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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 29

正文开头

Não quero ser seu tio

Naquela tarde, antes de Helena chegar, Augusto atendera a ligação de Marisa numa sala ao lado da reunião.

Ela começara agradecendo. A casa, a ajuda no fórum, a atenção durante a febre. A lista parecia prepará-la para pedir algo que não queria dizer sem uma proteção.

"Gostaria que Helena morasse mais perto da universidade."

Augusto olhara para o documento em sua mão.

"Ela reclamou de alguma coisa?"

"Não. Mas é uma moça, Augusto. Precisa do próprio espaço."

"O espaço que tem lá é maior do que o de qualquer apartamento estudantil."

Marisa ficara alguns segundos em silêncio.

"Você entende o que estou tentando dizer."

Ele amassara uma dobra do papel com o polegar.

"Talvez seja melhor dizer claramente."

A voz dela mudara. Não ficara mais alta; perdera apenas o cuidado de parecer uma conversa sobre distância e aluguel.

"Helena respeita você como alguém da família. Eu preciso que essa relação continue tendo limites."

Augusto permanecera quieto, ouvindo.

"Ela acabou de começar a vida adulta. Se não percebeu alguma situação, não significa que essa situação seja apropriada. Eu sou a mãe dela. Quero poder confiar nas pessoas a quem a entreguei."

O papel se fechara na palma dele.

"E Eduardo?"

"Concorda que ela more perto da faculdade. O restante desta conversa fica entre nós. Espero que não seja necessário levá-lo a mais ninguém."

Marisa não ameaçara com firmeza suficiente para fazê-lo duvidar da última frase. Mas havia ali uma decisão que ele não esperara receber daquela mulher: tentava conservar o casamento e afastar a filha ao mesmo tempo.

"Vamos encontrar um lugar seguro", ela acrescentara. "Não estou desprezando o que fez. Só pedindo que respeite o que ela precisa."

Augusto respondera que entendia e encerrara a ligação.

O documento amassado ficara no cesto antes que voltasse à reunião.

Agora, diante dele, Helena segurava um guardanapo com a mesma cautela com que a mãe escolhera as palavras.

"Eu gostaria que você parasse de falar assim", disse.

Augusto não respondeu de imediato.

Ela continuou antes que a coragem desaparecesse.

"Como se eu só pudesse fazer as coisas porque você deixa. Eu agradeço o que fez por mim, mas não pedi que escolhesse toda a minha vida."

Ele recostou-se no sofá.

"Toda a sua vida?"

"O lugar onde moro. Com quem saio. A hora em que tenho de atender. A roupa que posso usar. Talvez você ache que são coisas pequenas, mas são minhas."

Helena percebeu a própria voz tremer e odiou a sensação. Não queria parecer indecisa só porque estava com medo.

"Você se preocupa comigo porque é meu tio. Eu entendo. Só queria que essa preocupação parecesse... uma coisa de família."

"Eu não sou seu tio."

Ela levantou a cabeça.

"Você é irmão do meu padrasto. Minha mãe pediu que chamasse assim."

"Sua mãe pediu muitas coisas. Isso não muda quem somos."

Helena pensou no casamento, na mão oferecida sobre a mesa, no constrangimento de aprender um sobrenome novo para a própria família. Não havia escolhido aquele parentesco, mas fora ensinada a confiar nele.

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"Então por que deixou que eu chamasse você assim?"

"Era o que deixava você confortável."

"Deixava porque eu entendia uma coisa completamente diferente."

Augusto não negou. A ausência de uma correção lhe deu a primeira certeza de que não estava interpretando mal uma simples gentileza.

O olhar dele permaneceu sobre ela, sem o disfarce de uma bronca. Helena sentiu a resposta chegar antes que ele a dissesse.

Pegou a bolsa vazia.

"Eu preciso ir."

"Não terminei."

"Eu terminei de comer."

Augusto se levantou. Helena acompanhou o movimento com os olhos, buscando a porta atrás dele.

"Não temos sangue em comum. Eu não acompanhei sua infância. Conheci você no casamento da sua mãe, quando já tinha dezoito anos."

Ela balançou a cabeça, recusando a direção da conversa.

"Não é disso que estou falando."

"Mas é disso que você tem medo. De um nome colocado entre nós."

Helena se levantou também.

"Tenho medo de você não me escutar."

A frase fez Augusto ficar quieto por um segundo. Depois ele avançou, e ela se moveu para o lado, procurando uma passagem que não exigisse atravessar o corpo dele.

"Podemos ter outra relação, Helena."

"Não."

"Pode me ouvir antes de responder?"

"Não quero ouvir isso."

Ela caminhou até a porta. Antes de alcançar a maçaneta, Augusto segurou seu pulso. A bolsa caiu junto à perna dela, e Helena tentou puxar a mão de volta.

"Solta."

"Só um minuto."

"Eu não pedi um minuto. Pedi que soltasse."

Ele a conduziu de volta ao sofá, ignorando a resistência. Helena ficou em pé junto ao assento, com o braço preso e o rosto quente de vergonha.

"Você pode gritar quando eu terminar", ele disse. "Pode sair e contar a todos o que quiser. Mas escute."

Ela olhou para a porta fechada. Não sabia se alguém ouviria. Sabia que as pessoas do outro lado trabalhavam para ele.

Essa certeza a assustou mais que a força no pulso.

Augusto falou sobre o futuro como se estivessem analisando uma proposta já aceita: poderiam namorar, esperar que ela terminasse o curso, casar. Ele planejava concentrar parte dos negócios fora do Brasil e deixar Pedro à frente da operação daqui.

"Ninguém precisaria decidir por nós."

Helena soltou uma risada curta, atravessada pelo choro.

"Você está decidindo por nós agora."

"Estou mostrando que existe um caminho."

"Eu não quero esse caminho."

Ele a fez sentar e se abaixou diante dela. Helena tentou recolher as duas mãos, mas Augusto continuou segurando a direita.

"Você acha que eu faria tudo o que fiz sem sentir nada?"

Ela olhou para o homem que a buscara na polícia, que enxugara suas lágrimas, que lhe dera um quarto e depois exigira notícias todos os dias.

Os gestos não desapareceram. Mudaram de significado ao mesmo tempo.

"Eu achei que você estivesse ajudando", respondeu.

Augusto levou a mão dela à boca e beijou sua pele antes que pudesse afastá-la.

Helena puxou o braço com força.

"Eu gosto de você, Leninha", ele disse. "Não percebeu ainda?"

As lágrimas começaram a cair.

Ela pensou no beijo de Lucas, escolhido sem pressa no aeroporto, e naquela mão agora presa entre as de um homem que esperava receber gratidão por lhe explicar o próprio desejo.

Quis esfregar a pele até apagar o contato.

Não havia mais uma dúvida para alimentar em silêncio.

Augusto não queria cuidar dela como alguém da família.

Queria que ela fosse dele.

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