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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 26

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Era só uma entrega

Na casa de Eduardo, Helena conhecia melhor o caminho entre a entrada e o quarto do que o restante dos cômodos.

Depois de voltar da propriedade dos avós, passou a tarde descansando. Marisa apareceu com frutas, perguntou mais de uma vez se a cabeça doía e insistiu para que guardasse o casaco que estava sobre a cadeira.

"Não vou esquecer", Helena prometeu.

"Você sempre diz isso. Depois telefona perguntando onde deixou alguma coisa."

A reclamação era tão conhecida que Helena sorriu sem se sentir criticada. Marisa abriu a mala, encontrou espaço para a peça e aproveitou para olhar as roupas que a filha trouxera.

"Esse vestido é novo?"

"Foi para o fórum."

"E você gostou?"

Helena pensou nos sapatos, nos cabelos presos, na sensação de ser uma pessoa ligeiramente diferente cada noite.

"É bonito. Só não tenho onde usar."

Marisa fechou a mala sem comentar o dinheiro envolvido. Perguntou se preferia visitar apartamentos pela internet primeiro ou pedir a uma imobiliária que separasse opções.

Helena ergueu o rosto imediatamente.

"Você estava falando sério?"

"Estava."

"Perto da universidade?"

"Vamos ver o que é possível. Não precisa ser enorme. Precisa ser um lugar bom para você morar."

A filha concordou tão depressa que Marisa sentiu outra vez o peso da casa oferecida por Augusto. Não disse nada. Pegou o telefone e anotou o nome de um bairro que Helena sugeriu.

Não prometeu resolver naquele dia. A cautela bastou porque agora a filha enxergava uma ação concreta, pequena, começando a existir.

Quando Marisa saiu, Helena chamou Lucas por vídeo.

Ele apareceu com o cabelo desalinhado e uma folha cheia de anotações na mão. Perguntou primeiro pela febre. Só depois quis contar que a equipe marcara uma reunião para organizar a apresentação aos investidores.

"Você tem que dormir também", Helena disse.

"Dormirei depois de conquistar o mundo."

"O mundo pode esperar até amanhã."

Lucas deixou a folha sobre a mesa e aproximou o rosto da câmera.

"Você está usando meu casaco?"

Ela puxou o tecido até o queixo, fingindo pensar.

"Talvez tenha encontrado sozinho dentro da mala."

"Ele sempre quis uma vida melhor."

Helena riu, depois contou sobre a possibilidade de mudar de casa. Não falou das perguntas da mãe, porque nem ela entendia por que Marisa parecia tão preocupada.

Lucas escutou com atenção.

"Você quer?"

"Muito."

A sinceridade a surpreendeu. Não precisou explicar o tamanho da casa nem listar tudo que havia recebido antes de reconhecer o próprio desejo.

"Então eu ajudo a carregar as caixas", ele disse.

"Você nem sabe onde vai ser."

"Caixas continuam sendo caixas em qualquer bairro."

Conversaram sobre uma mesa perto da janela, uma estante pequena e um sofá usado que talvez fosse suficiente. Helena imaginou coisas simples com uma felicidade que não sentira diante dos vestidos e das joias.

Alguém bateu à porta.

Ela abaixou o volume do telefone e pediu a Lucas um momento. Eduardo estava do outro lado, segurando uma lista de números impressa e usando os óculos de leitura.

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"Posso entrar?"

"Pode, pai."

A palavra saiu menos difícil da segunda vez. Eduardo sorriu de novo, mas respeitou a naturalidade que ela tentava construir.

Perguntou se ainda estava cansada. Helena respondeu que melhorara, embora não tivesse vontade de sair para passear. Ele assentiu e ficou olhando para o papel.

"Queria pedir uma ajuda. Mas, se não estiver disposta, eu arranjo outra pessoa."

"O que foi?"

