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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 40

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Uma casa não é uma saída

O restaurante tinha janelas voltadas para um pequeno jardim iluminado.

Helena escolheu um lugar em que pudesse olhar para fora. A chuva fina desenhava linhas sobre o vidro, e uma árvore se movia quase sem som além da mesa.

Augusto pediu mais pratos do que ela conseguiria comer. Explicou algumas opções e perguntou se preferia outra coisa. Helena disse que estava bom, querendo encerrar decisões pequenas que já lhe pareciam difíceis.

Comeu algumas colheradas de sopa.

O calor ajudou. A companhia, não.

Quando o prato principal chegou, cortou a comida em pedaços menores e demorou a levar o primeiro à boca. Augusto percebeu.

"Se não consegue comer, pode parar."

"Você pediu muita coisa."

"Posso pedir para embalar o que sobrar."

Ela assentiu, mas continuou com o garfo na mão.

"Não precisa pedir desculpa por isso", ele acrescentou.

Helena ergueu os olhos.

"Eu não pedi."

"Estava quase pedindo. Conheço essa expressão."

O comentário a incomodou mais do que deveria. Não queria que ele conhecesse cada reação nem que a identificação lhe desse direito de conduzir a seguinte.

"Às vezes eu só penso antes de falar."

"Então pense no que estou dizendo. Uma refeição não precisa ser uma dívida moral. O restaurante recebe pelo serviço. Os funcionários recebem pelo trabalho. Você não precisa comer além do que quer para justificar o dinheiro."

Helena baixou o garfo.

"Para você é fácil falar assim."

"Porque aprendi a separar as coisas."

Ele falou de trocas, de recursos e do costume de atribuir culpa a necessidades comuns. Dizia aquilo com a tranquilidade de quem não precisava calcular se uma escolha deixaria faltar alguma coisa no dia seguinte.

Helena escutou.

Troca de recursos.

Se era assim que ele entendia o mundo, talvez houvesse um ponto em que pudesse declarar que a parte dela estava cumprida. Precisava descobrir qual.

"Tudo tem um valor para você?", perguntou.

Augusto pousou o copo.

"Quase tudo exige alguma coisa em troca."

"E tem um fim?"

"Depende do que estamos falando."

Ela não conseguiu continuar diante das pessoas que circulavam entre as mesas. Pediu que embalassem o restante e esperou Augusto terminar a bebida.

O garçom perguntou se gostaria de separar a sopa dos outros pratos. Helena respondeu que sim e disse que poderia levar a embalagem consigo.

Augusto começou a pedir que deixassem no carro, mas ela o interrompeu.

"Eu seguro. Não é pesado."

O homem a olhou e permitiu que terminasse a conversa com o funcionário. Helena agradeceu quando recebeu o pacote. Queria escolher pelo menos o que faria com aquela comida, sem precisar transformar a escolha numa explicação sobre gratidão.

Na saída, colocou o casaco e enfiou as mãos nos bolsos. Tocou a caixa pequena e se lembrou do que havia tentado preparar para si.

Dentro do carro, sentou-se junto à janela. Augusto se aproximou, e Helena, antes que ele escolhesse outro gesto, segurou sua mão.

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Ele olhou para os dedos dela, surpreso.

"Quer passear um pouco?"

"Não."

Ela mantinha a mão ali para tornar a proximidade previsível, para que ele não começasse a beijá-la enquanto precisava pensar. Augusto pareceu receber o gesto de outra forma.

Helena não corrigiu.

O carro deixou as ruas que reconhecia e entrou numa área residencial. Ela se endireitou ao perceber que não voltavam ao hotel.

"Para onde estamos indo?"

"Tenho uma casa aqui perto."

O coração dela apertou.

Outra casa.

Não a mesma de onde saíra, com a ajuda de Célia e os livros numa caixa. Uma nova, que não conhecia e para a qual também não pedira para ir.

Quando estacionaram, Augusto segurou a mão dela para entrar. A iluminação estava acesa, e o interior parecia ter sido preparado antes da chegada: flores, água, um cobertor dobrado sobre o sofá.

Helena permaneceu junto à entrada.

"Você já estava pensando em trazer alguém?"

"Você."

Ele falou como se fosse uma resposta capaz de agradá-la. Ela olhou a sala, a escada e o corredor que desaparecia depois da cozinha.

"Não preciso de outra casa para ficar."

"Quero que esta seja sua."

Helena se virou depressa.

"Não."

Augusto tirou o casaco dela de seus ombros, mas ela segurou a peça antes que a levasse.

"Podemos cuidar da documentação depois", ele disse.

"Eu disse não à casa. Não à data."

Ele ficou olhando para ela.

Helena apertou o tecido. Não queria começar aquela conversa tremendo, mas a promessa da mãe, de que ele poderia cansar, perdia força diante de uma sala que parecia esperando por ela.

"Eu não quero dinheiro nem imóvel. Só queria resolver o problema da minha mãe."

"E estamos resolvendo."

"Então preciso entender o restante."

Ela respirou fundo.

"Quando você achar que já foi suficiente, a gente pode terminar sem uma briga? Sem você ficar me procurando, querendo que eu volte?"

Augusto não respondeu imediatamente.

Helena aproveitou o silêncio para dizer o que vinha preparando desde o restaurante.

"Você falou de troca. Eu não quero receber mais coisas e ficar devendo cada vez mais. Não quero um presente que depois signifique que não posso ir embora."

Ele se aproximou.

"Você está tratando isso como uma conta."

"Você aceitou resolver a conta da minha mãe quando eu aceitei ficar com você. Não fui eu que inventei a relação entre as duas coisas."

Augusto observou o rosto dela, a esperança ainda presente numa pergunta que ele não desejava responder da forma esperada.

"Não estou procurando alguém para algumas noites", disse.

Helena sentiu os olhos arderem.

"Mas eu não prometi minha vida inteira."

"E eu não prometi que queria apenas uma parte."

Ela recuou um passo, com o casaco junto ao corpo.

"Você não pode mudar tudo depois que eu peço ajuda."

"Estou dizendo a mesma coisa desde o escritório."

A resposta retirou o último abrigo da interpretação que ela tentara construir. Ele avisara que queria casamento. Ela desejara que o dinheiro criasse outro limite, que uma dívida pudesse ser encerrada de modo mais simples que um sentimento.

Augusto estendeu a mão para tocar seu rosto. Helena virou a cabeça, e ele recolheu a peça que ela segurava, tentando colocá-la sobre a cadeira.

Ela agarrou o bolso por impulso.

O movimento chamou atenção.

"O que tem aí?"

"Uma coisa minha."

Augusto segurou a borda do casaco. Helena tentou puxá-lo de volta, mas ele encontrou a caixa antes que pudesse impedir.

Leu a embalagem.

O cuidado tranquilo de seu rosto desapareceu.

"Quem ensinou você a comprar isso?"

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