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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 63

正文开头

A família inteira sabia

Helena acordou antes do amanhecer com o estômago revirado.

Sentou-se depressa, afastou a coberta e foi ao banheiro tentando não fazer barulho. Não conseguiu. Quando terminou de vomitar, estava sentada no chão, com o corpo tremendo e uma vontade enorme de voltar para uma cama que não precisasse dividir.

Augusto apareceu com água.

Ela pegou o copo e tomou um gole pequeno. Ele ficou junto à porta, esperando que pudesse levantar.

"Está melhor?"

"Não."

Augusto se abaixou para lhe oferecer uma toalha e disse que não deveria ter bebido daquela forma.

Helena olhou para ele.

"Não preciso de uma aula agora."

"Só estou dizendo."

"Quando você ficou mal no barco, eu não sentei do seu lado para dizer que devia ter adivinhado."

Ele ficou quieto por um instante.

Ela aproveitou o silêncio para apoiar a mão na bancada e se levantar. Augusto ofereceu ajuda, mas esperou que aceitasse antes de tocá-la.

Helena se segurou nele apenas até encontrar equilíbrio.

"Estou cansada de parecer sua aluna", disse.

"Você discute bastante para uma."

"Porque não sou."

Ele tentou sorrir, mas ela não acompanhou. A noite anterior voltava em partes, e a lembrança do pulso preso não combinava com uma brincadeira sobre comportamento.

Augusto baixou o olhar para a marca.

"Eu não devia ter segurado assim."

Helena ouviu sem oferecer um perdão imediato.

"Não devia."

Voltou para a cama e pediu que deixasse a cortina fechada por algum tempo. Ele concordou, colocou água perto dela e avisou que naquele dia poderiam permanecer na acomodação até a hora de sair.

Era o último dia na ilha.

Helena ficou olhando para o teto, tentando separar a dor de cabeça da tristeza que não passaria com o fim da ressaca.

Lucas iria embora.

Não era culpa dele. Ela repetia a frase porque uma parte ainda queria encontrar uma pessoa diferente de si para culpar por ter aberto a possibilidade.

Augusto perguntou se precisava de alguma coisa.

Helena quase disse que precisava voltar à vida de antes. Não teria uma resposta nova e estava sem força para ouvir a mesma.

"Quero dormir."

Ele se sentou na cadeira, deixando a cama para ela, e abriu o telefone com o brilho reduzido.

Mais tarde, quando conseguiu comer alguma coisa, Helena pediu que servissem uma refeição simples primeiro e perguntou se ainda haveria tempo de repetir a lagosta preparada na noite anterior.

Augusto levantou os olhos.

"Vai querer aquela outra vez?"

"Quando conseguir sentir fome direito. Era boa."

"Podemos pedir."

Ela hesitou antes de acrescentar que também gostaria de mais uma massagem nos ombros, com a mesma profissional e sem mudança no atendimento.

Ele assentiu.

Helena percebeu como aquelas escolhas tinham se tornado fáceis de imaginar. Não precisava consultar o preço, procurar um lugar ou descobrir como chegaria.

Pedia, e alguém organizava.

O conforto já começava a fazer parte de seu vocabulário.

Ela lembrou da mesa riscada escolhida para o apartamento e das tardes em que decidia o almoço olhando o que ainda havia na geladeira. Não sentia vergonha daquela vida. Ainda a desejava.

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Mesmo assim, tinha aprendido o sabor de uma refeição que outra pessoa preparava exatamente como pedira, a facilidade de pedir ajuda para uma mala e a sensação de descansar sem conferir quanto aquilo custaria.

Não precisava transformar o prazer em amor.

Precisava reconhecer que o prazer existia, porque era uma das formas pelas quais Augusto tornava mais difícil imaginar a saída sem uma perda junto.

Helena puxou o cobertor até o ombro e decidiu não discutir consigo mesma enquanto a cabeça ainda doía.

Augusto ouviu os pedidos sem mostrar a preocupação que chegara pelas mensagens da madrugada. A família soubera da relação. André enviara notícias suficientes para que entendesse o que o aguardava em São Paulo.

Helena ainda não sabia.

Ele não contou enquanto ela tentava descansar.

Na casa dos pais, o assunto não esperava a volta dos dois.

Antônio Ferraz estava de pé quando Eduardo entrou com Marisa. Pedro já tinha sido chamado do trabalho e permanecia junto à janela, sem a expressão relaxada das noites de jantar.

Lídia colocara sobre a mesa o telefone em que recebera uma confirmação do que ouvira numa conversa com amigas.

"Quero saber desde quando vocês conhecem essa história", disse.

Marisa segurou o braço do marido.

Antônio perguntou se era verdade que Augusto levara a filha dela numa viagem como sua companheira. Eduardo respondeu que o irmão tinha uma relação com Helena e que precisavam conversar sobre isso com cuidado.

O pai bateu a mão na mesa.

"Cuidado? A filha da sua esposa?"

Marisa abaixou o rosto, sentindo que qualquer explicação viria tarde demais para escolher o que preservaria.

Lídia se voltou para Pedro.

"Você sabia."

Não era uma pergunta.

Ele assentiu, depois acrescentou que não acompanhava cada parte da vida do tio. Antônio mandou que não tentasse parecer desinformado apenas porque a conversa se tornara desagradável.

Eduardo pediu que falassem com Augusto quando voltasse.

"Não antes de saber o que vocês permitiram", Lídia respondeu.

O filho mais velho ficou quieto por alguns segundos. Tinha ouvido rumores antes da convocação. Ao perguntar à esposa, recebera lágrimas e a garantia de que não ensinara Helena a procurar o irmão.

Não acreditava que a iniciativa tivesse vindo da menina.

Conhecia Augusto.

"Eu soube recentemente", respondeu.

"E ficou calado?"

"Estou tentando entender sem transformar tudo numa punição para quem tem menos espaço de falar."

Antônio olhou diretamente para Marisa.

"Vocês entraram nesta família e agora querem mudar todas as posições dentro dela."

Ela tentou responder, mas a voz falhou. Eduardo a colocou atrás de si, retomando o lugar de proteção que aprendera a ocupar sem discussões longas.

Lídia não parecia preocupada com a vontade de Helena. Falava dos nomes: filha, cunhada, nora. De como alguém explicaria a relação num jantar diante de pessoas que já tinham começado a comentar.

Pedro murmurou que não havia sangue em comum.

O avô se voltou para ele com tanta raiva que desistiu de continuar.

"Não é uma coisa que você resolve como se estivesse corrigindo um documento", Antônio disse. "Seu tio podia escolher qualquer outra pessoa."

Na ilha, Helena adormecia novamente, com a impressão de que ao menos teria algumas horas sem uma exigência nova.

Em São Paulo, seu nome ocupava uma sala em que ninguém perguntara o que ela queria.

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