"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 34
Mãe, e o que acontece comigo?
Helena ficou alguns segundos sem conseguir formar uma pergunta.
O quarto ainda estava escuro, e a roupa do camping esperava dobrada sobre uma cadeira. Na véspera, discutira com Lucas se deveriam guardar primeiro os equipamentos ou comer. Agora ouvia a mãe chorar como se uma casa tivesse caído sobre ela.
"Você perdeu o quê?"
Marisa tentou explicar, mas as palavras vinham misturadas. O investimento, as amigas, a conta que subira durante meses, a certeza de que poderia retirar o dinheiro antes de acontecer alguma coisa ruim.
Disse o nome Cedro Tecnologia e contou que algumas mulheres de seu círculo tinham recomendado o investimento. No começo, os resultados pequenos pareceram confirmar tudo o que prometiam. Depois deixara de perguntar o que poderia dar errado.
Helena acendeu a luz.
"Fala devagar. Quanto foi?"
Houve uma pausa.
"Oito milhões."
Ela olhou para o telefone, como se tivesse ouvido um número de outra conversa.
"Oito milhões de reais?"
Marisa voltou a chorar.
Helena apertou o aparelho contra o ouvido.
"Você não tinha esse dinheiro. Mãe, de onde veio?"
A resposta demorou mais que a primeira.
Marisa falou das próprias economias, de presentes, de valores que conseguira reunir no começo. Depois confessou que não parara ali. Havia assumido dívidas, colocado joias em garantia e envolvido documentos de imóveis da família em operações que não tinha autorização para fazer.
"Eduardo deixava muita coisa comigo. Eu pensei que conseguiria repor antes que ele precisasse."
Helena sentiu o estômago se contrair.
"Você usou coisas dele sem contar?"
"Eu não queria tirar nada. Era por pouco tempo."
"Mas tirou."
A mãe se calou, e Helena se arrependeu do modo como dissera. Não da verdade, apenas da dureza. Havia crescido tentando aliviar o cansaço de Marisa; repreendê-la parecia uma inversão para a qual não estava preparada.
"A situação está sendo cobrada agora?"
"Começaram a ligar. Disseram que preciso acertar os compromissos. O investimento despencou, não consigo recuperar o que pus lá. Tem coisa que eu nem entendo direito nos documentos."
Helena passou a mão pelo rosto.
Não entendia aqueles documentos também. Mas sabia que esconder uma perda não diminuiria o tamanho dela.
"Você precisa contar ao Eduardo. Ele vai saber com quem falar. Vocês podem ver o que foi assinado, o que dá para recuperar."
"Não posso."
"Mãe."
"Ele está cada vez mais cansado. Está deixando quase tudo para o Pedro. Se souber que eu fiz isso, vai passar mal."
"Então conta ao Pedro primeiro. Ou pede ajuda a alguém que possa explicar sem assustar ele."
Marisa recusou de novo.
Disse que os pais de Eduardo demoraram meses para tratá-la com confiança. Que jamais aceitariam aquilo. Não seria apenas dinheiro perdido: seria a certeza de que ela entrara na casa para usar o que não lhe pertencia.
"Você não entrou para isso", Helena respondeu.
"Mas vão dizer que sim. E o que eu faço depois?"
"A gente resolve juntas."
Marisa soltou uma risada curta, sem alegria.
"Juntas como, minha filha? Você estuda. Eu não ganho mais o que ganhava. Mesmo trabalhando de novo, não conseguiria."
Helena puxou o lençol sobre as pernas.
"Podemos devolver o que sobrou. Eu tenho parte do dinheiro que mandou. Não gastei tudo."
"Isso não muda nada."
"Muda alguma coisa."
A mãe respirou com dificuldade e disse que não queria voltar a uma vida de empréstimos pequenos, empregos encontrados por favor e parentes perguntando quanto tempo ainda precisaria de ajuda.
