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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 31

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Uma vida fora da casa dele

Augusto não se moveu quando Helena passou pelo sofá.

Ela avançou devagar, tentando não demonstrar o medo de sentir outra mão em seu pulso. Alcançou a porta e segurou a maçaneta antes de olhar para trás.

Ele continuava junto à mesa.

"Eu vou embora."

Nenhuma resposta.

"Espero que você não faça mais nada que me deixe assim."

Augusto observou o rosto dela, os lenços amassados numa mão, a bolsa vazia na outra. A vontade de detê-la atravessou seu corpo, mas não se transformou num movimento.

Havia outras formas de manter uma pessoa perto.

Helena girou a maçaneta.

"Talvez um dia você me procure", ele disse.

Ela parou.

"Talvez me peça para ficar com você. Se esse dia chegar, não espere que eu faça a mesma conversa de hoje."

Helena sentiu o frio alcançar as costas. Não havia ternura naquela possibilidade. Era uma promessa de que sua recusa ficaria guardada para ser cobrada depois.

"Esse dia não vai chegar."

Abriu a porta e saiu.

André levantou-se imediatamente. Viu os olhos vermelhos, mas não perguntou o motivo. Ofereceu-se para acompanhá-la até o elevador e trouxe uma sacola com as camisas de Pedro.

Helena aceitou a sacola porque tinha ido buscá-la, porque não sabia o que fazer com as mãos, porque precisava de uma coisa comum para terminar uma visita que deixara de ser comum.

"O motorista continua esperando", André disse.

"Obrigada."

Ela entrou no elevador e ficou olhando para os números descerem. Quando a porta fechou completamente, encostou as costas na parede e respirou pela boca.

O pulso doía menos que a vergonha.

No carro, disse à mãe que já estava voltando. Não falou sobre a conversa. Se começasse pelo telefone, talvez não conseguisse terminar sem chorar, e não queria que o motorista soubesse mais uma coisa sobre sua vida.

Ao chegar, entregou as roupas e foi direto lavar as mãos.

Marisa a procurou no quarto alguns minutos depois. Helena já tinha trocado de roupa e se preparava para dormir.

"Demorou muito?"

"Um pouco."

"Aconteceu alguma coisa?"

Helena olhou para ela. Quase contou. Mas se lembrou da promessa do apartamento e pensou que uma saída já estava sendo organizada. Talvez bastasse ir embora e nunca mais ficar sozinha com Augusto.

"Quero voltar para Curitiba logo."

Marisa assentiu sem insistir. Tocou o cabelo da filha e disse que começariam a procurar o imóvel assim que ela chegasse.

Dois dias depois, Helena estava diante de uma corretora, ouvindo explicações sobre condomínio e horários de visita.

Escolheu entre apartamentos menores que o quarto onde tinha vivido. Em um deles, a janela da sala dava para árvores e uma padaria. A universidade ficava a uma distância que poderia percorrer de ônibus ou a pé quando não chovesse.

Havia portaria, uma cozinha simples e espaço para uma mesa.

Helena gostou antes de conhecer o banheiro.

Ligou para a mãe e mostrou cada canto, tentando parecer prática. Marisa aprovou a localização e pediu que conferisse as condições do contrato com a corretora.

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Depois transferiu sessenta mil reais.

Helena olhou a notificação duas vezes.

"Mãe, eu precisava de menos de vinte mil para o que combinamos. Por que mandou tudo isso?"

"O restante é para suas coisas. Uma cama boa, livros, alimentação. Não quero que fique preocupada."

"Mas de onde veio?"

Marisa respondeu com uma alegria que não combinava com a preocupação dos últimos dias.

"Estou investindo. Aprendi com umas amigas. Tenho tido resultados muito bons."

"Você tem certeza de que não está arriscando demais?"

"Comecei com pouco. Não sou irresponsável, Helena. Esse dinheiro é meu. Não precisei pedir ao Eduardo."

A filha se calou, receosa de parecer ingrata justamente quando a mãe ajudava a realizar o que tanto desejava.

"Obrigada", disse.

Marisa recomendou que comprasse panelas decentes e não tentasse sobreviver de sanduíches. Helena prometeu e, depois da ligação, voltou a olhar o apartamento vazio.

Não era uma casa de revista.

A corretora mostrou o inventário dos móveis e perguntou se ela queria incluir uma escrivaninha que estava guardada no depósito do proprietário. Helena pediu uma foto antes de responder.

A mesa tinha riscos numa das laterais e uma gaveta que não fechava completamente. Era estreita o suficiente para caber junto à janela.

"Eu quero", disse.

"Posso pedir que arrumem a gaveta."

"Pode. Mas não precisa trocar a mesa inteira."

Assinou os papéis depois de ler com a corretora as datas, os pagamentos e as condições da vistoria. Quando recebeu a chave, experimentou o movimento na porta duas vezes.

Não havia nada extraordinário no metal. Ainda assim, guardou o chaveiro no bolso com um cuidado que a profissional percebeu e respeitou sem fazer perguntas.

Era uma casa em que podia deixar uma toalha esquecida no sofá sem pensar em quem cobraria uma explicação.

Conseguia respirar melhor ali.

Recolheu as coisas na antiga casa numa tarde em que Célia a ajudou a separar livros e caixas. A funcionária parecia triste, mas não tentou convencê-la a ficar.

"Se precisar de alguma coisa, pode me ligar."

Helena a abraçou.

"Você foi muito gentil comigo."

"Cuide de você, menina."

Deixou a chave física de emergência no lugar indicado e pediu que removessem seu acesso por impressão digital. Célia disse que encaminharia o pedido a quem cuidava da casa.

Helena saiu sem levar vestidos que não considerava seus nem a caixa da joia vermelha, devolvida no fim do fórum. Levou a roupa de festa escondida na gaveta, os cadernos e o casaco de Lucas.

No novo apartamento, ele ajudou a montar uma estante que veio com parafusos demais e instruções de menos. Riram do resultado torto até conseguir corrigir uma prateleira.

Ao anoitecer, Helena fechou a porta com a própria chave.

Pela primeira vez em meses, não telefonou para Augusto.

Em São Paulo, André entrou no escritório com um relatório de investimentos.

Seu chefe escutou a atualização sobre a posição mantida numa empresa chamada Cedro Tecnologia. Pediu que ampliassem a exposição e que continuassem acompanhando as movimentações relacionadas a Marisa.

André hesitou apenas antes de confirmar.

"Ela está aumentando os aportes", informou.

Augusto assentiu.

Não perguntou pelo novo endereço de Helena. Já o tinha.

Deixou o telefone sobre a mesa e voltou ao trabalho, disposto a esperar até que a vida fora de sua casa deixasse de parecer suficiente.

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