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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 30

正文开头

Eu não gosto de você

"Eu não gosto de você."

Helena disse a frase olhando diretamente para Augusto, embora as lágrimas continuassem caindo. Não queria que ele encontrasse naquela voz qualquer coisa que pudesse transformar em timidez.

"Não desse jeito. Não quero namorar você. Não quero casar com você."

Ele observou seu rosto por um instante e baixou os olhos para o pulso que ainda segurava.

"Está me machucando", ela acrescentou.

Augusto soltou.

Helena se afastou imediatamente, levando a mão direita para trás do corpo. Esfregou a pele contra a calça sem perceber que ele acompanhava o gesto.

"Não precisava fazer isso", disse, olhando para a marca no braço.

"Você estava tentando sair antes de me ouvir."

"Porque não queria ouvir. Isso também é uma resposta."

Augusto se levantou e foi até a mesa. Helena aproveitou a distância para pegar uma caixa de lenços. Puxou vários de uma vez, irritada com o choro que não conseguia controlar.

Era absurdo. Ela tinha levado uma refeição, acreditando que voltaria em poucos minutos. Agora estava num sofá, com os olhos ardendo, tentando convencer um homem de que não desejava ser a esposa dele.

"Pode esquecer o que disse?", perguntou, num último esforço. "A gente finge que essa conversa nunca aconteceu. Eu vou embora e você volta a me tratar como antes."

Augusto encostou na mesa.

"Você acabou de pedir que eu não tratasse você como antes."

Helena apertou os lenços.

"Então me trate com respeito. Deve existir alguma coisa entre mandar em mim e querer casar comigo."

Ele olhou para ela com um interesse que a deixou ainda mais revoltada. Parecia apreciar o fato de finalmente ouvir tudo, como se o medo fosse apenas uma maneira diferente de mantê-la conversando.

"O que assusta tanto você? A idade?"

"Também."

"Vinte anos não tornam uma relação impossível."

"Não tornam uma relação desejável para mim."

"Existem casais com diferenças maiores."

"Eu não sou esses casais."

Ele soltou o ar pelo nariz, quase sorrindo. Helena sentiu a vontade infantil de jogar a caixa de lenços nele, mas segurou o objeto no colo.

"Minha mãe tem quarenta e cinco. Você está muito mais perto da idade dela que da minha."

"Sua mãe é mais nova que meu irmão."

"Cinco anos. Não vinte."

"Você sabe contar."

"Você também. Então pare de fingir que é igual."

O silêncio seguinte lhe deu um pouco de coragem. Augusto não gritava, não parecia perto de perder o controle, mas a insistência dele continuava ocupando todo o espaço.

Helena respirou fundo.

"Você conheceu uma menina num casamento e decidiu que ela serve para a sua vida. Não perguntou o que ela queria. Não perguntou se já gostava de alguém. Só começou a organizar coisas."

"Você gosta de alguém?"

A pergunta veio rápida demais.

Ela pensou em Lucas e no telefone guardado na bolsa. Queria proteger o nome dele daquela conversa. O homem à sua frente já tinha resolvido um problema na polícia com uma ligação; poderia decidir criar outro com a mesma facilidade.

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"Não é esse o assunto."

"É uma pergunta simples."

"E eu não preciso responder para você aceitar que não gosto de você."

Augusto ficou quieto, e Helena se surpreendeu com a própria firmeza. A frase havia saído inteira, sem uma desculpa antes ou depois.

Ele mudou de direção.

Falou das vantagens que poderia oferecer: conforto, proteção, a possibilidade de estudar sem preocupação financeira, viajar, escolher onde morar. Disse que não esperava que ela abandonasse o curso nem se transformasse numa acompanhante permanente de eventos.

"Você teria tempo para descobrir o que quer fazer."

"Eu já estava descobrindo. Antes de você começar a decidir por mim."

Augusto descruzou os braços.

"Não quero que passe pelas dificuldades da sua mãe."

"Minha mãe sofreu porque perdeu meu pai e ficou sozinha. Não porque escolheu amar uma pessoa que não era rica."

A resposta a fez chorar de novo. Havia dias em que a saudade do pai chegava com uma força que não parecia diminuir. Não suportava vê-la usada como argumento naquela sala.

"Não fale deles para justificar isso."

Augusto assentiu, mas continuou dizendo que poderia formalizar garantias patrimoniais se chegassem a se casar. Não pediu que acreditasse apenas numa promessa; advogados cuidariam dos documentos, ela teria segurança mesmo se ele morresse antes.

Helena olhou para ele, incrédula.

"Eu pedi para ir embora e você está explicando o que acontece se eu ficar viúva."

Pela primeira vez, Augusto pareceu não ter uma resposta pronta.

Ela aproveitou.

"Você não sabe nem se eu gosto de acordar cedo. Como decidiu que a gente vai viver junto?"

"Eu sei que você não gosta."

Helena franziu a testa.

"Todo estudante reclama disso. Não significa que você me conhece. Eu tenho mau humor. Deixo roupa em cima da cadeira. Como coisas que você não comeria. Às vezes nem quero conversar."

"Nada disso me incomoda."

"Você não pode aceitar todos os meus defeitos só porque ainda não está convivendo com eles."

"Posso descobrir."

"Eu não quero ser a sua experiência."

Augusto se afastou da mesa e deu um passo na direção dela. Helena levantou a mão imediatamente.

"Fica aí."

Ele parou.

"Está bem."

A obediência tardia não a tranquilizou por completo. Ainda assim, permitiu que se levantasse sem se encolher contra o sofá.

"Você diz que gosta de mim. Então devia se importar quando eu digo que estou com medo."

"Eu não quero que tenha medo."

"Mas tem feito coisas que me assustam. Não muda só porque a sua intenção é outra."

Augusto baixou os olhos para a marca no pulso dela. Helena recolheu o braço antes que ele se aproximasse para tocar novamente.

"Não é preciso decidir tudo hoje", ele disse.

"Eu decidi."

"Você nem me deu uma chance."

Ela balançou a cabeça, cansada.

"Namorar não é uma vaga que eu tenho de oferecer a qualquer pessoa interessada. Preciso querer também. Você quer. Eu não."

Ele permaneceu imóvel.

Helena pegou a bolsa vazia do chão e colocou o telefone no bolso. As mãos ainda tremiam, mas agora havia uma resposta que não pretendia alterar para tornar a despedida mais fácil.

"Não vou dizer sim só para você parar de me pedir."

Olhou para a porta.

Dessa vez, começou a andar sem pedir licença.

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