"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 50
A mulher que sabia se aproximar
Pedro levantou a mão discretamente quando viu o tio atravessar o salão.
Estava perto de um homem idoso, vestido com um terno claro, e de uma mulher que escutava a conversa sem parecer esperar apenas sua vez de falar. Augusto se aproximou e cumprimentou o anfitrião antes de se voltar para o mais velho.
"Professor Monteiro."
O homem sorriu.
"Ainda consegue lembrar que tem gente para visitar sem levar um contrato?"
"Trouxe apenas minha companhia. Espero que seja suficiente."
"É um começo."
Gilberto Monteiro havia conhecido Augusto na juventude, quando lecionava e participava da vida pública. Mesmo aposentado, conservava amigos capazes de fazer uma sala ficar mais atenta quando ele falava.
Gostava de lembrar que tentara convencer o antigo aluno a seguir outra carreira.
Naquela noite, não perdeu a oportunidade.
"Você tinha jeito para ouvir pessoas antes de decidir. Depois escolheu os negócios."
Augusto sorriu com respeito suficiente para não transformar a lembrança numa discussão.
"Ainda ouço pessoas."
"Só quando têm algo que lhe interessa."
Pedro abaixou o rosto, escondendo uma risada que não ousaria repetir diante do tio sem a proteção do professor.
Gilberto tocou o braço da mulher a seu lado.
"Esta é minha neta, Bianca. Voltou da Inglaterra no ano passado. Vocês já se conhecem de nome, imagino."
Bianca Monteiro estendeu a mão.
"Pessoalmente, ainda não. Prazer, senhor Ferraz."
Augusto retribuiu o cumprimento de modo breve.
"Augusto."
Ela sorriu, satisfeita com a permissão, mas não usou imediatamente a intimidade oferecida. Perguntou pelo trabalho, comentou um assunto recente do grupo e ouviu a resposta sem tentar demonstrar mais conhecimento do que possuía.
Pedro observava os dois.
Bianca tinha vinte e cinco anos, formação em negócios e uma tranquilidade que a fazia parecer preparada até para perguntas inesperadas. Conhecera Pedro durante o período em que ambos estudavam na Inglaterra, embora circulassem por ambientes diferentes.
"A Bianca estudava de verdade", ele comentou. "Eu não tinha como competir."
Ela olhou para ele.
"Você também estudava. Só precisava encontrar tempo entre os outros compromissos."
Gilberto riu. Pedro ergueu as mãos, aceitando a resposta porque discutir tornaria a comparação pior.
Augusto pediu que não transformasse a apresentação numa provocação. Bianca disse que não se incomodava, mas voltou a atenção para ele antes que o sobrinho pudesse usar a frase como convite.
"Meu avô fala bastante do senhor. Principalmente quando quer me convencer de que fazer planos cedo é importante."
"Espero que também mencione que os planos mudam."
"Menciono", Gilberto respondeu. "O que não deve mudar é a disposição de assumir o que escolheu."
Augusto assentiu.
Bianca percebeu a facilidade com que ele se ajustava ao tom do avô. Não o viu como alguém que fingia respeito sem atenção; parecia realmente conhecer o espaço exato que podia ocupar ali.
O professor perguntou onde a neta poderia ganhar experiência no Brasil. Ela já participara de projetos durante a formação, mas queria conhecer uma empresa maior antes de decidir sua próxima etapa.
Augusto compreendeu o pedido.
"Podemos conversar sobre uma posição", disse. "Temos uma equipe reorganizando projetos ligados ao Pedro. Alguém com capacidade de análise e atenção a processo seria útil."
O sobrinho parou de sorrir.
"Você quer colocar alguém para conferir tudo o que faço?"
"Quero colocar alguém capaz de trabalhar. Conferir faz parte."
Bianca manteve a expressão tranquila.
"Não tenho problema em fazer perguntas difíceis."
Pedro olhou para ela, como se começasse a reconsiderar a utilidade de toda aquela conversa.
Gilberto aprovou a ideia, mas disse que não queria um favor que atrapalhasse a empresa. Augusto respondeu que haveria uma entrevista, uma função definida e expectativas claras.
"Se os dois lados concordarem, começamos."
Bianca agradeceu.
"Eu gostaria de conhecer o que já foi reorganizado antes de sugerir qualquer mudança", acrescentou. "Não quero entrar fingindo que sei mais que a equipe."
Augusto assentiu e disse que os materiais pertinentes seriam apresentados durante a seleção.
Pedro perguntou se precisava organizar uma recepção.
"Pode organizar os documentos", ela respondeu.
O professor riu, e Augusto concordou com a sugestão sem disfarçar a satisfação de ver o sobrinho receber uma resposta simples. Bianca não pretendia disputar quem tinha mais autoridade naquela sala. Queria saber o que esperariam dela quando ninguém estivesse fazendo uma apresentação social.
Depois perguntou se poderia enviar o currículo diretamente à área responsável. Augusto lhe informou o contato e pediu a André, por mensagem, que avisasse a equipe.
Não prometeu passar os dias ao lado dela.
Era precisamente esse espaço que Bianca procurou abrir ao pedir também seu número.
"Às vezes uma dúvida não cabe numa apresentação formal", explicou, sorrindo. "Se eu puder consultar alguém que conhece a empresa tão bem, ajuda muito."
Augusto olhou para o professor e voltou para ela.
"Pode enviar. Se for um assunto de outra área, encaminho."
A resposta era educada e tinha um limite. Bianca aceitou sem demonstrar incômodo.
Pedro também trocou contato com ela. Ao confirmar, perguntou se já havia preparado as perguntas difíceis que pretendia fazer.
"As primeiras dependem do que vou encontrar."
"Isso não me tranquiliza."
"Não prometi tranquilizar."
Ela sorriu outra vez, e Gilberto pareceu satisfeito com a conversa dos mais jovens. Augusto aproveitou para perguntar ao antigo professor como estava a saúde e ouviu um relato sobre consultas, caminhadas e a dificuldade de convencer a família de que ainda podia viajar sozinho.
Bianca permaneceu perto.
Não interrompia. Mas, a cada pergunta, oferecia uma observação útil ou uma lembrança do que o avô havia contado antes. O cuidado dava à sua presença uma naturalidade que não dependia apenas de insistir.
Quando Augusto se afastou para atender outro convidado, ela o acompanhou com os olhos.
Pedro percebeu.
"Você podia ter pedido uma função com meu tio, em vez de aceitar uma comigo."
Bianca se voltou para ele.
"Ele acabou de explicar que existe uma necessidade na sua equipe."
"Você é sempre tão prática?"
"Quando quero começar bem, sim."
Pedro olhou para Augusto do outro lado do salão. Pensou em Helena, capaz de recusar uma conversa e desligar o telefone, e em Bianca, que encontrava motivos para prolongar qualquer oportunidade de aproximação.
Não comentou a diferença.
Bianca guardou o número de Augusto e conferiu se a mensagem com seu nome havia sido enviada corretamente.
Depois perguntou a Pedro quais seriam as primeiras atividades da equipe.
Tinha interesse em Augusto.
Também tinha a capacidade de não confundir esse interesse com a única coisa que faria ao entrar na empresa.
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