"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 37
Existe outra saída, mãe
Depois da ligação, chegou uma mensagem de Augusto.
Ele estaria em Curitiba no fim de semana. Pediu que Helena o encontrasse no hotel onde tinha descansado durante o fórum e informou que André cuidaria do problema de Marisa.
Ela leu o texto até deixar de enxergar direito.
Não havia uma pergunta sobre sua disponibilidade. A resposta que dera pelo telefone parecia ter retirado essa necessidade de todas as conversas futuras.
Encaminhou apenas a parte sobre a ajuda à mãe.
Marisa respondeu com um agradecimento que Helena não conseguiu ler pela segunda vez. Colocou o telefone debaixo de uma almofada e passou a noite entre o sofá e a cama, sem encontrar um lugar em que parasse de pensar.
Pela manhã, chovia. A frente fria fazia o vidro da janela embaçar, e o movimento da padaria começava enquanto ela continuava acordada.
Avisou à universidade que não conseguiria comparecer naquele dia. Não inventou uma doença específica. Disse que não estava bem, porque era a única frase que podia escrever sem explicações.
No meio da tarde, a campainha tocou.
Helena olhou pelo olho mágico e viu a mãe segurando sacolas de mercado. Usava um casaco claro, brincos pequenos e uma expressão preocupada que lhe devolveu, num instante, a vontade de ser acolhida.
Abriu a porta.
Marisa começou a dizer que tinha vindo fazer comida. Não terminou. Helena se agarrou a ela e chorou com uma força que a fez deixar as compras no chão.
"Eu sei", a mãe murmurou, abraçando-a. "Eu sei, minha filha."
Helena não sabia o que ela pensava saber.
Mesmo assim, ficou naquele abraço.
Marisa a levou até o sofá, pegou um lenço e perguntou quando havia comido. Helena tentou lembrar e não encontrou uma resposta satisfatória.
A mãe foi para a cozinha.
Conhecia poucos objetos do apartamento, mas aprendeu depressa onde estavam as panelas, o arroz e a tábua. Perguntou se a filha ainda gostava do peixe preparado com molho de tomate e se queria o caldo de frango que fazia nas noites frias em Santa Clara.
Helena assentiu sem conseguir falar muito.
O cheiro começou a ocupar a casa. Marisa abriu a janela um pouco para ventilar a cozinha e reclamou que a faca precisava ser afiada. Eram frases comuns, de uma vida em que nenhuma visita vinha acompanhada de oito milhões de reais.
Quando se sentaram, a mãe colocou uma porção pequena no prato dela.
"Come isso primeiro. Depois você vê se quer mais."
Helena experimentou o peixe e sentiu os olhos arderem outra vez. Não estava ruim. Estava parecido demais com algo que desejava recuperar inteiro.
"Está bom?"
"Está."
Marisa sorriu com alívio e lhe serviu mais arroz. Por alguns minutos, cuidou apenas de perguntar sobre a geladeira, a alimentação e o cobertor que usava à noite.
Helena percebeu que estava com fome.
Comeu devagar, ainda chorando em silêncio. A mãe fingiu não notar cada lágrima para não tornar a refeição impossível.
Depois lavaram os pratos juntas. Marisa recusou ajuda no começo; Helena insistiu porque ficar ao lado dela, entregando utensílios para enxugar, parecia menos difícil que conversar de frente.
Foi a mãe quem mencionou Augusto.
"André me telefonou. Está encaminhando os compromissos."
Helena deixou o copo na pia.
"Já acabou?"
"Ainda tem documentos para conferir. Mas disse que posso parar de me preocupar com as cobranças por enquanto."
A filha assentiu e saiu da cozinha.
Marisa a encontrou sentada na cama, olhando para as próprias mãos.
"Eu sei que você está magoada."
"Magoada é uma palavra pequena."
A mãe se sentou ao lado dela.
"Não queria que chegássemos a isso."
Helena virou o rosto.
"Então ainda dá para escolher outra coisa."
Marisa baixou os olhos, e a filha compreendeu a resposta antes que viesse.
"Agora que ele começou a resolver, não podemos voltar atrás."
"Podemos contar ao Eduardo. Podemos admitir que erramos. Você pode decidir que não quer me entregar esse problema desse jeito."
"Entregar você? Eu nunca faria isso."
Helena respirou fundo, tentando não gritar.
"Eu disse que ele me assusta. Disse que não queria. Você pediu mesmo assim. Como quer que eu chame?"
Marisa procurou sua mão. Helena deixou que tocasse, mas não entrelaçou os dedos.
"Você está pensando só no pior. Augusto não é qualquer homem. Tem uma vida, uma posição, pode oferecer coisas que um rapaz da sua idade ainda nem imagina."
"Eu não pedi essas coisas."
"Não precisa pedir para que sejam boas."
A mãe falou da diferença de idade como algo que talvez trouxesse vantagens: experiência, estabilidade, a possibilidade de não enfrentar décadas de dificuldade. Tentou até dizer que Helena, mais jovem, teria uma vida longa e confortável depois dele.
A filha olhou para ela com espanto.
"Você está falando como se eu precisasse esperar ele morrer para ganhar alguma coisa."
"Não foi isso que quis dizer."
"Mas foi o que ouvi."
Marisa parou. A tentativa de tornar a situação aceitável havia exposto uma parte dela que preferia chamar de cuidado.
Helena se aproximou, querendo encontrar a mãe por trás daquelas palavras.
"Eu tenho namorado. Gosto dele. Eu estava feliz, mãe."
"Um namoro de faculdade não resolve tudo."
"Também não precisa resolver uma dívida que não fez."
Marisa apertou os lábios.
"Eu fiz porque tinha medo do nosso futuro."
"E agora eu preciso ter medo para você parar?"
A mãe retirou a mão e a colocou no colo. Helena viu os dedos que tinham lavado uniformes, preparado comida e segurado os seus tantas vezes. Queria saber em que momento aquelas mãos haviam deixado de parecer uma garantia.
"Você me ama?", perguntou.
Marisa ergueu a cabeça imediatamente.
"Claro que amo."
"Então por que você não consegue ouvir o que estou dizendo?"
"Eu ouço. Só não tenho uma solução melhor."
"Tem. Existe outra saída. Você só não quer escolher."
A frase ficou entre as duas.
Marisa começou a chorar também, falando da pobreza, da vergonha e da idade que já tinha. Disse que não conseguiria voltar a depender de parentes. Que Helena não conhecia tudo porque ela fizera questão de poupá-la.
Helena escutou, sabendo que aquela dor era verdadeira.
O pedido feito em nome dela também era.
"Eu não quero que você sofra", disse baixinho. "Só queria que isso não significasse aceitar o que me faz sofrer."
Marisa abraçou-a de novo.
Dessa vez, Helena permaneceu imóvel por alguns segundos antes de levantar os braços.
Ainda precisava da mãe.
Era essa necessidade que tornava impossível fingir que a visita tinha vindo apenas para lhe fazer uma refeição.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4