.

"Não quero um recado. Quero sair."

O silêncio seguinte explicou o limite da promessa.

Helena se sentou no chão, tentando controlar a respiração. Não queria perder a capacidade de pensar por causa do medo que ele parecia disposto a prolongar.

Olhou os objetos da sala.

O computador tinha sido retirado antes de a deixarem ali. A bolsa continuava com ela, mas sem o aparelho. Havia livros que não escolhera, uma revista antiga e uma televisão que não servia para chamar alguém.

Não começou a investigar cada canto como se uma solução perfeita fosse aparecer.

Precisava primeiro conservar força suficiente para enfrentar o próximo momento.

Quando trouxeram o almoço, pediu que abrissem a porta por inteiro. A pessoa deixou a bandeja pelo espaço permitido e tornou a fechá-la.

Helena não comeu.

Não tinha apetite, e recusar era a única coisa que naquele instante conseguia tornar visível.

A funcionária voltou para perguntar se preferia outra comida. Helena levantou o rosto.

"Prefiro que abra a porta."

A mulher baixou os olhos e disse que não podia.

"Você pode dizer a alguém que eu não concordei?"

"O senhor já sabe."

Helena ficou quieta por um segundo.

Era exatamente o problema. Todos tratavam a vontade de Augusto como o último lugar aonde qualquer pedido deveria chegar. Se ele sabia e continuava, ninguém parecia considerar a existência de outra pessoa que pudesse ouvir.

"Não estou pedindo que diga para ele", respondeu.

A funcionária se afastou sem oferecer um nome diferente.

Helena sentiu a raiva crescer, mas não a dirigiu ao prato. Deixou a bandeja onde estava e voltou a caminhar pelo quarto para não permanecer no chão como se tivesse deixado de ter força para levantar.

Ficou olhando para o prato até esfriar.

Depois bebeu um pouco da água deixada na mesa e lavou o rosto. Não queria perder toda a força para continuar recusando. O silêncio do quarto era grande, mas sua voz ainda podia voltar a preenchê-lo quando alguém se aproximasse.

Não aceitava a versão de Augusto de que a mãe a deixara para ele.

Marisa tinha feito uma escolha.

Nenhuma escolha da mãe a transformava em propriedade de outra pessoa.

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