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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 33

正文开头

Se você não mudar

Lucas mal havia guardado as compras quando o telefone tocou.

Helena estava lavando as mãos na cozinha. Ouviu a voz dele mudar, perder a brincadeira do elevador e assumir o ritmo atento que usava quando alguém da equipe fazia uma pergunta difícil.

"Agora?"

Ela fechou a torneira.

Lucas escutou por alguns segundos, passou a mão no cabelo e perguntou se a reunião poderia ser feita à distância. A resposta pareceu negativa, porque ele olhou para a mochila deixada no sofá.

"Tudo bem. Estou indo."

Helena permaneceu junto à pia.

"Você precisa sair?"

"Um representante do investimento quer conferir algumas coisas com a equipe. Chamaram todo mundo."

"Hoje? Já está tarde."

"Eu sei. Disseram que ele só tem essa janela antes de viajar."

Lucas recolheu o casaco, visivelmente contrariado. Explicou que os colegas já estavam a caminho e que não poderia deixar a parte dele sem apresentação.

Helena olhou para as embalagens de comida que Augusto deixara no corredor e que agora estavam sobre a bancada.

O intervalo entre uma visita e a ligação parecia curto demais.

"Quem é esse representante?"

"Não sei. Alguém que acompanha os resultados para o grupo."

Ela quis perguntar se conhecia Augusto Ferraz. Mas a pergunta exigiria uma explicação que não tinha oferecido antes, e Lucas já procurava as chaves do carro.

"Você está chateada?", ele perguntou.

"Queria que ficasse."

Lucas deixou a chave sobre a mesa e se aproximou.

"Eu também. Não é porque prefiro trabalho."

Helena assentiu, tentando mostrar que acreditava. Acreditava nele. O que não conseguia entender era a coincidência que o afastava justamente naquela noite.

Ele lhe deu um beijo e prometeu mandar notícias assim que saísse. Não tentou compensar a despedida com uma garantia impossível de horário.

"Amanhã eu estou no portão às nove. Com toda aquela carne que você me fez prometer carregar."

Ela sorriu um pouco.

"Pode deixar que não vou esquecer."

Quando Lucas desceu, encontrou uma mensagem do colega pedindo pressa. Entrou no carro falando ao telefone e saiu do estacionamento sem perceber o veículo parado a alguma distância da entrada.

Augusto acompanhou sua saída.

A janela de Helena continuou acesa.

Ele fez outra ligação, desta vez para André. Pediu que encerrassem a posição relacionada à Cedro na abertura da próxima semana e que o avisassem sobre qualquer contato de Marisa.

Não explicou ao assistente o que acabara de ver no corredor.

Não precisava.

Helena passou a noite entre cochilos curtos. Sonhou que procurava a chave dentro de uma bolsa sem fundo e acordou procurando o telefone no travesseiro.

Lucas avisou que a reunião terminara depois das duas. Ela respondeu, mas não contou que também estava acordada.

Na manhã seguinte, Camila olhou os dois diante da universidade e abriu um sorriso malicioso.

"Que aparência é essa?"

Helena sentiu o rosto esquentar.

"Não começa."

"Eu nem disse nada."

"Disse com a cara inteira."

Lucas explicou que havia trabalhado até tarde. Um colega confirmou, lamentando que a reunião não contasse como preparação física para a trilha.

正文1

As brincadeiras continuaram enquanto organizavam o transporte. Helena entrou no veículo ao lado de Lucas e deixou a cabeça descansar em seu ombro.

"Ainda está pensando no seu tio?", ele perguntou baixo.

Ela não respondeu imediatamente.

"Fiquei surpresa de ver ele lá."

"Mas não fez nada. Parecia só uma visita."

Helena olhou para a estrada.

Queria que a interpretação dele fosse suficiente. Desejava viver num mundo em que um homem aparecia com comida, ia embora e não continuava existindo dentro da sua noite.

Lucas apertou sua mão.

"Sua mãe sabe da gente. Eu não tenho vergonha de estar com você."

"Eu também não."

Ela fechou os olhos e conseguiu dormir um pouco.

O passeio começou num estacionamento autorizado, com o grupo conferindo a rota e as regras do camping. Não subiriam carregando um banquete até um lugar improvisado; parte das coisas ficaria na área preparada para receber visitantes.

Ainda assim, Lucas encontrou peso suficiente para reclamar de brincadeira antes do primeiro trecho.

Helena ofereceu ajuda. Ele recusou, lembrando que havia prometido.

"Prometeu carregar, não morrer tentando."

"Anotado. Vou preservar minha reputação e minha coluna."

Dividiram uma mochila menor e seguiram com os demais. Lucas parava quando ela queria fotografar uma árvore, um ponto de vista ou um pássaro que desaparecia antes que conseguisse focar.

Camila comentou que ele tinha mais paciência com fotos do que a maior parte das pessoas.

"Ela aprova duas em cada vinte", Lucas explicou.

"Porque você fotografa enquanto eu estou falando."

Ele mostrou uma imagem em que Helena ria, com o vento levantando o cabelo.

Dessa vez, ela não pediu outra.

À tarde, ajudaram a montar as barracas e preparar o jantar. Helena cortou legumes enquanto Lucas tentava convencer os colegas de que conseguia cuidar da comida sem queimar tudo.

O resultado não foi perfeito. Foi bom o suficiente para que todos comessem rindo.

Camila pediu que Helena escolhesse uma música no telefone. Ela demorou tanto que alguém ameaçou colocar a primeira que aparecesse.

Lucas estendeu a mão e a puxou para perto, sem obrigá-la a sair do banco.

"Escolhe aquela da viagem da escola."

Ela o olhou, surpresa por ele lembrar.

Quando a música começou, os dois tentaram acompanhar a letra e erraram o mesmo verso. A coincidência os fez rir, e Helena percebeu que passara algumas horas sem pensar no corredor do prédio.

Não tinha descoberto uma explicação. Tinha encontrado um lugar em que a explicação podia esperar.

Mais tarde, dentro da barraca, ficaram deitados em sacos de dormir separados, ouvindo o grupo diminuir de volume aos poucos.

Lucas segurou a mão dela entre os dois.

"Desculpa pela noite de ontem."

"Não precisa pedir desculpa outra vez."

"Preciso lembrar que não quero passar a vida adiando você."

Helena virou o rosto.

Ele falou do estúdio, de terminar a faculdade e de uma casa que poderiam escolher juntos. Não oferecia uma vida pronta. Contava o que gostaria de construir.

"Você vai continuar comigo?", perguntou.

Helena se aproximou um pouco.

"Se você não mudar, eu não mudo."

Lucas beijou sua testa, e ela adormeceu com a mão ainda na dele.

Voltaram no domingo à noite. Na segunda, sem aula pela manhã, Helena dormia quando o telefone começou a tocar.

Atendeu pensando que fosse Lucas.

Era a mãe.

"Leninha..."

A voz se desfez num choro que a fez sentar imediatamente.

"Meu dinheiro acabou. Eu perdi tudo."

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