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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 28

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Se eu não deixasse você ir

A reunião terminou antes do horário que André estimara.

Helena ouviu vozes no corredor e se levantou imediatamente. Augusto entrou primeiro, ainda falando com Pedro sobre prazos de um projeto imobiliário. O sobrinho o acompanhava com a atenção cautelosa de quem tentava evitar uma repreensão.

"Quero os documentos revisados antes de apresentar qualquer compromisso", Augusto disse.

"A equipe está cuidando disso."

"A equipe responde a você."

Pedro assentiu e só então olhou para Helena.

A mudança foi rápida. O rapaz sério do corredor se deixou cair no sofá, sorriu e apontou para a bolsa térmica.

"Minha irmã veio salvar minha noite."

Helena segurou a alça.

"Seu pai pediu que trouxesse."

"O efeito continua sendo o mesmo. Abre para mim?"

Ela quase respondeu que as mãos dele funcionavam perfeitamente. Mas Augusto já a observava, e a vontade de encerrar logo a visita venceu.

Abriu a bolsa e colocou os recipientes sobre a mesa baixa. Separou os talheres, identificou o caldo e deixou a sobremesa de lado.

Pedro estendeu as pernas para alcançar melhor a comida. Augusto tocou o pé dele com o sapato, indicando que se sentasse direito.

"Você não está sozinho aqui."

"Estou em família."

"Então se comporte melhor."

Pedro riu, mas endireitou o corpo. Helena se afastou da mesa e pegou a bolsa vazia.

"Pronto. Eu vou buscar as roupas e voltar."

Augusto retirava o paletó quando levantou o rosto.

"Você já jantou?"

"Comi em casa."

Pedro olhou para o relógio, divertido.

"O jantar começou quando você saiu. Meu pai me contou."

Helena sentiu as orelhas esquentarem.

"Comi alguma coisa antes."

"Alguma coisa não é jantar", Augusto disse.

Ela apertou a alça, procurando uma resposta que não prolongasse aquilo. Ter fome parecia, de repente, um erro usado contra ela.

André entrou com a refeição adicional e começou a organizá-la. Augusto lhe pediu que verificasse o cardápio disponível para Helena, mas ela interrompeu.

"Não precisa pedir outra. Eu como um pouco do que trouxe. Tem bastante."

Pedro olhou para o próprio prato.

"Estão confiscando meu jantar?"

"Você não precisa de três porções", Augusto respondeu.

O sobrinho ergueu as mãos e ofereceu um dos recipientes, ainda sorrindo. Helena escolheu a menor porção de arroz e legumes, convencida de que levaria menos tempo que discutir.

Avisou à mãe que comeria antes de voltar.

Marisa respondeu com uma pergunta sobre Augusto, mas Helena já havia colocado o telefone na bolsa para pegar os talheres. Só viu a tela acender sem ler o texto.

Pedro comeu depressa. Falou sobre o trabalho e perguntou se Helena estava melhor do resfriado. Ela respondeu com frases curtas, tentando não se tornar parte daquela conversa de tio e sobrinho.

Quando ele terminou, se levantou e recolheu o telefone.

"Tenho mais umas coisas para resolver. As camisas ficam com André. Obrigado pela entrega."

Helena também começou a se levantar.

"Eu posso ir com..."

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"Você ainda não terminou", Augusto observou.

Pedro olhou para os dois, abriu um sorriso pequeno e saiu antes que ela pudesse completar a frase.

A porta fechou sem pressa.

Helena voltou a se sentar. A sala pareceu mudar de tamanho, embora nenhum móvel tivesse saído do lugar.

Augusto pegou o copo de água, mas não continuou comendo. Ela baixou os olhos para o prato e tentou terminar sem falar.

O telefone vibrou dentro da bolsa, mas Helena não o pegou. Pensou que provavelmente fosse Marisa querendo saber se já descia. Poderia responder em poucos minutos, quando estivesse no elevador.

Augusto percebeu o som.

"Pode atender."

"É só uma mensagem."

"Está esperando alguém?"

Ela apoiou a colher no prato e levantou os olhos.

"O motorista. Você sabe que ele está esperando."

Augusto assentiu sem parecer contrariado. Ainda assim, Helena teve a impressão de que cada resposta correta apenas adiava uma pergunta mais difícil.

Comeu outra colherada, já sem sentir o gosto. O alimento chegara quente, mas o ambiente ao redor dela tinha ficado frio.

"Sua mãe telefonou hoje à tarde."

A colher parou perto da boca.

"Falou que vocês estão procurando um apartamento em Curitiba."

Helena engoliu errado e começou a tossir. Colocou a colher sobre o prato, procurando o copo, enquanto Augusto lhe entregava um guardanapo.

"Devagar. Ninguém vai tirar a comida de você."

Ela aceitou o papel, irritada por estar tão visivelmente nervosa. A tosse demorou a passar, e ele aguardou sem desviar os olhos.

"É perto da universidade", explicou quando conseguiu falar.

"A casa também fica num lugar seguro."

"Eu sei."

"Célia cuida de tudo. Você não tem aluguel, não precisa se preocupar com manutenção."

"Eu sei disso também."

Augusto encostou o copo na mesa.

"Então por que quer sair?"

Helena dobrou o guardanapo entre os dedos.

As razões eram simples quando conversava com Lucas: ir a pé para as aulas, receber amigos, deixar um livro aberto na sala, passar um domingo sem avisar ninguém. Diante de Augusto, cada uma parecia precisar enfrentar uma objeção antes de existir.

"Quero aprender a morar sozinha."

"Você já mora sozinha."

"Na sua casa."

Ele sustentou o olhar dela.

Helena recolheu a mão que tremia e a colocou sob a mesa. Não queria que ele confundisse medo com dúvida. A decisão era sua, mesmo que ainda lhe faltasse coragem para defendê-la direito.

"Minha mãe concordou. O Eduardo também."

"Você já está chamando meu irmão de pai?"

Ela demorou a entender por que ele trouxera aquilo.

"Hoje eu chamei."

"Ele deve ter ficado feliz."

"Ficou."

Augusto assentiu, mas sua expressão não ficou mais leve. Helena pensou que aquele seria o fim do assunto e começou a fechar a tampa do recipiente.

Ele colocou a mão sobre a borda, sem tocar nela.

"Não precisa se assustar por causa de uma pergunta. Eu não disse que impediria a mudança."

Helena olhou para a mão dele e esperou que a retirasse.

"Eu não estou assustada."

"Não?"

A delicadeza da voz piorava tudo. Ela podia ouvir a própria respiração e o ruído distante de alguém andando do lado de fora.

Augusto inclinou ligeiramente a cabeça.

"Pense um pouco, Leninha. Se eu realmente não quisesse que você fosse embora, acha que estaria arrumando as malas?"

O nome que sua mãe usava para acolhê-la soou como uma chave girando.

Helena pousou o recipiente com cuidado.

Pela primeira vez, entendeu que ele não discutia o endereço.

Discutia quem tinha o direito de decidir por ela.

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