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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 70

正文开头

Eu não vou casar com você

Marisa concordou numa manhã em que a casa parecia grande demais para as duas.

Helena estava na cozinha, tentando escolher o que levariam sem transformar cada objeto numa discussão. A mãe apareceu com uma fotografia de Eduardo e ficou olhando a mesa antes de dizer que poderiam ir.

"Para Curitiba?"

Marisa assentiu.

Helena se levantou e a abraçou, sentindo uma alegria que não conseguia separar da tristeza pelo motivo que as levara até ali.

"Você não precisa resolver tudo sozinha", disse.

A mãe acariciou seu cabelo e respondeu que sabia.

Por alguns minutos, conversaram sobre o apartamento, as malas e a possibilidade de procurar um bairro onde a filha pudesse chegar à universidade sem uma viagem longa. Eram decisões pequenas, e Helena gostou de poder fazê-las com alguém que não precisava vencer uma discussão antes.

Então Marisa mencionou Augusto.

"Agora que Eduardo não está mais aqui, talvez a relação de vocês pareça diferente."

Helena soltou o abraço.

"Diferente como?"

"Você não está mais presa àquela posição dentro da família. Poderia pensar com menos..."

"Mãe."

A palavra interrompeu a tentativa.

Helena olhou para ela, com o frio chegando ao estômago apesar do calor da manhã.

"Eu aceitei procurar ele porque você pediu ajuda. Agora você está dizendo que devemos ir embora e ainda quer que continue?"

Marisa abaixou os olhos.

"Foi só uma ideia."

"É uma ideia sobre a minha vida. Não é pequena para mim."

A mãe tentou dizer que não insistiria. Helena assentiu sem voltar a abraçá-la e foi ao quarto recolher as próprias coisas.

Não queria perder a coragem que a decisão de sair lhe dera.

Separou os livros antes das roupas. Eram pesados, mas não queria escolher uma vida nova deixando para trás aquilo que a ajudara a desejar uma vida própria.

Marisa apareceu à porta e perguntou se precisava de outra mala.

Helena disse que talvez uma caixa bastasse.

As duas olharam o pequeno conjunto de objetos no chão. Parecia pouco comparado ao que havia na casa inteira. Parecia suficiente para começar a organizar um espaço que não pertencesse à família de Eduardo.

"Posso levar a fotografia?", a mãe perguntou.

"Claro. É de vocês."

Marisa segurou a moldura por mais alguns segundos e saiu. Helena voltou a empilhar os livros, desejando que a mãe não confundisse deixar aquela casa com deixar de amar o homem que vivera nela.

Abriu o telefone e escreveu uma mensagem longa a Augusto. Explicou que Eduardo prometera ajudá-la, que não aceitaria o casamento e que não continuaria usando a necessidade da mãe como razão para ficar.

Depois apagou tudo.

Não desejava uma resposta que transformasse cada frase num assunto novo. Queria conversar uma vez, terminar e seguir o plano que finalmente existia.

Perguntou se ele tinha tempo para vê-la.

A resposta chegou horas depois, oferecendo um carro na manhã seguinte. Helena recusou o transporte e pediu o endereço.

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Augusto enviou.

Marisa saíra dizendo que tentaria cuidar do cabelo e comprar algumas coisas. Helena permaneceu arrumando a mala e procurando opções de aluguel menores do que o atual.

O tempo passou sem a mãe voltar.

Quando a noite chegou, começou a telefonar. As chamadas não eram atendidas. Helena imaginou trânsito, demora no salão, algum problema de que a mãe não quisera avisá-la.

Não imaginou uma reunião na empresa.

Marisa voltou quando a filha já se preparava para sair em sua procura.

Helena a encontrou perto da entrada e segurou seu braço.

"Onde estava?"

"Não ouvi o telefone."

"Achei que tivesse acontecido alguma coisa."

A mãe sorriu de um jeito que não combinava com o rosto pálido. Helena olhou o cabelo e percebeu que não fora alterado.

"Não conseguiu ir?"

"Tive outra coisa para resolver. Deixo para depois."

Helena quis perguntar mais, mas Marisa disse que estava cansada e pediu para comerem. A filha a levou até a cozinha, serviu a comida que tinha separado e falou sobre uma oferta de apartamento que talvez valesse conhecer.

A mãe escutou pouco.

Na manhã seguinte, quando Helena pegou a bolsa, Marisa a segurou por um instante.

"Leninha..."

Ela se virou.

A mãe parecia prestes a dizer alguma coisa importante. Não disse. Apenas pediu que tivesse cuidado na rua.

Helena assentiu e saiu.

O trajeto de carro custaria mais do que desejava gastar. Escolheu transporte público para a maior parte do caminho e fez apenas o último trecho num veículo de aplicativo.

Chegou um pouco antes do horário.

A residência de Augusto em São Paulo era diferente das casas modernas que conhecia em Curitiba. Tinha um jardim interno, janelas amplas e árvores que faziam o espaço parecer mais antigo que o homem que vivia ali.

Uma funcionária abriu a porta e a levou até a sala de refeições.

Augusto estava tomando café, vestido com uma roupa escura e simples. Levantou o rosto ao vê-la e indicou a cadeira próxima.

"Quer comer?"

"Já comi."

"Pode tomar alguma coisa."

Helena manteve a bolsa no ombro.

"Vim conversar."

Ele pousou a xícara.

"Estou ouvindo."

Ela respirou fundo. Não tinha uma frase capaz de tornar aquilo agradável. Tinha uma decisão que precisava continuar sendo sua mesmo diante do rosto dele.

"Não vou casar com você. Vou embora com a minha mãe."

Augusto não pareceu surpreendido.

"E a aposta?"

"Não vou entregar minha vida porque perdi uma aposta feita quando estava com medo de perder tudo."

Ele se recostou na cadeira.

Helena continuou antes que o silêncio a obrigasse a preencher espaço com agradecimentos.

"Se quiser tratar o dinheiro como uma dívida, podemos falar disso de outro modo. Eu não tenho como pagar agora. Sei. Mas isso não me transforma numa pessoa que você pode guardar."

Augusto a observou por alguns segundos.

"Você está bastante decidida."

"Estou."

"Sua mãe também?"

Helena sentiu a pergunta entrar no ponto que ainda não conseguia defender sem hesitação. Mesmo assim, respondeu.

"Vamos juntas."

Helena lembrou dos livros separados no chão e da fotografia que a mãe escolhera levar. Não era um plano inventado para discutir com ele. Já começara em pequenas decisões, e ela precisava que continuasse existindo fora daquela sala.

Ele pegou a xícara e a colocou de volta na mesa sem beber.

"Talvez seja melhor conferir o que cada pessoa decidiu antes de falar pelas duas."

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