"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 56
Agora olha para mim
Helena escolheu um óleo de lavanda quando a profissional lhe mostrou as opções.
Não sabia dizer se o cheiro faria alguma diferença. Gostou dele e quis escolher sem precisar justificar. A mulher confirmou, continuou o atendimento e perguntou outra vez sobre a pressão.
Ela respondeu baixo.
O sono vinha aos poucos, misturado ao ruído do mar. Helena não chegou a adormecer profundamente, mas deixou de acompanhar as conversas do espaço ao lado.
Ouviu Augusto falar alguma coisa em inglês.
Depois o movimento das profissionais se afastando.
Pensou que o atendimento estivesse quase terminado. Continuou de olhos fechados, esperando que alguém lhe avisasse quando poderia levantar.
Um toque diferente em seu ombro a fez voltar à atenção.
Não era a mesma pressão. Não tinha o ritmo de antes.
Helena abriu os olhos e encontrou Augusto perto da maca.
"O que está fazendo?"
"Achei que ainda podia ajudar a relaxar."
Ela se apoiou nos braços e puxou a toalha para perto.
"Eu estava esperando a profissional."
"O atendimento acabou."
"Então devia ter me dito."
Augusto tentou tocar seu cabelo. Helena afastou a mão dele.
"Não pode mudar as coisas enquanto estou de olhos fechados e esperar que eu aceite porque já começou."
Ele ficou quieto por um instante.
"Está bem."
Ela não gostou da facilidade com que dizia aquilo depois de um gesto já feito. Pegou sua roupa e saiu para o banheiro, querendo lavar o óleo e terminar o atendimento por conta própria.
Quando voltou, Augusto estava na piscina.
Helena ficou alguns segundos observando de dentro da casa e depois foi ao terraço. Não chamou por ele. Sentou na cadeira que escolhera pela fotografia e abriu o telefone.
Não havia uma decisão de Lucas sobre o programa.
Havia mensagens da mãe perguntando se o hotel era bonito e se o tempo estava bom. Helena enviou apenas uma fotografia do mar. Não mostrou o quarto, nem Augusto, nem o espaço de massagem.
Marisa respondeu com entusiasmo.
Ela deixou o aparelho de lado.
O pôr do sol começou a mudar a água. A imagem era bonita de um jeito que não precisava negar para conservar a própria raiva.
Podia ter gostado da massagem.
Podia querer olhar aquele mar durante uma hora inteira.
Nenhuma dessas coisas decidia o que sentia por Augusto.
Quando ele saiu da piscina, veio perguntar se preferia jantar ali ou no restaurante. Helena escolheu ficar na casa porque estava cansada de encontrar pessoas novas.
Ele providenciou a refeição.
Enquanto esperavam, trouxe água, encontrou um lugar para o livro dela e perguntou se o atendimento ajudara os ombros. Helena respondeu que sim, antes de acrescentar que teria gostado mais se terminasse sem uma surpresa.
Augusto assentiu.
"Você vai lembrar disso o resto da noite?"
"Se continuar perguntando, vou."
Ele soltou uma risada curta e se sentou na cadeira ao lado, sem puxá-la para perto.
A distância permitiu que conversassem um pouco.
Helena perguntou se sempre viajava para lugares onde havia tantas pessoas prontas para atender. Augusto disse que algumas viagens de trabalho eram bem menos agradáveis e que já passara noites em quartos que ela não escolheria pelas fotografias.
"Difícil imaginar."
"Você me conheceu quando tudo parecia pronto."
Ela olhou para ele.
"Para você, algumas coisas ainda parecem prontas antes de eu saber que existem."
Augusto recebeu a frase sem discutir. Depois perguntou sobre o livro de aniversário.
Helena o pegou e mostrou a capa, sem abrir a dedicatória. Falou da história, das primeiras páginas e de uma personagem que estava tentando entender.
Ele escutou.
Não corrigiu sua interpretação nem perguntou se a leitura teria alguma utilidade depois.
Helena percebeu o esforço e não soube o que fazer com ele. Preferiu continuar falando enquanto o assunto ainda era seu.
O jantar chegou com pratos que ela tinha escolhido. Comeu devagar, sentindo um descanso que não conseguira encontrar na casa de Curitiba.
Augusto lhe ofereceu mais água quando terminou. Helena aceitou, depois pediu que deixassem a sobremesa para mais tarde.
Não era uma noite perfeita.
Era uma noite em que parte de suas palavras vinha sendo ouvida, e essa diferença pequena a perturbava porque desejava que não importasse.
Quando ficaram sozinhos outra vez, ele se aproximou no terraço. Helena sentiu o braço dele em sua cintura e se virou para olhar seu rosto antes que tentasse beijá-la.
"Devagar", disse.
Augusto parou.
Ela sustentou o olhar, querendo descobrir se havia espaço para um gesto que começasse por ela. Não queria passar a vida inteira esperando o próximo movimento de outra pessoa.
Beijou-o brevemente.
Depois se afastou antes que ele transformasse a aproximação numa continuação automática.
"Não é uma resposta sobre a aposta", avisou.
"Não perguntei sobre ela."
"Você pensa nela mesmo quando não pergunta."
Augusto ficou olhando para seu rosto e admitiu que queria que parasse de esperar o momento de ir embora.
Helena não prometeu.
Mais tarde, no quarto, pediu que ele se sentasse. Augusto obedeceu, curioso, e ela permaneceu em pé diante dele por alguns segundos.
Era a posição do avião, sem o acidente.
Augusto começou a puxá-la para perto. Helena segurou seu pulso, pedindo que esperasse.
Ele parou o movimento.
Ela ficou ali mais um instante, sem se apressar para recompensar a obediência. Estava cansada de sentir que cada limite precisava ser acompanhado por alguma coisa agradável para que fosse aceito.
O olhar dele permaneceu sobre seu rosto. Helena percebeu a atenção e resolveu usá-la para fazer a pergunta que vinha evitando desde o hotel, quando ainda tentava acreditar que tudo teria um fim simples.
Ele tinha de erguer o rosto para encontrá-la.
Helena se aproximou e apoiou a mão no ombro dele, mantendo o próprio equilíbrio. Quando a proximidade mudou, escolheu o ritmo por um breve intervalo, sem aceitar que ele decidisse antes de escutá-la.
A intimidade daquela noite ficou longe das palavras fáceis com que ele descrevia o futuro. Para ela, não era a confirmação de que tudo se tornara aceitável. Era uma tentativa confusa de conservar alguma escolha dentro da relação em que estava.
Antes de continuar, segurou o queixo de Augusto e fez com que olhasse para ela.
"Agora olha direito."
Ele ergueu os olhos.
"Estou olhando."
Helena sentiu a coragem vir junto com a vontade de provocá-lo. Não conseguiria apagar a diferença entre os dois oferecendo uma noite tranquila.
"Sou vinte anos mais nova que você", disse. "Você sabe o que fez para eu estar aqui."
Augusto permaneceu imóvel.
Ela inclinou a cabeça, sem baixar o olhar.
"Não sente nenhuma culpa?"
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