"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 55
O preço de estar confortável
O calor encontrou Helena antes que conseguisse terminar de olhar o aeroporto.
Depois das horas de voo e da conexão, o ar úmido parecia pertencer a outro dia. Tirou o casaco leve que usara por causa do ar-condicionado e ficou segurando a peça sem saber onde colocá-la.
Augusto pegou o tecido.
"Depois guardamos na mala."
Ela agradeceu e acompanhou o funcionário do hotel que esperava com seus nomes. O homem falava inglês depressa, com um sotaque que Helena precisava de algum tempo para entender.
Respondeu às primeiras perguntas.
Quando deixou de acompanhar uma explicação sobre o transporte, olhou para Augusto por impulso. Ele traduziu, conferiu a bagagem e avisou que ainda fariam um trecho de hidroavião até o resort.
Helena assentiu, cansada de precisar confiar na organização de outra pessoa para saber onde estaria na próxima hora.
Ao mesmo tempo, queria ver o mar.
Quando o avião pequeno se afastou, ficou olhando pela janela com uma atenção que não conseguira dedicar a quase nada durante as últimas semanas.
As ilhas apareciam sobre uma água clara, cercadas por cores que ela teria julgado exageradas numa fotografia. Pegou o telefone e fez várias imagens, tentando não deixar o reflexo do vidro estragar todas.
Augusto inclinou-se um pouco para ver.
"Pode fotografar depois de chegarmos também."
"Quero essa vista."
Ele ficou quieto.
Helena tirou mais duas fotos antes de baixar o aparelho. Pensou em mandar uma à mãe, mas não enviou. O cenário parecia pertencer a uma alegria que ainda não sabia explicar sem dizer com quem estava.
Guardou para si.
No desembarque, receberam toalhas frescas e opções de bebida. Ela escolheu uma taça com fruta, experimentou e perguntou se levava álcool.
Augusto traduziu a confirmação do funcionário.
Helena tomou mais um gole, apreciando o sabor. Quando terminou, recebeu água antes de pedir outra taça. Não discutiu. Estava com sede e cansada demais para fazer de tudo uma prova.
O caminho até a acomodação atravessava vegetação, passarelas e trechos em que o mar parecia começar debaixo dos pés. Helena tentou olhar para todos os lados, esquecendo por alguns minutos o peso da viagem.
A casa tinha o terraço que escolhera nas fotografias.
Ao vê-lo de verdade, soltou um pequeno som de surpresa. A sombra caía sobre cadeiras claras, e havia espaço suficiente para sentar olhando a água sem precisar conversar.
O funcionário explicou horários, serviços e formas de pedir ajuda. Helena acompanhou parte da conversa e pediu que repetisse uma informação sobre a porta.
Ele respondeu mais devagar.
Dessa vez, ela entendeu sem Augusto.
Sentiu uma satisfação desproporcional e agradeceu. Não queria que o fato de estar longe transformasse toda escolha numa tradução feita por ele.
Quando ficaram sozinhos, deixou a bolsa sobre a cadeira e se deitou na cama ainda vestida.
"Não consigo mais andar."
Augusto colocou as malas no lugar e veio sentar perto dela.
"Pode descansar um pouco."
Ele afastou o cabelo de sua testa. Helena tolerou o primeiro gesto, mas se irritou quando continuou brincando com uma mecha perto da orelha.
"Não sou um gato."
Augusto parou e sorriu.
"Você reclama como um."
"Porque está mexendo numa pessoa que pediu descanso."
Ele retirou a mão.
"Reservei uma massagem. Achei que ajudaria depois do voo."
Helena virou o rosto, interessada apesar de tudo.
"Para mim?"
"Para nós. Duas profissionais vêm até aqui."
Ela ficou quieta, imaginando um atendimento em que não precisaria sair da casa nem explicar por que tinha os ombros rígidos.
"Você organiza tudo isso em qualquer viagem?"
"Quando quero descansar bem, sim."
"Parece muito acostumado."
Augusto percebeu a desconfiança por trás da frase e disse que se tratava de um serviço do resort. Não precisava ter um significado escondido só porque era caro.
Helena assentiu, sem pedir desculpa por perguntar.
Tomou banho e vestiu a roupa confortável que trouxera. Quando as profissionais chegaram, foi até a área preparada para o atendimento, de onde ainda podia ver uma parte do mar.
Uma delas perguntou seu nome antes de começar a explicar. Helena respondeu e ouviu a mulher repeti-lo para conferir a pronúncia.
Sorriu e disse que estava certo.
A pergunta não tinha sido dirigida a Augusto. Não dependia de quem pagaria pelo serviço ou de como ele apresentara a relação dos dois. Era apenas seu nome, e ela gostou de ouvi-lo naquele lugar sem nenhuma palavra nova colocada depois.
A primeira explicação a deixou constrangida.
Não conhecia o procedimento, não entendia cada palavra e não gostou de descobrir que precisava ajustar a roupa conforme as áreas atendidas.
Segurou a própria blusa.
"Prefiro não fazer."
Augusto começou a explicar que havia privacidade. Helena balançou a cabeça, e uma das mulheres se aproximou com uma toalha maior, falando devagar e oferecendo alternativas.
Ela podia escolher as áreas da massagem. Podia permanecer coberta. Podia pedir que parassem.
Helena compreendeu o suficiente para assentir.
"As costas e os ombros", disse em inglês, com cuidado.
A profissional confirmou e fechou o painel que aumentava a privacidade do espaço. Augusto deitou-se na outra maca, deixando de olhar para ela.
Só então Helena conseguiu relaxar o primeiro grau de tensão.
O atendimento começou devagar. Quando a pressão ficou forte, pediu que diminuíssem. A mulher ajustou imediatamente, sem discutir se o desconforto era necessário.
Helena fechou os olhos.
Não percebeu quanto precisava daquele tipo de resposta até recebê-la.
O cansaço começou a ceder. O som da água vinha de fora, misturado a movimentos discretos de objetos e a perguntas simples sobre estar confortável.
Ela respondeu que sim.
Não era uma mentira dita para terminar uma conversa. Estava confortável mesmo.
Ao lado, ouviu Augusto pedir uma pressão maior e imaginou, com uma diversão silenciosa, que a profissional dele teria trabalho para atender a exigência.
Quase sorriu.
Depois parou de tentar acompanhar tudo. O corpo já não parecia precisar ficar pronto para uma pergunta ou uma instrução.
A profissional lhe disse que avisasse se a música estivesse alta. Helena pediu que diminuíssem um pouco para escutar melhor o mar.
O volume baixou.
Ela agradeceu, surpresa com a facilidade de uma preferência se tornar parte do ambiente. Não precisara convencer ninguém de que havia uma razão importante para querer aquilo.
Augusto abriu os olhos por um momento e a observou com a expressão tranquila que raramente encontrava quando estavam sozinhos.
Queria que conhecesse aquela vida pelos sentidos, não apenas pelo tamanho de uma conta. Um lugar bonito, uma viagem organizada, o cansaço retirado por pessoas que sabiam o que faziam.
Queria que se lembrasse de quem tornara tudo possível.
Helena não sabia o que ele pensava.
Estava ocupada, pela primeira vez em muitos dias, deixando de sentir dor nos ombros.
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