"Pedro vai trabalhar até tarde. Disse que não conseguiu sair para comer e que está cansado daquela comida pedida por aplicativo. A cozinha preparou umas coisas. Você poderia levar para ele?"

Helena olhou para o horário.

"No escritório?"

"Isso. O motorista leva você e espera. É só entregar e voltar."

Não parecia um pedido difícil. Pedro fora desagradável, mas também a buscara no aeroporto e levara a mala. Talvez uma pequena gentileza permitisse conviver sem transformar cada encontro numa defesa.

"Posso levar."

Marisa apareceu antes que Eduardo terminasse de agradecer.

"Eu vou", disse imediatamente.

Helena se virou para ela.

"Você estava preparando as coisas para amanhã. Eu já estou melhor."

"Ainda precisa descansar."

"Passei a tarde deitada. E vou de carro."

Eduardo pareceu perceber a tensão sem compreender sua origem.

"Não é necessário nenhuma das duas ir. Podemos mandar com o motorista."

Marisa agarrou a possibilidade.

"É melhor."

Helena sentiu vergonha de ter transformado um favor simples num assunto tão discutido. Não queria que Eduardo pensasse que recusava ajudar o filho dele, nem que a mãe tivesse de interromper tudo para demonstrar gratidão em seu lugar.

"Eu vou, mãe. Só entrego e volto. Você não precisa fazer todas as coisas por mim."

Marisa olhou para a filha e perdeu a resposta que poderia explicar sua insistência.

Não tinha contado o que vira no corredor. Não havia perguntado diretamente a Augusto quais eram suas intenções. Impedir uma entrega sem dizer o motivo faria Helena desconfiar de um perigo que ela própria ainda tentava medir.

"Me liga quando chegar", pediu.

"Ligo."

Eduardo agradeceu e saiu para avisar à cozinha. Marisa permaneceu mais um instante, verificando se a filha levaria um agasalho e repetindo que o motorista poderia subir caso ela se cansasse.

Helena concordou com tudo.

Voltou à chamada e encontrou Lucas ainda esperando.

"Vou levar comida para o Pedro."

"O irmão simpático?"

"Esse mesmo. Talvez fique menos desagradável de estômago cheio."

Lucas desejou boa sorte com a experiência científica e prometeu mandar notícias mais tarde. Helena desligou sorrindo, trocou a roupa por uma calça confortável e guardou o telefone no bolso.

Na cozinha, recebeu uma bolsa térmica com recipientes identificados. A cozinheira explicou qual continha sobremesa e pediu que não inclinasse muito o pote de caldo.

Helena repetiu a instrução, segurando a bolsa como se transportasse algo delicado.

O prédio do Grupo Ferraz estava iluminado quando o carro parou.

Ela olhou para os andares altos e imaginou Pedro trabalhando entre mesas, telas e pessoas que sabiam exatamente o que faziam. Apesar do cansaço, sentiu curiosidade. Talvez um dia tivesse um trabalho com horário de saída, colegas que reclamassem do trânsito e um salário que lhe permitisse escolher o próprio endereço.

Pediu ao motorista que esperasse e entrou.

Na recepção, explicou que trazia uma refeição para Pedro Ferraz. A funcionária levantou os olhos ao ouvir o sobrenome e perguntou como deveria anunciá-la.

"Helena Duarte. Sou... da família."

A pausa lhe pareceu desnecessária depois que já tinha acontecido. A recepcionista telefonou, escutou uma resposta e indicou o balcão de identificação.

"Pode subir. Vão receber você lá em cima."

Helena olhou para a bolsa.

"Não posso deixar aqui? Eu só vim entregar."

"Pedem que leve diretamente. O elevador fica à direita."

Ela enviou uma mensagem à mãe, dizendo que chegara, e recebeu um cartão de acesso provisório.

O portão de vidro se abriu quando aproximou o cartão.

Helena passou, ainda pensando que demoraria apenas alguns minutos.

Atrás dela, a recepcionista voltou ao telefone para confirmar que a visita já estava subindo.

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