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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 32

正文开头

O homem no corredor

Quatro meses passaram sem uma ligação de Augusto.

No começo, Helena conferia o telefone com um receio que não sabia explicar a Lucas. Depois deixou de procurar o nome dele entre as mensagens. A lembrança do escritório continuava desagradável, mas perdia a capacidade de ocupar um dia inteiro.

Aprendeu os horários da padaria, comprou uma frigideira e descobriu que uma máquina de lavar pequena podia fazer um barulho enorme. Passou a sair de casa sem preparar antes uma explicação.

Camila Rocha entrou na sua rotina quase por acaso.

Era uma das colegas com quem vinha conversando desde o início do semestre. Um trabalho em dupla virou café depois da aula, depois troca de livros e, enfim, uma amizade em que Helena não precisava se apresentar como filha de ninguém.

Camila gostava de organizar coisas. Uma delas foi um passeio de fim de semana com alunos de Letras e colegas de Lucas, num camping autorizado perto de uma área de trilhas na Serra do Mar.

A proposta nasceu na cozinha de Helena, numa noite em que as duas tentaram preparar um bolo que ficou baixo demais. Camila disse que o resultado poderia servir de mapa para uma caminhada, e Helena jogou um pano nela.

Lucas chegou depois com os ingredientes que tinham esquecido. Comeu uma fatia sem reclamar e perguntou se havia um prêmio por demonstrar lealdade.

"Outra fatia", Helena respondeu.

Camila ficou olhando para os dois até eles perguntarem o motivo.

"Nada. Estou decidindo quais amigos merecem ser arrastados para um fim de semana com vocês."

Helena protestou que não arrastava ninguém. Na manhã seguinte, já tinha recebido uma lista, uma sugestão de data e uma pergunta sobre a quantidade de barracas disponíveis.

Helena ajudou a combinar os grupos e deixou Lucas responsável por verificar os equipamentos. Ele aceitou com solenidade exagerada, prometendo que ninguém dormiria em pé nem passaria fome.

Na sexta-feira, apareceu diante da universidade com um carro que ela ainda não conhecia.

Helena ficou parada junto ao portão.

"Você comprou?"

Lucas saiu do banco do motorista com um sorriso impossível de esconder.

"Comprei. Usado, antes que comece a brigar."

Ela deu uma volta em torno do carro.

"Eu não ia brigar. Ia perguntar quanto foi."

"Isso costuma ser o começo de uma briga."

Helena riu e entrou.

Quintal de Casa tinha sido lançado depois de receber investimento e apoio de uma equipe maior. O estúdio conseguira atrair jogadores, vender recursos opcionais e remunerar os integrantes que haviam trabalhado desde o início.

Lucas ainda dividia a semana entre o curso e os projetos. Não parecia menos cansado, mas agora aquele cansaço vinha acompanhado da sensação de estar construindo algo.

Mostrou o painel do carro, comentou a revisão e disse que seria útil para reuniões e viagens curtas.

"Só não gaste tudo o que ganhar", Helena pediu.

"Guardei uma parte. Pode conferir se virar minha contadora."

正文1

"Prefiro continuar sendo namorada."

Lucas a olhou com uma alegria imediata.

"Esse cargo está reservado."

Foram jantar e depois ao cinema. Helena queria ver um filme que Camila recomendara; Lucas queria ficar perto dela, o que se tornou evidente quando tentou beijar sua bochecha durante uma cena silenciosa.

Ela virou o rosto para pedir que prestasse atenção.

"O personagem está confessando uma coisa importante."

"Eu também."

"A sua confissão pode esperar cinco minutos."

Ele levantou as mãos e ficou quieto por quase seis. Helena não conseguiu evitar o sorriso quando sentiu os dedos dele procurando os seus no apoio entre as cadeiras.

Ao sair, passaram num mercado para comprar comida para o camping. Lucas escolheu uma quantidade de carne que ela considerou suficiente para alimentar uma turma que nem iria junto.

"Você vai carregar tudo."

"Prometi."

"Não venha pedir ajuda no primeiro morro."

"Se eu pedir, você pode negar com uma expressão cruel."

Ela experimentou a expressão, e ele disse que não estava convencido.

No estacionamento, Lucas guardou as compras e demorou um pouco antes de fechar o porta-malas.

"Posso ficar com você hoje?"

Helena percebeu que não era uma pergunta sobre o espaço da sala. Sentiu o rosto aquecer, mas não desviou os olhos.

"Está perguntando para dormir no sofá?"

Ele sorriu, sem tentar transformar a resposta numa certeza.

"Estou perguntando para ficar mais tempo. O resto, você decide."

Helena tocou a mão dele.

"Pode ficar."

A frase a acompanhou durante a volta. Não havia uma promessa obrigatória nela, mas havia desejo, confiança e a liberdade de mudar de ideia sem temer uma punição.

No elevador, Lucas segurava duas sacolas enquanto ela tentava alcançar a chave na bolsa. Ele beijou seu rosto, fazendo-a rir e reclamar que derrubaria tudo se continuasse.

A porta abriu no quinto andar.

Augusto estava diante do apartamento.

O sorriso de Helena desapareceu antes que pudesse controlá-lo. Uma sacola escorregou de sua mão, espalhando um pacote de biscoitos e duas garrafas no corredor.

Ele usava um terno escuro e segurava embalagens de restaurante. Parecia ter saído de uma reunião, não de uma espera que Helena nunca autorizara.

Lucas olhou para o homem, depois para ela.

"Quem é?"

Helena se abaixou para recolher as compras. Precisava de um segundo em que ninguém visse seu rosto.

"Augusto. O irmão do meu padrasto."

Lucas imediatamente deixou uma das sacolas no chão para ajudá-la.

"Desculpa. Não sabia. Boa noite, senhor."

Augusto olhou para a mão dele junto à de Helena.

"Boa noite."

Ela se levantou, segurando o pacote amassado. Lembrou-se de que contara à mãe sobre Lucas no mês anterior e de que Marisa não fizera objeção. Não precisava esconder o namoro.

Também não precisava explicar por que estavam ali juntos.

"Você não avisou que vinha", disse.

"Estive na cidade a trabalho. Trouxe algumas coisas para você comer."

Lucas ofereceu que entrasse. Helena sentiu o corpo ficar rígido, mas Augusto recusou antes que tivesse de dizer qualquer coisa.

"Tenho outro compromisso."

Colocou as embalagens junto à porta e se dirigiu ao elevador. Ao passar por ela, olhou para o chaveiro que segurava.

"Vejo que se adaptou bem."

Helena não respondeu.

A porta do elevador fechou, e ela conseguiu finalmente respirar.

No carro, Augusto ficou olhando para a janela do quinto andar até a luz acender. Depois ligou para o responsável que intermediava as relações com o estúdio.

"Quero a equipe reunida hoje."

O homem mencionou o horário.

"Hoje", Augusto repetiu.

Não retirou os olhos da janela enquanto esperava a confirmação.

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