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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 43

正文开头

Se perder, case comigo

Helena odiou o modo como a pergunta chegara.

Não era preocupação. Augusto tinha encontrado uma informação que ela desconhecia e a deixava diante daquela ausência como se ela provasse alguma coisa sobre Lucas.

"Talvez ainda não tenha nada para contar", respondeu.

"Talvez."

A concordância parecia mais uma provocação que uma possibilidade sincera. Helena pegou a bolsa e começou a procurar o carregador.

Precisava de tempo para conversar com Lucas. Precisava descobrir o que realmente existia antes de permitir que Augusto transformasse uma lista de candidatos numa escolha já feita.

"Não vou decidir nada só porque você me falou isso."

"Pode conferir."

"Eu vou."

Ele indicou o telefone.

"Não estou impedindo."

Helena o olhou com raiva. Era fácil permitir uma pergunta quando conhecia a resposta antes dela.

"Qual é a aposta?", perguntou.

Augusto se aproximou da janela, deixando espaço entre os dois.

"Se Lucas receber uma oferta para esse programa e escolher ficar, você ganha. Se aceitar ir, eu ganho. Não estou falando de uma viagem de poucos dias. Estou falando da formação fora do país."

Ela apertou o carregador nas mãos.

"E se ele nem receber a oferta?"

"Não há aposta a decidir antes disso. Estamos falando de uma escolha real, quando existir."

Helena tentou organizar o que ouvia. Havia uma forma de ganhar. Uma decisão que não dependia apenas da vontade de Augusto. Ao mesmo tempo, era ele quem conhecia as oportunidades, os parceiros e o projeto que levaria Lucas até a pergunta final.

"Você pode dar uma coisa impossível de recusar."

"Ele pode continuar dizendo não."

"E você pode pressionar o trabalho dele."

"Você acha que uma pessoa apaixonada perde toda a liberdade diante de uma proposta?"

Helena pensou no próprio telefonema e não respondeu.

Augusto pareceu perceber a contradição, mas não a comentou. Apenas aguardou, deixando que a pergunta ocupasse o lugar da defesa que ela tentava preparar.

"Se eu perder?"

Ele a olhou diretamente.

"Quando terminar a faculdade, casa comigo. E vem comigo quando eu transferir minha vida para fora do Brasil."

Helena ficou imóvel.

O casamento não era um pensamento distante colocado no fim de uma conversa. Tinha virado o preço explícito de uma possibilidade de sair.

"Você quer apostar minha vida."

"Quero que pare de tratá-la como se ficar comigo fosse perder tudo."

"Você não pode dizer isso depois de ontem."

Augusto não respondeu imediatamente. Helena percebeu o silêncio e o deixou existir, sem ajudá-lo a encontrar uma frase melhor.

Depois ele disse que esperaria sua decisão.

Helena quis aproveitar o intervalo para deixar uma coisa clara.

"Eu vou terminar meu curso. Não quero que use essa conversa para começar a escolher universidade, disciplinas ou onde devo estudar."

"Eu falei depois da graduação."

"Você fala de uma coisa e organiza outra sem me contar. Preciso dizer antes."

Augusto apoiou as mãos no peitoril, observando-a.

"Não vou tirar você da faculdade."

正文1

Ela assentiu, sem agradecer pela promessa. Terminar o curso não deveria ser uma concessão dele. Era um plano que tinha feito antes de conhecê-lo, uma parte de sua vida que se recusava a entregar junto com o resto.

Guardou o carregador na bolsa e conferiu se a chave do apartamento ainda estava ali.

"Não precisa responder agora."

Ela assentiu apenas para encerrar a conversa.

Ainda não aceitava. Precisava repetir isso para si mesma, porque o interesse pela liberdade tornava fácil esquecer que havia um risco do outro lado.

O frio a fez puxar o casaco. Augusto observou o movimento e perguntou se gostaria de tomar banho antes de saírem.

"Quero ir para o meu apartamento."

"Vamos sair um pouco primeiro. Você precisa comer."

"Posso comer em casa."

Ele pegou uma toalha e deixou sobre a cama. A gentileza organizada não respondia ao pedido, apenas criava uma atividade nova em seu lugar.

Helena ficou olhando para o tecido.

"Eu quero ficar sozinha um pouco. Você consegue entender isso?"

Augusto assentiu, mas a seguiu até o banheiro. Ela parou junto à porta.

"Sozinha significa sozinha."

Ele estendeu a mão para o rosto dela. Helena a afastou. Quando insistiu em beijá-la, ela virou a cabeça e reagiu com tanta força que ele recuou, tocando o lábio ferido.

Por um instante, os dois ficaram sem falar.

Helena não pediu desculpa.

"Não quero", repetiu.

Augusto observou a expressão dela e saiu do banheiro, levando o copo que estava sobre a bancada. Helena fechou a porta imediatamente.

Tomou banho sem pressa, embora o corpo ainda pedisse descanso. O ruído da água lhe permitiu chorar sem se perguntar se ele ouvia.

Não se sentiu melhor ao terminar.

Sentiu apenas que havia conseguido permanecer alguns minutos sem outra pessoa ao alcance de sua pele.

Quando saiu, encontrou roupas simples separadas sobre a cama. Augusto disse que André providenciara algumas peças para o fim de semana. Helena escolheu vestir a própria calça e a camisa de antes.

Ele não comentou.

No carro, ela se sentou junto à janela e abriu as mensagens de Lucas. Ainda não havia resposta àquela manhã. Provavelmente estava ocupado com uma apresentação.

Escreveu perguntando se tinham mencionado a possibilidade de estudar fora.

Não disse por que perguntava.

Ao passarem por uma rua próxima da universidade, Helena olhou para o portão e sentiu uma saudade estranha de algo que frequentara poucos dias antes.

"Você volta para São Paulo hoje?"

"Amanhã."

Ela baixou os olhos.

"Posso dormir em casa hoje? Tenho atividades para terminar. Queria descansar."

Augusto manteve o olhar no caminho.

"Pode descansar na casa. Amanhã eu levo você."

"Não pedi que me levasse. Pedi para voltar."

Ele não respondeu de imediato. Depois disse que conversariam mais tarde, quando não estivesse tão cansada.

Helena se recostou no banco, reconhecendo outra forma de dizer não sem usar a palavra.

A cidade desapareceu aos poucos, e o trajeto se prolongou. Ela não comera desde o jantar da véspera. A fome começou como desconforto e acabou numa fraqueza que lhe deixava as mãos frias.

Augusto parecia concentrado na direção e em fazer perguntas sobre o que gostaria de ver naquele dia. Ela respondeu pouco, irritada com a facilidade com que ele ignorava o que já tinha pedido.

Quando o carro parou diante de um clube, Helena olhou o prédio e soltou o cinto.

Não pretendia continuar fingindo que precisava apenas de uma distração.

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