"Eu só queria uma reserva para nós. Se Eduardo morrer, você acha que eu vou ter lugar nessa família?"
Helena ouviu o medo e o reconheceu. Era o mesmo que acompanhara as duas depois da morte de seu pai. Mas agora esse medo tinha feito Marisa atravessar limites que a filha nem imaginava.
"Você não pode tentar impedir uma perda criando outra."
"Eu sei. Agora eu sei."
O choro diminuiu. Helena pensou que finalmente chegariam ao passo seguinte: confessar, pedir orientação, aceitar a vergonha que viesse e começar a reconstruir.
Então Marisa disse o nome de Augusto.
"Você podia telefonar para ele."
Helena ficou imóvel.
"Por quê?"
"Porque tem como resolver. Essa quantia não é a mesma coisa para ele."
"Então você telefona."
"Tentei. Ele não atende."
Helena sentiu a palma ficar úmida.
"Você acha que vai atender só porque sou eu?"
Marisa demorou a responder.
O silêncio trouxe de volta o escritório, a mão beijada, o homem dizendo que um dia ela o procuraria. Helena encostou a cabeça na parede e esperou que a mãe dissesse algo capaz de separar aquela lembrança do pedido atual.
"Mãe, você sabe o que ele quer comigo?"
"Eu percebi algumas coisas."
"Quando?"
"Quando esteve com febre. Depois... pelas outras coisas. Eu não sou uma mulher que nunca viu um homem olhar para alguém."
Helena fechou os olhos.
"Por isso quis que eu mudasse de casa."
"Quis proteger você."
"E agora quer que eu volte a procurar ele."
Marisa começou a explicar que seria apenas um empréstimo. Que Augusto gostava dela e talvez, por isso, aceitasse ajudar sem levar o problema aos demais.
Helena interrompeu.
"Você está dizendo que ele gosta de mim como se isso tornasse tudo mais fácil. Para mim não torna."
"Eu não disse que precisa fazer nada."
"O que você acha que ele vai pedir?"
A mãe não respondeu.
Helena se lembrou de ter voltado da empresa sem contar a conversa. Talvez devesse ter falado. Talvez Marisa ainda imaginasse uma simpatia indevida, alguma coisa que uma filha pudesse afastar com educação.
"Ele me disse que quer namorar comigo. Que quer casar. Eu disse não. Eu estava com medo, mãe. Ele não queria me deixar sair."
O choro de Marisa ficou mais baixo.
"Por que você não me contou?"
"Achei que sair da casa dele bastava."
Helena esperou.
Agora a mãe sabia. Não poderia pedir como se fosse uma ligação entre parentes. Sabia que havia uma pessoa, uma vontade recusada e um risco que não desaparecia por receber o nome de empréstimo.
"A gente pode ir embora", Helena disse. "Eu posso trabalhar. Posso estudar de outro jeito, se precisar. Não quero que você volte a sofrer sozinha. Mas não pede isso."
Marisa respirou do outro lado.
"Eu não tenho forças para perder tudo outra vez."
"E eu?"
A pergunta saiu tão baixa que Helena precisou repeti-la.
"O que acontece comigo, mãe?"
Nenhuma resposta veio depressa. O silêncio não lhe pareceu uma falta de palavras. Pareceu uma escolha tentando encontrar um jeito de ser dita sem mostrar o que custaria.
Helena segurou o telefone com as duas mãos.
Desejou que Marisa retirasse o pedido, mesmo que depois chorassem juntas durante dias. Uma única frase bastaria: não vá, eu resolvo, você não precisa fazer isso por mim.
"Leninha", a mãe disse por fim. "Eu estou pedindo a você. Por favor."
Helena olhou para a chave do apartamento sobre o criado-mudo.
O objeto continuava sendo seu. A porta também.
Já não sabia o que restava da liberdade que sentira ao fechá-la.
"Eu vou falar com ele", respondeu.
Encerrou a chamada antes que Marisa pudesse agradecer.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4