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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 64

正文开头

Não para ser esposa

Marisa tentou assumir a responsabilidade antes que a conversa piorasse.

Disse que não queria ferir ninguém, que talvez devesse ter percebido mais cedo e que a filha ainda aprendia a lidar com aquela família.

Antônio a interrompeu.

"Então vá embora com ela."

Eduardo levantou o rosto.

"Pai."

"Eu ofereço o necessário para que você se divorcie. Ela leva a filha e vocês param de transformar nossa casa nisso."

Marisa sentiu o braço do marido ficar tenso sob sua mão. Não soube se o que mais a atingira tinha sido a proposta ou a facilidade com que o sogro a fizera diante dela.

Quase um ano de casamento, de atenção aos horários, de noites esperando que Eduardo respirasse melhor. Tudo podia ser reduzido a uma quantia e a uma porta fechada.

"Não vou me divorciar", Eduardo respondeu.

"Você está vendo o que aconteceu."

"Estou vendo meu irmão tomar decisões sobre uma menina que é minha filha. Não estou vendo um motivo para expulsar minha esposa."

Marisa olhou para ele, com lágrimas que não precisava inventar.

Antônio continuou dizendo que uma coisa vinha da outra, que nunca tivera confiança naquela aproximação e que avisara o filho sobre relações que mudavam depois de encontrar dinheiro.

Eduardo pediu que não falasse assim.

A discussão aumentou sem aumentar o volume de todas as vozes. Lídia tentava organizar o assunto como se cada pessoa pudesse reconhecer o lugar que lhe cabia e voltar a ele.

Augusto não estava ali para obedecer.

Helena também não.

Sobrou Marisa, que não tinha a mesma liberdade de recusar uma conversa.

Eduardo começou a falar outra vez e precisou parar. A mão foi ao peito, e a palidez apareceu antes que pudesse dizer que estava bem.

Marisa o fez sentar.

Pedro se aproximou imediatamente. Lídia pediu que chamassem o médico e afastou a discussão da sala com a urgência que não tivera quando falavam da filha de Marisa.

Antônio ficou quieto.

Eduardo tentou dizer que não era necessário todo aquele movimento, mas a esposa pediu que não gastasse fôlego convencendo-os. Ficou ao lado dele até a chegada do profissional.

A avaliação e o acompanhamento interromperam a conversa. Marisa respondeu sobre os horários, os cuidados e o que observara antes da visita. Não precisou consultar uma lista para lembrar.

Quando Eduardo estava mais confortável, Lídia sugeriu que Antônio descansasse e disse que esperariam Augusto retornar.

O marido saiu com um último olhar de desaprovação para Marisa.

Pedro permaneceu perto do pai, recebendo orientações do médico. A avó pediu que ficasse ali enquanto conversava com a esposa de Eduardo num cômodo separado.

Marisa hesitou.

O marido olhou para a mãe, silenciosamente pedindo que não acrescentasse outra pressão à noite. Lídia disse que queria apenas entender.

Marisa acompanhou-a.

No caminho, passou pela mesa onde uma funcionária organizava as xícaras da visita. A mulher olhou rapidamente para ela, depois retomou o trabalho, como se tivesse ouvido parte do que não poderia comentar.

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Marisa reconheceu a necessidade de conservar o rosto tranquilo.

Passara anos trabalhando em lugares onde decisões eram tomadas por pessoas que depois esperavam receber café, comida e cuidados com a mesma delicadeza de antes. Agora usava outra roupa, mas continuava precisando atravessar uma sala sem demonstrar tudo que tinha ouvido.

Lídia esperou junto à porta.

Marisa endireitou os ombros e entrou, sabendo que nem aquele gesto seria capaz de fazê-la parecer menos dependente aos olhos da sogra.

Na sala menor, a matriarca fechou a porta e foi até uma fotografia da família. Não a mostrou; apenas a tocou antes de se voltar.

"Quero saber quando começou."

"Não sei o momento exato."

"Você é mãe dela."

Marisa apertou os dedos.

"Justamente por isso, não sei todas as coisas que ela vive."

Lídia a observou por um instante. Depois disse que não acreditava que uma mãe deixasse de perceber uma atenção daquele tamanho.

Marisa não contou o corredor, a porta nem o pedido de mudança para Curitiba. Não contou a dívida. A cada verdade escondida, sentia o espaço de uma defesa diminuir.

"Eu não quis que acontecesse", disse.

"Mas aconteceu."

A resposta de Lídia tinha a calma de quem não precisava discutir o que poderia fazer com aquela informação.

Ela falou de Augusto, de sua recusa em casar novamente e da possibilidade de existir um sentimento incomum ali. Não o chamou de inocente. Também não o colocou no lugar de alguém que deveria perder o que desejava.

"Não posso escolher cada mulher com quem meu filho se envolve", disse.

Marisa levantou os olhos, encontrando uma esperança pequena na frase.

Ela desapareceu na seguinte.

"Mas posso dizer que uma companheira não se torna automaticamente uma pessoa adequada para entrar na família como esposa."

Marisa ficou olhando para ela.

"Helena já entrou na família."

"De outra forma."

A distinção foi feita sem esforço, como se bastasse mudar a posição de uma cadeira para explicar toda a vida da menina.

Lídia disse que antes pensara em ajudar Helena a conhecer alguém de sua idade, dar-lhe uma oportunidade respeitável e permitir que crescesse sem confundir possibilidades.

"Agora vamos precisar rever tudo."

Marisa sentiu a humilhação chegar em partes. Não havia um insulto aberto na maior parte das frases. Havia a certeza de que alguém como ela deveria reconhecer qualquer presença naquela casa como um favor.

"Eu tenho cuidado do Eduardo", respondeu, sem saber por que precisava provar aquilo numa conversa sobre a filha.

"E deve continuar. Essa é a parte em que pode ajudar de verdade."

Lídia se aproximou da porta, indicando que o assunto chegava ao limite que desejava.

"Ele precisa de tranquilidade. Não precisa que a esposa se envolva em tudo."

Marisa permaneceu em pé por alguns segundos.

Tinha acreditado que o cuidado se tornara uma forma de pertencer. Que as noites, os remédios e a atenção permitiriam à família vê-la para além da mulher que se casara depois de trabalhar no hospital.

Agora entendia que podiam agradecer pelo serviço e conservar a mesma distância.

"Eu sei", disse.

Não significava que concordava.

Significava que precisava voltar à sala em que o marido a esperava.

Ao chegar, encontrou Eduardo olhando para a porta. Ele estendeu a mão, e Marisa a segurou imediatamente.

O gesto lhe devolveu algum lugar.

Não devolveu a segurança que a família acabara de retirar.

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