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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 52

正文开头

Você pode ir

Henrique foi o primeiro a tentar mudar o tom.

Disse que tinha falado demais, que não queria transformar um jantar em orientação de carreira. Helena assentiu, mas não ofereceu um sorriso suficiente para fingir que nada acontecera.

Lucas continuava com o garfo sobre a mesa.

"Combinamos que esse assunto não seria colocado nela", disse.

Helena virou o rosto.

A frase confirmou o que começara a perceber: os colegas conheciam a resistência dele e tinham vindo preparados para discutir os motivos, mesmo que escolhessem chamar aquilo de preocupação.

"Não precisam fazer isso por mim", ela disse, antes que outro pedido de desculpa chegasse. "Eu sei que a oportunidade é importante."

Um rapaz começou a falar, mas ela continuou.

"Também acho que Lucas tem capacidade de crescer aqui. Não é porque fica que deixa de ser bom no que faz."

Lucas segurou sua mão debaixo da mesa.

Henrique respondeu que ninguém duvidava da capacidade dele. O problema era o acesso, a possibilidade de conhecer pessoas e tecnologias que levariam tempo demais para encontrar sozinho.

"Talento não é raro o bastante para substituir oportunidade", disse.

Helena assentiu lentamente.

Não precisava concordar com o modo como a conversa fora conduzida para reconhecer o que havia de real nela.

Lucas pediu que comessem. Dessa vez, o grupo aceitou.

Passaram a falar dos trabalhos finais, das famílias e de uma festa que alguém queria organizar no começo do ano seguinte. Helena ouviu sem participar muito. Comeu o que Lucas lhe oferecia e perguntou a uma colega que chegou depois sobre seu curso.

Não queria que toda a noite fosse transformada numa cena em que ela ficara magoada.

Depois do jantar, alguns foram a um lugar com música e karaokê. Helena acompanhou Lucas, sentando-se com ele numa mesa menor enquanto os amigos disputavam quem cantaria primeiro.

A primeira música foi alegre. A seguinte falava de despedida e de alguém permitindo que outra pessoa seguisse um caminho diferente.

Helena não precisou conhecer a letra inteira para sentir o tema alcançar o que vinha tentando evitar.

Lucas perguntou se queria ir embora.

Ela assentiu.

Caminharam de volta sem pressa. A noite estava menos fria do que as semanas anteriores, e havia luzes de fim de ano em algumas vitrines. Helena viu uma família escolhendo presentes e pensou que deveria ser possível querer uma coisa sem imaginar de imediato quem a cobraria depois.

Lucas segurava sua mão.

Perguntou se ela já comprara a passagem para as férias. Helena confirmou a data, e ele disse que sairiam de Curitiba no mesmo dia, embora os horários dos ônibus fossem diferentes.

Combinaram chegar à rodoviária juntos.

Era um plano pequeno, sem anos de distância nem decisões definitivas. Helena gostou de conseguir concordar com alguma coisa sem sentir que precisava esconder metade do motivo.

Lucas comentou que levaria o computador, mas que pretendia passar pelo menos alguns dias sem reuniões. Ela apertou sua mão e pediu que tentasse cumprir.

正文1

"Não sabia que iam falar daquele jeito", disse.

"Você pediu que não falassem?"

"Pedi."

"Então não foi culpa sua."

Ele olhou para ela, surpreso com a ausência de discussão.

Helena parou perto de uma praça e soltou sua mão apenas para arrumar a alça da bolsa.

"Você está pensando em ir?"

Lucas olhou para o chão.

"Estou tentando não pensar."

A sinceridade doeu mais do que uma mentira teria doído. Também lhe permitiu ver o tamanho da escolha que mantinha fechada para ele.

"Por minha causa?"

"Por causa da gente."

Helena respirou fundo.

Queria aceitar aquela resposta e ficar quieta. Voltar ao apartamento, ligar para Augusto depois da recusa formal e dizer que ganhara. Guardar Lucas perto, sem explicar a ninguém por que uma oportunidade tinha sido transformada em ameaça.

O desejo existia.

Não conseguia fingir que deixaria de existir só porque reconhecera o problema.

"O que teria lá que você quer tanto?", perguntou.

Lucas começou a explicar com cautela. Falou de formação, acompanhamento de equipes e tempo para desenvolver ideias sem descobrir tudo por tentativa. O programa poderia se estender por até três anos, com etapas acadêmicas e de trabalho vinculadas aos parceiros.

Não sabia ainda todos os detalhes.

Sabia o suficiente para que sua voz mudasse ao falar.

Helena ouviu aquela mudança. Era o mesmo entusiasmo com que apresentara o primeiro jardim, antes de investidores, carros e reuniões urgentes.

Não fora Augusto que criara aquele desejo.

Ele apenas encontrara uma maneira de usá-lo.

"Então você devia considerar", disse.

Lucas ergueu o rosto.

"Como?"

Ela tentou sorrir.

"Se você quer ir, pode ir."

"Achei que isso deixasse você triste."

"Deixa."

A palavra saiu sem uma tentativa de torná-la menor.

"Mas não é justo eu pedir que abandone uma coisa que quer só porque não quero ficar longe."

Lucas se aproximou.

"Eu escolhi ficar."

"Escolheu antes de conversar sobre tudo. Antes de admitir que queria pelo menos saber como seria."

Ele ficou quieto.

Helena passou a mão em seu rosto, com um carinho que não precisava usar para prendê-lo. Queria guardar a lembrança de que ainda podia oferecer alguma coisa sem torná-la uma condição.

"Não estou mandando você embora. Estou dizendo que não precisa pedir minha permissão para ter futuro."

Lucas segurou sua mão.

"E o nosso?"

Helena sentiu os olhos arderem.

"Você não vai para um lugar sem telefone. Podemos conversar. Visitar quando der. Você volta depois."

Ela falava de possibilidades que já não conseguia garantir para si. Não queria colocar a dívida ou a aposta sobre o futuro dele naquele momento.

Era uma escolha que precisava fazer sem exigir que Lucas carregasse o preço.

"Converse com seus pais", acrescentou. "Leia tudo. Pense no que quer. Eu apoio você."

Ele a abraçou devagar.

Helena encostou a cabeça em seu ombro e chorou sem fazer barulho. O abraço não parecia uma despedida para Lucas. Para ela, parecia a primeira parte de uma porta que abria com as próprias mãos, mesmo sabendo quem esperava do outro lado.

"Preciso pensar", ele disse.

"Pode pensar."

Não havia uma decisão formal naquela noite. Não tinha perdido a aposta ainda.

Mas deixara de usar o amor dele como a condição que precisava vencer.

Quando chegou ao prédio, Lucas perguntou se continuava com raiva pela noite interrompida. Helena balançou a cabeça e disse que também tinha agido mal.

Não pediu que levasse embora todas as lembranças difíceis.

Beijou-o e esperou que saísse antes de subir.

No apartamento, colocou a chave sobre a mesa e ficou olhando para ela.

Queria ser livre.

Naquela noite, escolhera não retirar a liberdade de alguém para tentar conseguir a sua.

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