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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 57

正文开头

Ele chamou de destino

"Sinto", Augusto respondeu. "Menos do que você gostaria."

Helena permaneceu olhando para ele.

O reconhecimento não trouxera o arrependimento que esperava. Parecia apenas uma coisa que ele podia admitir sem precisar mudar nenhuma decisão.

"Então sabe que fez errado."

"Sei que você não teria escolhido estar aqui desse jeito."

"E continua."

Augusto segurou a mão que ela apoiava em seu ombro. Helena não a retirou imediatamente, mas também não deixou que o gesto encerrasse a conversa.

"Você conheceu outras pessoas antes de mim. Pessoas que queriam ficar com você. Por que tinha de ser eu?"

Ele a observou por alguns segundos.

"Não encontrei uma resposta que faça você gostar de ouvir."

"Não precisa ser agradável. Precisa ser uma resposta."

Augusto passou o polegar pela mão dela e disse que talvez pudesse chamar de destino.

Helena soltou uma risada curta.

"Destino não telefonou para minha mãe. Não escolheu meu endereço. Não entrou no meu quarto."

A frase retirou o conforto da palavra antes que ele a transformasse numa explicação suficiente.

Augusto baixou os olhos por um instante.

"Eu fiz essas coisas. Não estou dizendo que foi outra pessoa."

"Então não coloca um nome bonito."

Ele assentiu, mas não prometeu deixá-la ir. Helena percebeu que podia obter uma admissão e continuar exatamente no mesmo lugar.

A constatação a deixou mais cansada que a discussão.

Sentou-se na borda da cama, criando distância. Augusto se virou para acompanhá-la com os olhos.

"Se soubesse o que gosta em mim, talvez pudesse mudar", ela disse.

Ele balançou a cabeça.

"Não é uma característica que você tira como um casaco."

"Então sou obrigada a continuar sendo a pessoa que você escolheu?"

Augusto não respondeu de imediato. Helena percebeu que a pergunta era diferente das anteriores: não queria entender o desejo dele para aceitá-lo. Queria encontrar alguma coisa que pudesse fazer para terminar.

"Não vou pedir que se transforme em outra pessoa", disse.

"Já está pedindo. Uma que queira esta vida."

Ela puxou o cobertor sobre os joelhos e ficou olhando a própria mão, ainda capaz de sentir o calor do contato. Desejou que mudar fosse realmente tão simples quanto escolher outra roupa e sair do quarto sem ser reconhecida.

"Você não precisa resolver todos os anos da sua vida hoje", disse.

"Você já está tentando resolver por mim."

"Estou tentando fazer você se sentir melhor aqui."

"E, se eu não conseguir, o problema vai ser meu?"

Ele demorou a responder.

Helena olhou para a janela escura. O mar tinha deixado de ser uma paisagem e se tornado um som contínuo, capaz de fazer aquela casa parecer separada de todos os lugares em que poderia pedir ajuda.

"Eu não sei aceitar isso", confessou. "Às vezes fico bem por uma hora. Depois lembro como cheguei e parece que tudo estava errado de novo."

Augusto se aproximou, mas parou antes de tocá-la.

"Pode levar tempo."

"Você fala de tempo como se fosse uma coisa que eu pudesse usar para escolher."

正文1

Ele ficou em silêncio. Helena não teve força para insistir naquela noite. Pediu que apagasse a luz principal e deixou o espaço do outro lado da cama para ele.

Não foi uma resposta ao que conversaram.

Foi o fim da energia que tinha para continuar.

Mais tarde, quando ela dormia, Augusto permaneceu acordado, pensando na pergunta que não soubera explicar.

Conhecera muitas mulheres bonitas. Também conhecera pessoas capazes de antecipar suas preferências, rir antes que terminasse uma frase e transformar qualquer conversa num motivo para elogiar sua inteligência.

Não tinha falta de companhia disponível.

Helena não oferecia aquilo.

No casamento de Marisa, sua vontade de comer um prato e sua dificuldade de chamá-lo de tio apareciam no mesmo rosto. Quando estava zangada, não conseguia fazer a voz parecer contente. Quando se preocupava, perguntava sem primeiro calcular o que receberia.

A verdade dela o atraíra antes que pudesse explicá-la.

Depois tentara decidir se era apenas juventude, uma atenção nova que passaria ao conhecer outra pessoa. Não passara. As mulheres ao redor continuavam sendo agradáveis, bonitas, interessantes em suas próprias vidas.

Não eram Helena.

Era isso que chamava de destino quando não queria explicar o trabalho que fizera para transformar o desejo em presença.

Sabia que, para ela, a história teria outro nome.

Não estava disposto a abandonar o final que preferia por causa disso.

Na manhã seguinte, tentou acordá-la para tomar café. Helena escondeu o rosto no travesseiro e pediu mais alguns minutos com uma irritação sonolenta que ele recebeu quase como uma intimidade.

"Você pode comer depois", disse.

Ela respondeu qualquer coisa que não conseguiu entender e voltou a dormir.

Augusto foi ao restaurante sozinho.

Escolheu uma mesa junto à janela e estava começando a refeição quando Pedro telefonou. A voz do sobrinho veio com uma pressa capaz de atravessar o fuso horário sem dificuldade.

"Você precisa fazer alguma coisa com a Bianca."

Augusto apoiou o copo.

"Bom dia para você também."

"Ela pediu três relatórios. Três. Depois de um dia inteiro fora do escritório."

"Estavam na sua função?"

"Você não entendeu. Ela quer conferir tudo. Prazos, visitas, pendências. Parece que acha que sou incapaz de lembrar."

Augusto olhou o mar e quase sorriu.

"Você esqueceu alguma coisa?"

Pedro ficou quieto por um segundo.

"Não é esse o ponto."

"Costuma ser."

O sobrinho explicou que passava horas acompanhando trabalho no local e que, quando voltava, encontrava novas perguntas. Bianca não gritava. Mandava listas organizadas, cobrava respostas e não aceitava um sobrenome como justificativa para atraso.

Isso parecia perturbá-lo mais que qualquer bronca anterior.

"Ela não trabalha para tornar sua vida confortável", Augusto disse. "Trabalha para que a equipe consiga usar o que você observa."

"Podia observar menos coisas."

"Depois do que aconteceu, podia observar mais."

A lembrança encerrou a tentativa de brincadeira.

Pedro suspirou e perguntou se o tio ao menos conversaria com ela. Augusto respondeu que problemas de trabalho deveriam ser apresentados diretamente à responsável pela função, com informações suficientes para discutir prioridades.

"Não peça que eu retire uma pessoa competente porque ela descobriu onde você está devendo."

Desligou depois de desejar uma boa noite ao sobrinho, que respondeu tarde demais para conseguir prolongar a ligação.

Augusto pediu que separassem café da manhã para Helena.

Enquanto esperava, voltou a olhar o mar.

A vida ao redor parecia tranquila.

Ele sabia quanto precisara controlar para que a tranquilidade tivesse exatamente aquela forma.

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