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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 38

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Talvez ele se canse

Marisa ficou naquela noite.

Dormiu ao lado da filha, na cama pequena, e colocou o braço sobre ela como fazia quando Helena era criança e acordava assustada. O gesto trouxe conforto suficiente para que finalmente descansasse algumas horas.

Não trouxe uma resposta diferente.

Pela manhã, enquanto guardava as coisas, Marisa sugeriu que talvez a relação com Augusto não precisasse durar para sempre. Disse que homens podiam perder o interesse depois de conseguir aquilo que desejavam tanto.

Helena olhou para a mãe.

"Você acha mesmo?"

"Ninguém sabe o futuro. Talvez ele conheça outra pessoa. Talvez você termine a faculdade e queira ir embora. O que estou dizendo é que isso não precisa ser o fim da sua vida."

A filha ouviu a possibilidade antes de perceber a tentativa de consolo. Um fim. Não um casamento, não uma mudança para o exterior. Um dia em que tudo aquilo deixaria de ser necessário.

"E se ele não quiser me deixar ir?"

Marisa fechou o zíper da bolsa.

"Vamos pensar nisso quando acontecer."

Helena baixou os olhos. Reconheceu a mesma resposta que permitira à mãe continuar investindo: depois resolveria, depois entenderia, depois encontraria uma saída.

Agora queria acreditar nela.

Na despedida, Marisa pediu que comesse e voltasse às aulas. Disse que telefonaria assim que os documentos estivessem resolvidos. Helena acompanhou a mãe até a portaria e ficou olhando o carro sair.

A rua estava molhada, sem a limpeza imaginária que ela às vezes associava a um recomeço. Um ônibus passou, espirrando água perto do meio-fio, e a padaria abria a porta para mais uma pessoa.

A vida continuava sem precisar que estivesse pronta.

Helena voltou para cima, arrumou a cama e tomou café. Decidiu ir à aula seguinte. Se permanecesse fechada no apartamento, cada hora seria preenchida pela visita de sábado.

No campus, Camila lhe emprestou as anotações dos dias anteriores e perguntou se o problema em casa melhorara.

"Estão tentando resolver."

"Se precisar que eu envie as próximas, me avisa."

Helena agradeceu e tentou acompanhar o que o professor dizia. Conseguiu prestar atenção em alguns trechos, o que lhe pareceu uma vitória pequena demais para contar a alguém.

Lucas mandava fotografias ao longo do dia.

Uma sala de apresentação. Uma refeição apressada. O céu de uma cidade onde o grupo chegara tarde. Em algumas imagens, aparecia de camisa social, orgulhoso e um pouco deslocado dentro da própria roupa.

Helena olhava todas.

Respondia pouco.

"Chegou bem?"

"Não esquece de descansar."

"Boa apresentação."

Ele começou a perguntar se estava bravo com alguma coisa que fizera. Ela dizia que não. Não era mentira, mas parecia cada vez mais difícil dizer a verdade sem revelar o que ainda tentava evitar.

Na quinta-feira, Camila a convidou para acompanhar uma compra no centro comercial.

"Preciso de alguém que não concorde só porque eu quero levar."

Helena aceitou. Precisava passar algumas horas num lugar onde os problemas viessem escritos em etiquetas e pudessem ser devolvidos ao cabide.

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Camila experimentou três casacos. O último era branco, ajustado na cintura, e custava mais do que pretendia gastar.

Girou diante do espelho e perguntou a opinião dela.

"Esse é o mais bonito", Helena respondeu. "Mas você vai conseguir pagar sem passar o mês reclamando?"

"Vou reclamar de qualquer jeito. Faz parte da experiência."

Ela riu pela primeira vez naquele dia.

Camila olhou a etiqueta e suspirou.

"Estou pensando nisso há semanas. Se deixar aqui, vou continuar imaginando como ficaria. Se levar, provavelmente uso três vezes e já começo a querer outra coisa."

Helena levantou a cabeça.

"Por quê?"

"Porque a gente deseja muito antes de comprar. Depois vira só uma coisa dentro do armário. Não acontece com você?"

Ela pensou nas palavras da mãe.

"E com pessoas?"

Camila a olhou pelo espelho.

"Como assim?"

"Você acha que alguém pode querer muito uma pessoa e, depois de conseguir ficar com ela, perder o interesse?"

A amiga se virou, com a mão ainda sobre o tecido.

A funcionária da loja se aproximou para perguntar se deveria separar o casaco no balcão. Camila pediu mais um minuto e voltou a olhar a etiqueta.

"Você pode comprar e decidir depois?", Helena perguntou.

"Dentro das condições da loja, posso trocar. Por quê?"

Helena balançou a cabeça. A facilidade de uma resposta comum lhe pareceu estranha. Desejar uma coisa, experimentar e mudar de ideia eram gestos permitidos ali. Ninguém perguntava que direito Camila tinha de deixar de gostar.

"Só queria saber", respondeu, sem conseguir explicar o que aquela possibilidade lhe fazia sentir.

"Pode. Tem gente que gosta da conquista. Mas não é uma regra, Helena. Não estou comparando namorado com casaco."

"Eu sei. Só perguntei."

Camila sorriu, tentando aliviar o que interpretava como uma insegurança comum.

"Não vai começar a imaginar coisa por causa da viagem do Lucas. Ele parece completamente apaixonado."

Helena assentiu.

Não era Lucas quem desejava ver perder o interesse.

Na cafeteria, Camila lhe trouxe uma bebida quente e começou a falar sobre os trabalhos da semana. Helena segurou o copo com as duas mãos, deixando o calor alcançar os dedos.

A ideia crescia de modo silencioso.

Talvez Augusto só tivesse insistido tanto porque ela dissera não. Talvez a recusa o tivesse feito confundir desejo com alguma coisa duradoura. Se conseguisse o que queria, poderia enfim deixá-la em paz.

Era uma hipótese, e não havia nada que a tornasse segura.

Ainda assim, Helena a guardou.

Não tinha força para enfrentar o sábado imaginando todos os anos da própria vida. Conseguia imaginar algumas semanas, alguns meses, um tempo que acabaria se ela não aceitasse mais presentes nem criasse novas obrigações.

Quando Marisa telefonou à noite, confirmou que André encaminhara os valores necessários e que as cobranças estavam sendo retiradas conforme os documentos eram conferidos.

Helena sentiu alívio por ela.

Depois sentiu raiva por precisar sentir alívio.

"Você está bem?", a mãe perguntou.

"Estou tentando."

Foi a resposta mais completa que conseguiu oferecer.

Na sexta, lavou roupa, entregou um trabalho e comprou comida para deixar na geladeira. Preparava coisas comuns como se precisasse provar que ainda morava ali.

Lucas enviou uma fotografia dos presentes que pretendia trazer na volta.

Helena abriu a imagem e fechou antes de chorar.

No sábado, separou uma calça jeans, uma camisa branca e o casaco mais discreto que possuía. Não se maquiou. Não escolheu um perfume.

Augusto queria encontrá-la.

Ela não queria parecer uma pessoa indo ao encontro que desejava.

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