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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 49

正文开头

Pelo menos eu quero que ela fique

"Não fale assim de mim."

Helena disse a frase antes que Augusto terminasse a próxima observação. A voz saiu alta, tomada por um choro que já não pretendia esconder.

"Você não sabe por que eu queria estar com ele. Não pode transformar tudo numa coisa suja só porque não é com você."

Augusto permaneceu quieto do outro lado.

Ela continuou.

"Você entrou na minha vida e agora acha que tem direito até ao que eu sinto quando estou sozinha. Eu odeio isso."

"Helena..."

"Não. Não vou ouvir você dizer que é para o meu bem."

Encerrou a chamada e desligou o telefone.

Depois ficou alguns minutos junto à mesa, respirando com dificuldade. Queria jogar o aparelho longe, mas o colocou sobre uma almofada. Não precisava perder mais uma coisa que lhe permitia alcançar alguém.

Na varanda de uma residência em São Paulo, Augusto continuou olhando para a tela apagada.

O jantar de negócios ocorria do outro lado das portas de vidro. Havia música baixa, conversas e pessoas esperando uma oportunidade de falar com ele.

Pedro apareceu com um copo na mão.

"Ela desligou?"

Augusto guardou o telefone.

"Você estava ouvindo?"

"A última parte não exigia muito esforço."

O sobrinho se sentou diante dele. Já estava voltando a participar de alguns encontros, embora as decisões do projeto da demolição tivessem passado a outras pessoas. A obrigação de conhecer a operação de perto continuava sendo discutida com uma equipe que não se impressionava tanto com o sobrenome.

Pedro preferia falar de qualquer outra coisa.

"Você deixa ela falar assim com você."

"Não pedi sua opinião."

"Está bem. Só achei curioso."

Augusto olhou para a porta.

Tinha recebido uma informação de que Helena encontrara Lucas no aeroporto e de que os dois entraram juntos no prédio. Não havia uma câmera na sala dela mostrando o encontro. O restante chegara por horários, contatos ligados ao estúdio e pela reação que ouvira ao telefonar.

Escolhera uma frase ampla o suficiente para parecer que conhecia tudo.

A raiva dela confirmara mais do que qualquer relatório.

Pedro comentou sobre uma moça com quem conversara no jantar. Disse que os avós gostariam dela, que parecia adequada, mas que ele ainda não se imaginava vivendo uma vida inteira conforme a avaliação dos outros.

Augusto lhe disse que, até aprender a administrar o que já recebera, teria menos espaço para escolher.

"Você escolhe tudo", Pedro respondeu.

"Trabalhei para isso."

"Inclusive alguém que não quer você."

O silêncio mudou imediatamente.

Pedro baixou o copo.

Augusto não negou. Apenas olhou para ele até o sobrinho encontrar motivo para se levantar.

Antes que saísse, Renata abriu a porta da varanda.

Usava um vestido verde escuro e um casaco leve sobre os ombros. Cumprimentou Pedro com a familiaridade de quem ainda conhecia muitos lugares daquela família, embora já não tivesse direito ao mais importante.

Ele pediu licença e voltou ao jantar.

正文1

Renata escolheu a cadeira que acabara de ficar vazia.

"Você está indo tanto para Curitiba que começo a pensar se mudou a sede da empresa."

Augusto não sorriu.

"O que quer, Renata?"

"Conversar. Ainda sei fazer isso."

Ela perguntou pelo projeto, comentou as notícias e falou da rapidez com que os comunicados tinham substituído as acusações. Augusto respondeu que não discutiria o assunto ali.

Renata desviou o olhar para o jardim antes de mencionar a gestação que perdera durante o casamento. Disse que, se as coisas tivessem sido diferentes, talvez ele não precisasse preparar Pedro para ocupar seu lugar.

Augusto não aceitou a tentativa de transformar a lembrança numa dívida entre eles.

"Não use isso para voltar a uma conversa que terminou."

"Você chegou a colocar em dúvida se a criança era sua", ela respondeu, com a voz mais fria. "Não esqueço só porque prefere outro assunto."

Ele permaneceu em silêncio. A suspeita que lançara anos antes não se tornara uma certeza. Continuava sendo parte da crueldade que os dois conheciam daquele casamento.

"Sua família tem alguma informação que queira apresentar?", perguntou.

"Não transforme uma conversa numa ameaça."

"Então não a transforme numa tentativa de descobrir o que já sabemos."

Renata ficou olhando para ele por alguns segundos. Depois mudou de assunto com a precisão de quem decidia onde uma conversa doeria mais.

"Ouvi dizer que tem uma namorada."

Augusto encostou no assento.

"Ouviu."

"A filha da nova mulher do Eduardo. Não sabia que esse era o seu tipo."

"Você não precisa saber."

Renata soltou uma risada curta.

"Uma menina na universidade. Você tem quase quarenta. O que imagina que os dois têm em comum?"

Ele não ofereceu a ela uma lista.

"Não estou pedindo uma avaliação."

"Não. Está apenas fazendo todo mundo comentar. Inclusive sobre mim. Dizem que finalmente apareceu alguém capaz de afastar você do trabalho."

Augusto se levantou.

"Se o problema são os comentários, converse com quem faz."

Renata também se levantou, mas não bloqueou o caminho.

"Você gostava de agir como se estivesse acima de qualquer fraqueza. Agora vai me dizer que isso é amor?"

"Não vou dizer nada para convencer você."

"Ela está com você pelo dinheiro."

A frase o fez parar junto à porta.

Augusto se virou lentamente.

"Você pediu para voltar por quê?"

Renata apertou a bolsa.

"Nossa história não começou por isso."

"E acabou depois que você usou o que sabia dos meus negócios para beneficiar os seus."

Ela desviou o olhar por um instante, irritada com uma lembrança que não poderia apagar fingindo indignação com o presente.

"Não estou dizendo que fui perfeita. Estou dizendo que você também não é."

"Nunca disse que era."

A resposta simples a deixou sem o confronto que procurava. Renata voltou ao nome de Helena, perguntando quanto tempo ele acreditava que uma jovem aceitaria permanecer perto dele.

Augusto pensou na voz que acabara de ouvir pelo telefone.

Não confundia aquilo com devoção. Não precisava de Renata para reconhecer que Helena queria recuperar a própria vida.

"Se ela quer alguma coisa que posso oferecer, eu quero que tenha", disse.

"Que generosidade."

"Pelo menos não estou fingindo que quero distância dela."

Renata o observou, percebendo uma disposição que nunca recebera naquela forma. Não era delicadeza. Era uma certeza desagradável, incapaz de se envergonhar do que desejava.

Augusto abriu a porta.

"Não use o nome dela para prolongar uma conversa sobre nós. Essa conversa terminou."

Deixou Renata na varanda e entrou no salão, onde Pedro já o esperava ao lado do anfitrião.

O telefone permaneceu guardado.

Pela primeira vez naquela noite, o silêncio de Helena pesava mais que os compromissos ao redor.

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