标题上

"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 47

正文开头

A última coisa que ela queria perder

"Helena?"

A voz de Lucas chegou enquanto a reportagem ainda estava aberta na tela. Ela a fechou antes de responder, como se pudesse retirar da conversa aquilo que não queria contar.

"Estou aqui."

"Vi sua pergunta sobre o programa. Queria falar direito, não responder correndo."

Helena se sentou junto à mesa.

Lucas explicou que haviam mencionado uma formação fora do Brasil, com atividades ligadas ao estúdio e à universidade. Não recebera um contrato para assinar. Tinha sido chamado a conversar, entregar informações e conhecer as possibilidades.

"Por que não me contou?"

"Porque não achei que fosse acontecer comigo. E, quando começaram a insistir, pensei que não queria ir."

Ela segurou o telefone com mais força.

"Não quer?"

"Não quero passar anos longe de você."

Helena fechou os olhos. O alívio foi tão intenso que chegou junto com uma vontade de chorar. Tentou não deixá-lo perceber a importância escondida naquela resposta.

"Mas você gostaria da oportunidade?"

Lucas ficou quieto por alguns segundos.

"Gostaria de aprender algumas coisas. Isso não significa que preciso aceitar tudo. Tenho um projeto aqui. Tenho a faculdade. Tenho você."

Ela escutou cada item como se pudesse guardá-lo contra a voz de Augusto.

Não contou a aposta.

Perguntou outra vez se ele pretendia ficar, e Lucas respondeu com uma firmeza que parecia feita para tranquilizá-la.

"Pretendo. Não vou fazer planos sem falar com você."

Depois conversaram sobre o dia. Ele perguntou se já havia comido e lembrou que a vira responder pouco nas últimas semanas. Helena prometeu tentar falar mais, embora não soubesse quais verdades conseguiria oferecer.

Nos dias seguintes, a notícia da demolição perdeu espaço.

Helena encontrou uma atualização com declarações da empresa e imagens de representantes da família atingida. O texto falava de assistência, apuração e compromissos assumidos. Não explicava por que a parede fora derrubada naquele momento.

Ela assistiu a um trecho do vídeo.

Não tentou decidir pelo rosto das pessoas quanto valia o luto delas. Conhecia o bastante sobre perda para saber que ninguém precisava chorar diante de uma câmera para continuar sofrendo.

O que a incomodava era a facilidade com que tudo parecia ter mudado de assunto.

Augusto lhe telefonou duas vezes naquela semana. Perguntou pelas aulas, pelo jantar e pelo tempo em Curitiba. Não mencionou o projeto nem a noite na casa.

Helena respondeu sem oferecer detalhes.

Quando ele perguntou se estava conversando com Lucas, disse que sim. Não negaria a existência de alguém só para tornar mais agradável um telefonema.

"Lembra do que combinamos", ele respondeu.

Ela lembrou.

Lembrou também de ter aceitado depois de um passeio em que se sentira capaz de agir. Agora olhava a notícia resolvida em comunicados e temia que até o resultado da aposta pudesse receber uma versão escolhida por ele.

Precisava que Lucas ficasse.

O desejo de vê-lo já não era apenas saudade. Era medo de perder a última parte da vida que ainda reconhecia como sua.

正文1

Quando ele avisou a data de volta, Helena organizou o dia para estar no aeroporto. Chegou cedo, conferiu o voo e ficou perto da saída com as mãos nos bolsos.

Lucas apareceu puxando uma mala e procurando o rosto dela entre as pessoas.

Ela levantou o braço.

O sorriso dele mudou antes que chegasse perto. Deixou a mala parada e a abraçou com uma alegria tão inteira que Helena se agarrou à camisa dele sem pensar em quem poderia estar olhando.

"Finalmente", ele disse.

Ela assentiu contra seu peito.

Lucas a beijou e perguntou se estava chorando. Helena riu, enxugando o rosto, e respondeu que talvez o ar do aeroporto fosse ruim.

"Vou reclamar formalmente."

"Não precisa. Só vamos embora."

Naquela noite, foram a uma churrascaria pequena que frequentavam antes da viagem. Helena escolheu o lugar porque conhecia os preços, as cadeiras e o modo como o funcionário deixava a água sem interromper a conversa.

Não queria ser impressionada.

Queria reconhecer alguma coisa.

Serviu Lucas, perguntou sobre cada cidade e lhe ofereceu comida até ele rir e afastar o prato.

"Você precisa jantar também."

"Estou comendo."

"Está passando tudo para mim."

Ela pegou um pedaço apenas para provar que podia.

Lucas começou a contar das apresentações. Falou com entusiasmo no começo, mas foi ficando mais sério ao mencionar as equipes que conhecera.

"Eu achava que sabia bastante. Depois vi gente fazendo coisas que nem tinha pensado em tentar."

Helena olhou para ele.

"Você não precisa ter aprendido tudo no primeiro ano."

"Eu sei. Mas às vezes parece que cheguei cedo demais num lugar onde todo mundo já sabe o caminho."

Ela segurou sua mão.

"Você criou o jardim antes de saber que alguém ia investir. Trabalhou quando ninguém estava olhando. Isso também conta."

Lucas sorriu devagar.

"Você lembra de todas as versões ruins."

"Principalmente daquela em que a personagem atravessava a parede."

"Era liberdade arquitetônica."

Helena riu e percebeu que queria continuar rindo com ele durante anos. O pensamento tornou o medo de pedir que ficasse ainda mais difícil de admitir.

Na volta, diante do prédio, demorou a soltar sua mão.

"Quer subir?"

Lucas olhou para ela, surpreso, e assentiu.

No apartamento, deixou a mala junto à entrada e lhe entregou os presentes: comida típica, um marcador de livro e uma pequena lembrança que julgara parecida com as coisas de que ela gostava.

Helena olhou tudo, agradeceu e o abraçou outra vez.

Ele acariciou seu cabelo.

"Você está diferente."

"Como?"

"Não sei. Parece que está tentando me segurar antes de eu sair de novo."

Ela fechou os olhos.

Não conseguiu negar com rapidez suficiente.

Lucas se afastou apenas para olhar seu rosto.

"Tem alguma coisa que quer me contar?"

Helena pensou na dívida, na mãe, no homem que agora conhecia cada oportunidade da equipe. Não encontrou uma frase que não destruísse o encontro inteiro.

"Senti sua falta", disse.

Era verdade.

Beijou-o antes que a pergunta seguinte chegasse. Lucas retribuiu, depois se afastou um pouco, com o rosto vermelho e um sorriso tímido.

"Você está muito carinhosa hoje."

Helena segurou sua camisa, tentando não transformar o medo numa coisa que ele pudesse ver.

"Você não gosta?"

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部