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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 68

正文开头

Ele disse que não estava zangado

O golpe atingiu as costas de Augusto.

Helena sentiu o corpo dele endurecer e ouviu uma respiração interrompida. Tentou se afastar para ver, mas ele a manteve protegida até conseguir impedir que o pai repetisse o movimento.

"Basta."

Antônio continuou falando de Marisa e da filha como se as duas tivessem levado a doença de Eduardo para dentro da casa.

Helena levantou o rosto, ofendida apesar do medo.

"Não foi..."

A voz falhou.

Augusto pediu ajuda à equipe para separar o grupo e manter livre a passagem. Disse ao pai que o hospital não era um lugar para atingir alguém com uma bengala e que nenhum grito explicaria o que os médicos ainda tentavam descobrir.

Lídia segurou o braço do marido.

Marisa permaneceu perto da parede, olhando para a porta por onde Eduardo desaparecera. Não parecia ter espaço para defender a si mesma e esperar pela vida do marido ao mesmo tempo.

Augusto chamou André e organizou quem receberia as informações. Pediu que os parentes aguardassem num espaço separado e que não transformassem cada ligação da empresa numa interrupção do atendimento.

Não precisava levantar a voz para ser obedecido.

Helena observou a ordem surgir no corredor, cansada demais para sentir apenas gratidão por ela.

Quando os demais se afastaram, Augusto lhe ofereceu uma cadeira.

Ela sentou.

"Minha mãe está sozinha?"

"Uma funcionária vai acompanhá-la. Você pode ir até ela daqui a pouco."

Helena assentiu. Queria levantar imediatamente, mas as pernas ainda pareciam distantes do resto do corpo.

Uma enfermeira passou e ofereceu água. Helena aceitou o copo, olhando para a porta médica antes de beber.

"Ainda não temos uma informação nova", a mulher disse, entendendo a pergunta silenciosa. "Avisaremos a família quando pudermos."

Helena agradeceu.

Augusto pegou uma caixa de lenços e colocou perto dela, sem tentar enxugar seu rosto naquele momento. O gesto lhe deu espaço suficiente para recuperar alguma clareza.

"Ele disse que ia me ajudar", murmurou, mais para si que para alguém.

Augusto ouviu, mas não respondeu imediatamente. A enfermeira se afastou, deixando o copo vazio e o silêncio entre eles.

Helena segurou o objeto por mais um tempo. Era a única coisa naquela espera que podia terminar, colocar de lado e saber o que tinha acontecido.

Augusto se sentou ao lado.

"O que aconteceu depois que fui embora?"

Ela explicou a entrada no escritório, a conversa e o instante em que Eduardo perdera forças. Tentou falar da doença sem tocar no pedido que acabara de fazer.

Augusto escutou.

Depois perguntou sobre o que tinham conversado antes.

Helena segurou a bolsa no colo.

"Sobre a gente."

"Eu imaginei. O que ele disse?"

Ela olhou para a porta fechada e desejou que alguém saísse com uma notícia capaz de interromper aquela pergunta.

Ninguém saiu.

"Ele queria entender."

"E entendeu?"

Helena percebeu que não conseguiria terminar a conversa com frases pequenas. Augusto conhecia o assunto que fora tratar com o irmão. Conhecia sua vontade desde muito antes.

正文1

"Eu disse que queria ir embora."

Ele ficou imóvel.

O silêncio não tinha a calma que costumava apresentar. Parecia um esforço para não deixar aparecer outra coisa.

"Ele disse que falaria com você", Helena continuou. "Que me ajudaria."

Augusto olhou para as mãos dela, fechadas sobre a bolsa, e depois para o corredor.

"Foi isso que pediu?"

Ela assentiu.

Esperou a mudança no rosto, a frase que tornaria o pedido uma ofensa. Augusto não a ofereceu naquele momento.

"Não estou zangado com você", disse.

Helena quis acreditar, mas o corpo continuou preparado para uma repreensão.

Ele acrescentou que precisava acompanhar o que acontecia com Eduardo e que poderiam rever a situação quando soubessem mais.

"Talvez eu deva considerar o que meu irmão pediu."

Helena levantou os olhos.

A esperança veio antes da cautela.

"Se você conseguir fazer isso, vou agradecer de verdade."

Augusto recolheu a mão que tinha aproximado do braço dela.

Ela percebeu o movimento e ficou confusa. Não era a gratidão que ele solicitava em tantas conversas? Agora que podia oferecê-la sem fingir, parecia não querer receber.

"Você está machucado?", perguntou, olhando para a postura rígida.

"Não é importante agora."

Ele se levantou.

"Vai ficar com sua mãe. Eu espero aqui."

Helena demorou a obedecer. Não queria deixar a conversa incompleta, mas também não sabia como continuá-la sem retirar aquilo que desejava.

Foi até Marisa.

Augusto permaneceu no corredor, com as costas doendo e a frase da menina repetindo-se de modo insistente. Ela o agradeceria se a deixasse ir. Não o agradeceria por fazê-la ficar, por resolver dinheiro, por organizar viagens.

Precisava encarar a diferença.

Não gostou do que encontrou.

Pedro chegou pouco depois, acompanhado de Bianca. Parecia ter passado a viagem inteira tentando imaginar o que faria quando encontrasse o pai.

"Como ele está?"

Augusto explicou apenas o que a equipe tinha confirmado. Não ofereceu uma certeza bonita para que o sobrinho parasse de perguntar.

Pedro sentou-se, com os olhos vermelhos.

Bianca disse que o trouxera porque estavam juntos num compromisso de trabalho e que aguardaria se precisassem de ajuda. Augusto agradeceu e respondeu que avisaria.

Ela não insistiu em permanecer perto dele.

Procurou água para Pedro, deixou o copo ao alcance e se afastou para fazer uma ligação. O gesto não exigia atenção, e o rapaz pareceu perceber isso tarde demais.

Quando ficaram sozinhos, Augusto lhe disse que precisaria participar de decisões que vinha deixando para outras pessoas.

"Não quero decidir nada sem ele", Pedro respondeu.

"Eu sei."

Ficaram algum tempo em silêncio.

Depois o sobrinho perguntou por Marisa e Helena. Augusto indicou o local onde estavam e disse que também precisariam pensar no que aconteceria com elas.

Pedro abaixou os olhos.

Havia documentos, patrimônio organizado antes do casamento e coisas que o pai mantivera fora daquela estrutura. Não era uma conversa para concluir num corredor nem para fingir que um sobrenome permitiria decidir tudo sem procedimento.

Ainda assim, Augusto já pensava na margem que a família conservaria.

"Ela quer ir embora", disse.

Pedro olhou para ele.

"Você vai deixar?"

Augusto não respondeu.

A porta médica continuava fechada.

O silêncio tinha duas pessoas esperando notícias de Eduardo e um homem calculando o que perderia além do irmão.

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