"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 71
Dinheiro ou filha
Helena ficou olhando para Augusto.
"Eu falei com ela."
"Eu sei."
"Então não faça isso."
Ele se levantou, e Helena recuou por impulso. A funcionária que recolhia uma peça de louça continuou o trabalho sem oferecer uma pergunta que interrompesse a tensão.
Augusto percebeu o movimento da menina.
"Não vamos discutir aqui."
"Não precisamos discutir em lugar nenhum. Eu disse o que vim dizer."
Helena virou-se para a saída. Augusto segurou seu braço antes que alcançasse o corredor.
"Tem uma coisa para você ver."
"Me mostra sem segurar."
Ele não soltou imediatamente. A conduziu até um cômodo próximo, ignorando a tentativa de ficar parada.
Helena começou a chamar por ajuda.
A voz alcançou a sala, mas ninguém veio.
Viu um funcionário no fim do corredor e pediu que chamasse alguém. O homem baixou os olhos, preso a uma obediência que parecia mais importante para ele que o pedido de uma pessoa sendo levada contra a vontade.
Augusto fechou a porta.
Helena tentou abri-la e encontrou resistência. Virou-se para ele, com a raiva tornando o rosto quente.
"Você não pode fazer isso."
Ele foi até a mesa e abriu o computador.
"Pode continuar dizendo que sou a única coisa que impede você de ir embora. Primeiro veja."
Ela permaneceu junto à porta.
Augusto abriu um arquivo e girou a tela.
Helena reconheceu a mãe antes de reconhecer o ambiente. Marisa estava numa sala de reuniões com Pedro e um homem de terno que ela nunca tinha visto.
A roupa era a mesma da véspera.
O dia em que deveria ter cuidado do cabelo.
Helena se aproximou sem perceber.
"O que é isso?"
"Uma conversa que você não ouviu."
O vídeo tinha som e um horário indicado. Não mostrava a viagem da mãe até ali, nem o que sentira antes de entrar. Mostrava o suficiente para que a filha entendesse por que voltara pálida.
Pedro colocava documentos sobre a mesa.
Falava de disposições deixadas por Eduardo, de recursos que poderiam chegar a Marisa e de valores adicionais que a família se oferecia a pagar ao longo do tempo.
O advogado dizia que existiam questões a verificar e formalizar.
Pedro preferia tornar tudo mais simples.
"Você pode aceitar o que estamos oferecendo e organizar outra vida."
Marisa olhava os papéis.
"Com a minha filha."
"Não foi essa a condição."
Helena ficou imóvel.
Pedro explicou que desejavam que Marisa saísse de São Paulo sozinha. Que não incentivasse Helena a romper com Augusto e que deixasse a relação dos dois seguir sem sua interferência.
O advogado se mexeu na cadeira, demonstrando um incômodo que não transformou numa intervenção suficiente.
Não havia um direito da família a escolher o destino de Helena dentro daqueles documentos. Havia uma pressão apresentada ao lado de dinheiro que Marisa não sabia como conseguir de outra forma.
Ela perguntou se estavam realmente exigindo que abandonasse a filha.
Pedro respondeu que a menina era adulta, que estudava e que não ficaria desamparada com o tio dele.
Helena apertou a borda da mesa.
Augusto permaneceu em silêncio ao seu lado.
Na gravação, Marisa levantou a voz.
"Ela não quer. Eu sei que não quer."
O som daquela frase trouxe à filha uma esperança tão dolorosa que teve vontade de interromper o vídeo antes de descobrir o que vinha depois.
Não interrompeu.
Pedro lembrava a mãe da dívida anterior e de quem pedira ajuda. Dizia que não era justo receber dinheiro da família, levar Helena embora e deixar Augusto sozinho como se nenhuma relação tivesse existido.
"Você está ouvindo isso?", Helena perguntou, virando-se para o homem ao seu lado.
"Estou."
"Você mandou ele falar assim?"
Augusto olhou para a tela antes de responder.
"Pedi que resolvesse a situação."
"A situação sou eu."
Ele não negou com rapidez suficiente para tornar a frase menos verdadeira.
Helena voltou ao vídeo.
Marisa chorava, dizendo que a proposta não podia ser feita daquela forma. Pedro esperou sem oferecer consolo.
Tinha perdido o pai, mas o luto não o impedia de usar o que o pai deixara para controlar alguém que ele preferia continuar tratando como uma presença provisória.
A gravação mostrou uma pausa longa.
Depois Marisa perguntou se teria alguma garantia de que Helena continuaria estudando e seria cuidada.
Augusto inclinou-se para avançar o arquivo. A filha segurou seu pulso antes que alcançasse o teclado.
"Não pula."
Ele a olhou.
"Quero ouvir tudo."
Augusto retirou a mão.
Helena voltou o rosto para a mãe na tela. Queria acreditar que perguntar não significava aceitar. Que Marisa procurava uma forma de enfrentar os dois homens sem deixá-la sozinha.
O advogado explicou que compromissos financeiros precisariam ser formalizados sem aquelas simplificações. Pedro o interrompeu, dizendo que não discutiam um casamento com a menina naquele dia, apenas a decisão de Marisa.
"Você sai com o apoio que estamos oferecendo ou sai com ela e enfrenta outra situação. Precisa dizer o que escolhe."
Marisa olhou para o telefone sobre a mesa.
Helena reconheceu o aparelho. Tinha ligado para ele muitas vezes naquela tarde, imaginando uma mãe presa no trânsito ou cansada num salão.
Na tela, a mão da mulher se aproximou do telefone e parou.
Helena reconheceu a unha quebrada num dos dedos. Tinha visto a mãe reclamar dela depois de preparar o jantar na noite anterior. Um detalhe pequeno, comum, impossível de transformar numa pessoa diferente.
Era Marisa.
Não uma mulher parecida. Não uma conversa que Augusto inventara para explicar o que desejava.
"Quero uma cópia", Helena disse.
Ele olhou para ela.
"Depois podemos..."
"Não termina essa frase. Quero poder ouvir sem você do meu lado."
Augusto não respondeu com uma promessa clara. A ausência lhe mostrou mais uma coisa sobre o arquivo: ele desejava que o visse, mas queria continuar decidindo quando e de que forma aquilo chegaria até ela.
Helena voltou a olhar a tela, guardando as frases da mãe enquanto ainda podia ouvi-las.
Não atendeu.
Pedro aguardou.
Helena percebeu que o silêncio seguinte não teria como ser preenchido por uma explicação sua.
A mãe precisaria responder.
Helena se inclinou para ouvir melhor, embora o som já estivesse claro. Não queria perder a última parte para depois depender da explicação de Augusto. Tinha visto o pedido, a pressão e a hesitação. Agora precisava ouvir a decisão sem que ele a resumisse.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4