"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 61
Eu apoio você
Voltaram ao resort com um peixe que Helena conseguira retirar da água com ajuda da tripulação.
Ela pediu que fosse preparado para o jantar e tirou uma fotografia antes de entregá-lo. Não era enorme, mas não se importou. Queria lembrar que tinha participado, mesmo depois de uma manhã que preferia esquecer.
Augusto estava melhor quando chegaram. Descansou um pouco e depois perguntou se gostaria de jantar na praia, onde haveria música.
Helena aceitou.
Escolheu um vestido rosa claro, prendeu o cabelo em duas tranças e deixou os sapatos ao lado da mesa quando percebeu que os outros também pisavam diretamente na areia.
O fim do dia parecia retirar a pressa dos lugares.
Havia casais, famílias e um grupo que ria antes mesmo de escolher as bebidas. Helena olhou tudo com uma curiosidade que não precisava explicar a Augusto.
Ele pediu a refeição e perguntou se preferia experimentar a entrada que o funcionário descrevia. Ela respondeu sozinha, usando palavras simples em inglês, e conseguiu se fazer entender.
O pequeno sucesso a deixou contente.
Augusto pareceu perceber, mas não transformou em elogio. Apenas esperou que terminasse a conversa.
A música começou quando estavam comendo.
Helena reconheceu uma canção romântica, embora não acompanhasse toda a letra. O mar estava escuro além das luzes, e a areia fria entre os dedos dos pés lhe dava uma sensação de estar num lugar que existia sem precisar da história dos dois.
Então o telefone vibrou.
Lucas.
Ela abriu a mensagem enquanto Augusto atendia uma ligação e se afastava até uma parte menos movimentada da praia.
"Pensei bastante. Conversei com meus pais e com o pessoal do programa. Vou aceitar."
Helena continuou olhando para a tela.
A mensagem seguinte dizia que ele queria combinar como manteriam contato e que voltaria para ela quando a etapa terminasse.
Não havia uma tentativa de feri-la.
Era justamente isso que impedia transformar a dor numa raiva simples.
Tinha dado apoio. Tinha pedido que pensasse no futuro sem procurar uma permissão em seu rosto.
Agora ele pensara.
Helena escreveu que ficava feliz por ele e apagou antes de enviar. Não queria oferecer uma alegria que não conseguia sentir.
Escreveu outra coisa.
"Se decidiu, vá. Eu apoio você."
Enviou.
Depois colocou o telefone junto ao prato e pegou o copo de vinho. Bebeu mais depressa do que vinha bebendo, tentando interromper a atenção que continuava presa nas mensagens.
A aposta terminara ali para ela.
Augusto ainda não tinha visto a decisão, mas sabia que a veria. O nome de Lucas apareceria num documento, a escola confirmaria e o homem ao seu lado trataria a informação como uma resposta definitiva sobre sua vida.
Helena não chorou.
Olhou para o céu e decidiu que, naquela noite, não ficaria imóvel diante de uma tela.
Quando Augusto voltou, a garrafa estava mais vazia e ela acompanhava a música com um sorriso que não chegava inteiro aos olhos.
"Você demorou", disse.
"Precisava terminar uma conversa."
"Vocês sempre precisam. Os homens da minha vida passam metade dela atendendo telefone."
Augusto olhou para o copo.
"Quanto bebeu?"
"Não fiz relatório."
Ele retirou a garrafa do alcance imediato e lhe ofereceu água. Helena aceitou um gole, depois começou a falar de Santa Clara.
Queria uma casa com quintal, muitas flores e uma mesa debaixo de uma árvore. Um lugar em que pudesse receber Camila, guardar livros e passar uma tarde sem ninguém perguntar por que não estava fazendo algo útil.
"Você ia ficar lá?", Augusto perguntou.
"Eu ia viver lá. É diferente."
Ela riu da própria frase e tentou levantar. Precisou apoiar a mão na mesa para encontrar equilíbrio.
Augusto se levantou também.
"Vamos voltar."
"Não quero voltar agora."
"Você está cansada."
"Estou aqui. Quero ouvir música."
Ele tentou segurar sua mão, mas Helena a recolheu e caminhou alguns passos pela areia, olhando a linha torta que deixara.
"Está vendo? Sei andar."
Augusto a acompanhou, sem a paciência tranquila com que aceitara seus comentários durante o jantar.
Helena viu o grupo dançando e se aproximou. Não precisava fazer bem. Precisava apenas mover o corpo sem esperar uma finalidade depois.
Uma mulher abriu espaço para ela. Helena sorriu e tentou acompanhar o ritmo, perdendo-se e acertando por acaso. A brincadeira a fez rir de verdade.
Augusto permaneceu a alguns passos.
Um homem que conversava com os músicos lhe ofereceu a mão para uma dança curta. Parecia conhecer o lugar e se apresentou em inglês, perguntando seu nome.
Helena respondeu, orgulhosa de entender a pergunta apesar do vinho.
Ele mostrou um movimento simples e riu quando ela o repetiu para o lado errado. Não a puxou para longe nem tentou separá-la do grupo.
Ela tocou seu braço ao recuperar o equilíbrio e comentou alguma coisa sobre o esforço da dança. O homem não pareceu compreender todas as palavras, mas sorriu.
A mulher que dançava perto mostrou o passo novamente, e Helena tentou imitar, rindo do próprio erro. Não queria sair daquele círculo pequeno. A música lhe dava um jeito de permanecer na noite sem voltar a conferir o telefone.
Por um instante, esqueceu a palavra aposta.
Não esqueceu Lucas por inteiro. Lembrou dele rindo quando os dois erraram a mesma letra no camping. A lembrança veio sem a necessidade de pedir que ficasse, e isso a deixou triste de uma forma menos sufocante.
Ela podia ter gostado de alguém de verdade.
Podia ainda gostar.
O homem perguntou se vinha do Brasil, e Helena respondeu com um entusiasmo exagerado, apontando para si mesma como se precisasse provar a informação.
Ele riu junto com os demais. Augusto viu a risada antes de alcançar o grupo.
Foi o gesto que Augusto viu.
Em poucos passos, estava ao lado dela.
Segurou seu pulso com força e a afastou do grupo. Helena perdeu o ritmo, olhou para ele e sentiu o susto substituir parte do vinho.
"O que foi?"
Augusto não respondeu ao homem que tentava entender se havia algum problema. Apenas disse que iriam embora e puxou Helena na direção do caminho de volta.
Ela tentou soltar a mão.
"Está machucando."
O rosto dele continuou fechado.
Naquela noite, tinha apoiado Lucas a escolher um futuro.
Ainda não conseguia escolher quando terminaria sua própria dança.
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