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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 45

正文开头

Uma pequena complicação

Quando chegaram à cidade, Augusto perguntou onde Helena gostaria de jantar.

Ela quase respondeu que em casa. O medo de ouvir outra recusa a fez olhar pela janela e indicar um restaurante que conhecia apenas de passar em frente.

Ele reduziu a velocidade.

Antes de parar, o telefone tocou.

Helena viu o nome de André na tela, mas não tentou escutar a voz do outro lado. Ficou acompanhando a expressão de Augusto, que mudou durante os primeiros segundos.

O pequeno sorriso da viagem desapareceu.

Ele escutou sem interromper, com a mandíbula tensa. Quando finalmente falou, perguntou se Pedro estava no escritório e quem já havia recebido as informações.

Helena se endireitou no banco.

Augusto pediu que os responsáveis pelo projeto estivessem disponíveis quando chegasse a São Paulo. Disse que precisava da documentação e de uma atualização sobre as pessoas levadas ao hospital.

Hospital.

A palavra trouxe um desconforto que ela não soube justificar antes de ele desligar.

"Aconteceu alguma coisa com Pedro?"

"Uma pequena complicação no projeto. Preciso voltar."

Helena olhou para ele.

"Alguém se machucou?"

"Ainda estão organizando as informações."

A resposta encerrava o assunto sem responder. Ela não insistiu, porque percebeu que ele já pensava na próxima ligação.

"Vou deixar você em casa", Augusto disse.

Helena demorou um instante para entender a permissão que chegava sem ter de conquistá-la.

"No meu apartamento?"

"Sim."

O alívio apareceu antes que pudesse escondê-lo. Augusto a olhou de lado, mas não comentou. Mudou o trajeto e avisou ao assistente que estava a caminho do aeroporto.

Quando pararam diante do prédio, Helena soltou o cinto depressa.

Ele segurou sua mão por alguns segundos.

"A aposta não muda."

"Eu sei."

"Conversamos depois."

Ela assentiu e saiu, levando a bolsa e o casaco. Conferiu o telefone e a chave antes de fechar a porta. Não queria precisar procurá-lo por nenhum objeto esquecido.

Na portaria, cumprimentou o funcionário e percebeu que a voz saía quase normal. Aquilo lhe pareceu estranho. Tinha passado o fim de semana inteiro esperando uma mudança visível em si, e as pessoas continuavam lhe oferecendo boa noite.

O apartamento estava como deixara.

A caneca sobre a pia. Um livro aberto na mesa. A roupa dobrada na cadeira. Nenhuma dessas coisas sabia que ela voltava diferente.

Helena trancou a porta e permaneceu encostada nela até conseguir respirar sem pressa.

Depois foi ao banheiro.

Tomou um banho longo, tentando retirar uma sensação que a água não alcançava. Esfregou o braço até a pele arder e parou quando percebeu que só estava acrescentando dor.

Deixou a toalha sobre a bancada e ficou olhando o espelho.

Não precisava apagar o próprio corpo para que o que acontecera deixasse de pertencer a ele. Queria acreditar nisso, embora ainda não conseguisse sentir a frase como uma certeza.

Vestiu uma roupa limpa e se sentou no sofá.

O telefone tinha uma chamada da mãe. Helena retornou porque sabia que Marisa insistiria se não recebesse notícias.

正文1

"Você está com ele?", a mãe perguntou.

"Não. Voltei para casa."

"Hoje? Pensei que ficaria até amanhã."

"Aconteceu um problema na empresa."

Marisa ficou quieta por um momento e disse que Eduardo também recebera uma ligação. Saíra preocupado, embora tentasse não explicar muita coisa a ela.

Helena olhou para o casaco sobre a cadeira.

"Você está bem, minha filha?"

Era a pergunta que esperara durante tantos dias. Agora não sabia se desejava respondê-la.

"Estou em casa."

Marisa pareceu aceitar a frase como uma tranquilização. Depois começou a falar de cuidados, da faculdade, da necessidade de não engravidar antes de ter uma posição segura naquela relação.

Helena fechou os olhos.

A mãe ainda se lembrava de que ela era estudante. Apenas não parecia considerar a possibilidade de que a estudante tivesse precisado de outra proteção, antes de chegar àquela noite.

"Estou cuidando disso", respondeu.

Não mencionou a cirurgia de Augusto. Não queria mais uma conversa sobre o que poderia tornar a situação vantajosa para ela.

Marisa aconselhou que descansasse e perguntou se tinha comido. Helena disse que comeria agora, embora não sentisse vontade.

A mãe ainda acrescentou que recebera os documentos referentes aos compromissos encerrados. Falou com alívio, dizendo que finalmente poderia dormir sem esperar uma nova cobrança.

Helena escutou até o fim.

Era a notícia pela qual tinha telefonado a Augusto. Devia sentir que conseguira alguma coisa, que o sacrifício ao menos havia cumprido o motivo apresentado.

Não conseguiu comemorar.

"Guarda esses documentos", pediu. "Não faça outro investimento só porque alguém promete que não dá errado."

Marisa respondeu que nunca mais passaria por aquilo.

Helena desejou acreditar. Queria que pelo menos a parte da mãe tivesse terminado, porque a sua continuava começando cada vez que Augusto se aproximava.

Encerrou a chamada e colocou água na chaleira.

Enquanto esperava, abriu as notícias no telefone e buscou o nome do Grupo Ferraz junto ao de Pedro. Não pretendia iniciar uma investigação. Queria saber por que uma ligação tinha retirado Augusto tão depressa de Curitiba.

Encontrou uma reportagem publicada naquela tarde.

Um homem morrera e três pessoas haviam sido levadas ao hospital depois do desabamento de uma parede durante uma ação de demolição numa área de São Paulo ligada ao projeto.

Moradores acusavam os responsáveis de avançar sem que o conflito sobre os imóveis estivesse resolvido. A empresa dizia que apurava o ocorrido.

Helena abriu a fotografia.

Entre escombros, funcionários e pessoas reunidas na rua, reconheceu Pedro de capacete, falando com alguém fora do enquadramento.

Olhou a imagem por muito tempo.

Tentou abrir outro texto sobre o mesmo caso, mas o endereço não carregou. Voltou ao primeiro e releu o título, com a sensação de que precisava conferir se a palavra morte estava mesmo ali.

Estava.

Augusto tinha chamado aquilo de pequena complicação.

Helena largou o telefone sobre a mesa e ouviu a chaleira desligar. Não se levantou imediatamente.

A facilidade com que ele tratava uma recusa, uma dívida ou uma vida interrompida parecia vir do mesmo lugar: a certeza de que poderia reorganizar as consequências até que deixassem de atrapalhar o que desejava.

O telefone começou a tocar outra vez.

Lucas.

Helena segurou o aparelho, sem atender no primeiro segundo. Precisava falar com ele sobre o programa no exterior. Precisava saber se ainda existia uma escolha que não tivesse sido preparada por Augusto.

Olhou novamente a reportagem antes de aceitar a chamada.

Não tinha deixado de querer ganhar a aposta.

Só começava a entender de quem precisaria ganhar.

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