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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 27

正文开头

A gentileza que a fez ficar

O elevador abriu num andar onde o silêncio parecia custar dinheiro.

Helena saiu segurando a bolsa térmica com as duas mãos. Havia uma recepção menor, algumas poltronas e uma parede de vidro que refletia a cidade escurecendo lá fora.

André a esperava junto à porta.

"Boa noite, Helena. Como está se sentindo?"

Ela sorriu com o alívio de reconhecer alguém.

"Melhor. Você também trabalha até essa hora?"

"Hoje, sim."

Não havia reclamação na resposta, mas Helena olhou para a pasta que ele carregava e imaginou quantas outras perguntas teria de responder antes de ir para casa.

Estendeu a bolsa.

"Eu trouxe o jantar do Pedro. Você pode entregar? Não precisa me acompanhar. O motorista está esperando."

André baixou os olhos para os recipientes, depois olhou para ela. A solução seria simples demais. Helena cumpriria o favor, voltaria à família e não passaria pela sala em que seu chefe já sabia que ela aguardaria.

"Claro", respondeu. "Mas queria pedir uma ajuda, se não for incômodo."

Ela recolheu a bolsa antes que ele a segurasse.

"Pode pedir."

"Pedro deixou algumas roupas aqui. Com as reuniões dos últimos dias, ninguém conseguiu mandar para casa. Você poderia levá-las na volta?"

Helena olhou para a pasta outra vez.

"As roupas dele ficaram para vocês resolverem?"

André não confirmou nem negou. Apenas disse que algumas camisas precisavam ser encaminhadas para lavar e que as separariam em poucos minutos.

Helena sentiu uma indignação pequena, mas sincera. Trabalhar na empresa de uma família não devia significar cuidar das peças esquecidas por um filho adulto daquela família.

"Eu levo. Não precisa mandar ninguém sair por causa disso."

"Obrigado. Por aqui."

Ela o acompanhou, pensando que, se Pedro ainda reclamasse do jantar, poderia aproveitar para devolver as camisas diretamente nas mãos dele.

No andar inferior, uma conversa avançava em outro ritmo.

A funcionária que a recebera avisou num grupo informal que a filha da esposa de Eduardo estava no prédio, trazendo comida para Pedro. A informação foi suficiente para transformar uma noite cansativa em assunto novo.

Alguém perguntou se os dois se davam bem. Outra pessoa escreveu que tinha visto Marisa no refeitório e que ela agradecia até quando lhe entregavam um copo de água.

Vieram comentários sobre a beleza da menina, o casamento de Eduardo e a sorte de entrar numa família tão rica. Um funcionário sugeriu uma história romântica entre os novos irmãos; outro lembrou que não se inventava esse tipo de coisa sobre gente que podia demiti-los.

Não houve fotografia. Bastou a imaginação.

Enquanto isso, Helena atravessava mesas ocupadas sem entender os olhares rápidos que recebia. Algumas pessoas levantavam a cabeça ao ouvir seus passos e voltavam às telas com uma velocidade estranha.

Ela imaginou que a bolsa de comida chamava atenção.

"Estou atrapalhando?", perguntou baixo.

"Não. Pode ficar tranquila."

André abriu uma porta ao fim do corredor e indicou o sofá. Helena entrou, observando apenas o necessário para escolher onde deixar a bolsa.

正文1

O escritório era amplo, com móveis claros, uma mesa quase vazia e uma janela que fazia o chão parecer suspenso sobre São Paulo. O estilo lembrava a casa em Curitiba: poucos objetos, nenhum canto em que alguém pudesse deixar uma coisa por acidente e esquecê-la.

Ela conhecia aquela ausência de desordem.

"Essa é a sala do Augusto?"

"Sim."

Helena permaneceu em pé.

"Eu vim procurar o Pedro. É melhor esperar na sala dele."

André deixou a pasta sobre uma mesa lateral.

"Os dois estão na mesma reunião e costumam comer aqui quando o trabalho se prolonga. Por isso trouxe você para este espaço."

"Mas ele sabe que eu estou aqui?"

"A recepção avisou sua chegada."

A resposta não esclarecia qual dos dois tinha sido avisado. Helena percebeu a dúvida, mas ficou constrangida de exigir uma explicação que poderia soar como medo de um parente.

"Se preferir, posso levá-la à outra sala", André acrescentou. "Fica depois da área de projetos. Só preciso verificar se está disponível."

Ela olhou para o corredor cheio de pessoas e para a pasta deixada sobre a mesa. O assistente já devia ter coisas demais para fazer.

"Não precisa. Eu espero um pouco."

André assentiu, como se aquela fosse uma decisão inteiramente dela.

"Quer água?"

"Não, obrigada. Só as roupas, quando conseguir."

"Vou providenciar."

A porta fechou.

Helena se sentou na ponta do sofá e enviou outra mensagem à mãe. Explicou que esperava a reunião acabar para levar algumas coisas de Pedro. Marisa respondeu perguntando onde estava.

Ela olhou para a mesa, hesitou e escreveu que estava no andar da diretoria.

Não contou o nome na porta.

Talvez a mãe ficasse preocupada à toa, pensou. Talvez não houvesse motivo para se preocupar. A insistência em encontrar uma explicação tranquila a deixou mais inquieta que o próprio silêncio.

O telefone vibrou com uma mensagem de Lucas. Ele queria saber se o irmão simpático já havia recebido o experimento alimentar.

Helena respondeu que o experimento ainda estava na fase de espera.

Depois guardou o telefone no bolso, para não parecer distraída caso alguém entrasse. Alisou a calça nos joelhos e conferiu se a bolsa estava fechada.

Do lado de fora, André pediu uma segunda refeição.

O jantar preparado em casa tinha vindo para Pedro. Seu chefe não gostaria de observar o sobrinho comendo algo trazido por Helena enquanto ficava sem nada diante de si.

A solução deveria chegar antes que o problema se tornasse visível.

Um colega se aproximou para perguntar quem era a visitante.

"Filha da Marisa Duarte", André respondeu. "A esposa do Eduardo."

"Então é irmã do Pedro?"

"Por parte da nova família."

O homem sorriu, satisfeito por ter uma informação para levar aos demais. André encerrou a conversa pedindo um relatório e seguiu para a sala de reuniões.

Ao passar pela porta do escritório, ouviu um pequeno movimento do lado de dentro.

Helena havia se levantado para olhar a vista, mas voltou ao sofá antes que alguém pudesse encontrá-la perto da mesa.

André parou apenas o tempo necessário para conferir uma mensagem do chefe.

"Ela está esperando?"

"Sim. No seu escritório."

Enviou a resposta e guardou o aparelho.

Helena continuava acreditando que esperava por algumas camisas.

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