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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 65

正文开头

Eu não disse que tinha consciência

O retorno pareceu mais longo para Helena que a viagem de ida.

Na conexão, tentou dormir e não conseguiu. No último trecho, olhou pela janela enquanto Augusto respondia às mensagens que começavam a ocupar o telefone novamente.

São Paulo os recebeu com o ar abafado de fim de ano. Helena guardou o casaco usado na cabine e encontrou o motorista esperando perto da saída.

Augusto lhe disse que a levaria para a casa de Eduardo.

Ela assentiu com um alívio que não tentou disfarçar. Queria ver a mãe, tomar banho e fechar uma porta sem perguntar antes.

No carro, ele terminou uma ligação e abriu um documento recebido da equipe responsável pelo programa universitário.

"A lista foi confirmada", disse.

Helena não perguntou qual.

Ele lhe mostrou o nome de Lucas entre os participantes que haviam manifestado aceitação e seguiriam para as etapas finais.

Ela olhou por alguns segundos e voltou para a janela.

"Eu sei."

Augusto recolheu o telefone.

Helena viu que ele não fechara o documento, apenas o afastara. Seu nome não aparecia na lista, mas era como se cada linha dissesse alguma coisa sobre o destino dela.

"Você está contente?", perguntou.

Augusto voltou o rosto.

"Contente por ele aceitar?"

"Contente por eu não conseguir sair."

Ele demorou a responder.

"Quero você perto. Não vou fingir que isso mudou."

Helena assentiu, sentindo a honestidade como mais uma coisa sem utilidade imediata. Saber o que queria não lhe oferecia um espaço maior para escolher.

"Eu não pedi que fingisse. Só queria que entendesse que não recebi a mesma notícia que você."

Augusto olhou para o documento outra vez e finalmente fechou a tela. Helena apoiou a testa de leve no vidro, acompanhando as ruas sem tentar reconhecer o caminho inteiro.

Não estavam voltando para o mesmo lugar, embora permanecessem no mesmo carro.

"Ele contou?"

"Contou."

"E você?"

Helena virou o rosto para ele, já cansada da pergunta antes de entender exatamente o que queria.

"Eu o apoiei."

Augusto ficou quieto por um instante. A informação parecia agradá-lo e incomodá-lo ao mesmo tempo: ela aceitara a escolha do rapaz, mas não porque desistira de amá-lo.

"Estou falando do nosso acordo."

Helena apertou as mãos no colo.

"Você já sabe o resultado."

"Quero saber se vai reconhecer."

Ela fechou os olhos por um segundo.

"Se eu disser que não, você vai mudar alguma coisa?"

"Não foi isso que combinamos."

Helena abriu os olhos e olhou para a rua. As pessoas atravessavam faixas, carregavam compras, procuravam ônibus. Cada uma parecia estar voltando a uma vida que não dependia daquela resposta.

"Eu perdi", disse.

A voz saiu pequena, mas inteira.

Augusto segurou sua mão. Ela não a retirou imediatamente porque já estava cansada de disputar cada gesto dentro daquele carro.

"Você não precisa enfrentar tudo sozinha."

Helena olhou para ele.

"Não está fazendo isso por mim. Está fazendo porque quer que eu fique."

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Ele não negou.

Ela soltou a mão devagar e colocou o telefone no bolso. Não responderia a Lucas sobre a volta naquela hora. Precisava chegar antes de escolher outra mentira.

Quando o carro parou, desceu depressa.

Augusto veio atrás.

Helena se virou imediatamente.

"Você vai entrar?"

"Vou conversar com meu irmão."

O alívio desapareceu.

"Hoje não. Eu ainda não sei o que dizer."

"Não precisa preparar uma explicação."

"Preciso, sim. Eles..."

Augusto olhou para a entrada, onde a porta começava a abrir.

"Eles sabem, Helena."

Ela ficou imóvel.

Não havia tempo para perguntar quem, desde quando ou quais partes. Eduardo apareceu, olhando primeiro para ela e depois para o irmão.

O rosto dele não parecia zangado com a menina.

Mesmo assim, Helena sentiu as pernas perderem firmeza.

"Eduardo..."

A palavra pai não saiu.

Ele se aproximou e falou com a mesma gentileza que usara para receber sua primeira tentativa de chamá-lo assim.

"Entre, minha filha. Vou conversar com Augusto."

Helena assentiu e passou por ele sem pegar a mala. O motorista a acompanhou com a bagagem, mas ela quase não percebeu.

Dentro da casa, encontrou a mãe perto da escada. Marisa a abraçou, perguntando se a viagem fora boa. Helena não conseguiu responder antes de olhar para a porta de novo.

"Todo mundo sabe?", perguntou baixo.

Marisa assentiu, e Helena se afastou apenas o suficiente para olhar seu rosto.

"Por que não me avisou?"

"Não sabia como falar pelo telefone. Achei que Augusto..."

Ela parou antes de terminar. A filha entendeu mesmo assim: mais uma vez, tinham deixado a decisão de contar nas mãos dele.

Helena soltou os braços e passou a mão na alça da bolsa. Não discutiria ali. Precisava apenas encontrar um lugar onde pudesse esperar sem ouvir que deveria aproveitar uma viagem que já tinha acabado.

Do lado de fora, Eduardo esperou que ficassem sozinhos.

Augusto começou a chamá-lo de irmão.

Não terminou.

O golpe veio direto ao rosto. Augusto recuou, encontrando apoio junto ao carro, e levou alguns segundos para organizar a dor e o gosto de sangue na boca.

Não revidou.

Eduardo segurou a camisa dele, aproximando-se com uma força que a doença não costumava permitir por muito tempo.

"Você conhecia o lugar dela nesta casa."

Augusto o olhou em silêncio.

"Conhecia a idade, conhecia a mãe. Sabia que confiavam em você."

"Eu sei."

"Então não me ofereça essa calma como se fosse uma resposta."

Eduardo o soltou, precisando respirar. Augusto tentou se aproximar para ajudá-lo, mas o irmão levantou a mão.

"Não."

Ele respeitou a recusa.

Eduardo percebeu o contraste e ficou ainda mais zangado.

"Você consegue ouvir quando quer."

Augusto limpou o canto da boca com os dedos.

"Não esperava que aceitasse facilmente."

"Não está tentando saber o que aceito. Está avisando o que decidiu."

O irmão mais novo não encontrou motivo para negar. Disse que queria estar com Helena, que não se tratava de uma distração e que planejava casar quando terminasse a faculdade.

Eduardo ficou olhando para ele.

"Casar?"

"E mudar parte da minha vida para fora do Brasil. Já estou preparando a empresa para isso."

A declaração levou a conversa para um lugar que Eduardo ainda não tinha considerado por inteiro. Não era apenas uma relação escondida. Augusto pretendia reorganizar a família em torno dela.

"Você não sente nenhuma vergonha?", perguntou.

Augusto baixou os olhos para a própria mão manchada e voltou a olhar para ele.

"Se a minha consciência tivesse sido suficiente para impedir, nada disso teria acontecido."

Eduardo permaneceu quieto.

O que havia de pior na resposta era a ausência de uma desculpa capaz de torná-la menos verdadeira.

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