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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 46

正文开头

O irmão também sabia

Naquela noite, as luzes do Grupo Ferraz permaneceram acesas depois que os últimos funcionários dos andares inferiores foram embora.

Augusto chegou do aeroporto e entrou diretamente na sala onde André reunira os documentos do projeto. Eduardo estava sentado junto à janela. Pedro permanecia de pé, com as mãos fechadas diante do corpo.

Ninguém perguntou pela viagem.

André entregou o material e resumiu o que estava confirmado: um morto, três feridos, versões conflitantes sobre quem autorizara a demolição e uma família exigindo respostas.

Augusto leu em silêncio.

Depois olhou para o sobrinho.

"Quero ouvir você."

Pedro explicou que as negociações vinham se arrastando. A obra tinha prazos, a equipe cobrava uma decisão, e ele julgara que avançar numa construção vizinha pressionaria os moradores a concluir o acordo.

Eduardo fechou os olhos.

"Você achou que uma parede era uma forma de negociar?", Augusto perguntou.

"Não era para chegar naquela casa."

"Mas chegou."

Pedro tentou dizer que o homem aparecera durante a operação, que ninguém previra o movimento, que a situação saíra do controle muito depressa.

Augusto empurrou uma das fotografias para a frente.

"Um homem morreu. Não foi o cronograma que saiu do controle."

A frase poderia parecer indignação se não tivesse sido seguida por perguntas sobre o impacto no projeto, as responsabilidades que seriam atribuídas e o que já circulava entre investidores.

Pedro abaixou a cabeça.

"Eu sei que fiz uma merda."

"Você ainda está tratando isso como uma falha que eu vou corrigir para você."

Eduardo se levantou parcialmente e voltou a sentar. A falta de ar apareceu antes que conseguisse esconder. André trouxe água, e Augusto interrompeu a discussão para observar o irmão.

"Não precisa ficar aqui."

"Preciso saber o que aconteceu com meu filho."

"Ele está inteiro. Há outras pessoas que não estão."

Pedro olhou para o pai, mas não encontrou um gesto de absolvição. Eduardo tomou água e pediu que continuassem sem transformar a noite numa briga incapaz de resolver qualquer coisa.

André trouxe a atualização do hospital. Os feridos estavam conscientes. A família queria a presença de alguém que pudesse responder pela empresa, não apenas mensagens encaminhadas por funcionários.

Augusto chamou a equipe jurídica e os responsáveis pelo projeto.

A conversa que se seguiu não devolveu a vida perdida. Tratou de dinheiro, exposição, risco e de como controlar a situação antes que atingisse outras áreas do grupo.

Algumas propostas protegiam a empresa mais do que reparavam o dano. André anotou decisões e deixou de registrar em voz alta as partes que lhe provocavam desconforto.

Augusto usava contatos e influência com a mesma naturalidade com que requisitava um relatório. Não se apresentava como alguém fora do alcance de consequências. Agia para decidir quais delas poderiam chegar até sua família.

Eduardo escutou por tempo suficiente para concordar que os familiares recebessem apoio e que Pedro fosse afastado das decisões imediatas do projeto.

Depois precisou ir embora.

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Augusto chamou uma pessoa para acompanhá-lo até o carro e pediu que Marisa fosse avisada de que estava voltando. Eduardo agradeceu, ainda pálido, e olhou para o filho antes de sair.

"Não quero descobrir outra coisa desse jeito."

Pedro assentiu.

Quando a porta fechou, parecia mais novo do que no começo da reunião. Não por inocência, mas porque a posição que ocupava já não era suficiente para esconder o medo.

Augusto recolheu uma folha e voltou a olhar os dados.

"Depois disso, você vai passar mais tempo perto do trabalho que manda os outros fazerem."

"Como assim?"

"Conhecendo os lugares. Escutando as pessoas. Aprendendo o que acontece entre uma decisão sua e o chão onde ela cai."

Pedro apertou a mandíbula.

Não queria perder a posição, mas sabia que discutir naquela hora poderia lhe custar mais.

"Entendi."

"Não. Vai entender quando estiver lá."

André saiu para levar orientações à equipe que esperava do lado de fora. Ficaram apenas tio e sobrinho, com a cidade escura além das janelas.

Augusto perguntou se havia alguma ligação entre pessoas da operação e a família Valença. Pedro levantou o rosto rapidamente.

"Você acha que alguém fez isso de propósito?"

"Acho que não temos informação suficiente. Não transforme uma hipótese numa desculpa para o que fez."

O sobrinho assentiu, obrigado a conservar a própria responsabilidade mesmo diante de uma possibilidade conveniente.

Augusto fechou a pasta e esfregou os olhos. Pensou em Helena chegando ao apartamento, fechando a porta e encontrando algum alívio por estar longe dele.

A lembrança não o agradou.

Queria mais tempo em Curitiba, dias que não terminassem com uma urgência da empresa. Planejava mudar parte da agenda depois que o caso estivesse encaminhado.

Pedro percebeu a mudança de expressão e, procurando um assunto menos perigoso, olhou para o pequeno ferimento no lábio do tio.

"Foi ela?"

Augusto ergueu os olhos.

"Você não tem assunto melhor?"

O sobrinho sorriu com cuidado.

"Pelo jeito, minha irmã continua brava."

"Deixe Helena fora disso."

"Eu deixei. Quando precisava, ajudei. Agora estou só perguntando."

Augusto permaneceu quieto.

Pedro interpretou o silêncio como espaço suficiente para continuar. Comentou que esperara mais resistência, que Marisa parecia decidida a evitar qualquer aproximação depois da visita à casa dos avós.

"Ela mudou de ideia quando o dinheiro acabou", disse.

"Não mudou por vontade."

"Quase ninguém muda só por vontade. Você mesmo vive dizendo."

Augusto o olhou com uma frieza que retirou o sorriso de seu rosto.

Ainda assim, Pedro já tinha revelado o que Helena não sabia.

Fora ele quem aproximara Marisa de pessoas que apresentaram as oportunidades de investimento. Também incentivara a ideia de usar recursos guardados, fazendo as operações parecerem temporárias e discretas.

Os intermediários conheciam o sobrenome Ferraz. A promessa de segredo que Marisa recebera nunca significara que todos na família estavam sem informação.

Pedro sabia das dúvidas dela, dos aportes crescentes e dos bens que tentara envolver. Augusto acompanhara o bastante para escolher quando deixaria de esperar pela iniciativa da menina.

O dinheiro que agora encerrava os compromissos também não chegava como um favor surgido do nada. Fazia parte de um problema cujos caminhos eles tinham ajudado a estreitar.

"Ela vai ficar muito pior se souber", Pedro observou, já sem brincadeira.

Augusto fechou a pasta que ainda estava sobre a mesa.

"Então não faça disso mais uma coisa que você não soube cuidar."

O sobrinho abaixou os olhos.

Em Curitiba, Helena continuava pensando que tinha pedido ajuda ao único homem capaz de resolver o desastre da mãe.

Naquela sala, ninguém precisou fingir que a ajuda começara depois do desastre.

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