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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 24

正文开头

A porta que a mãe viu abrir

Marisa sentou-se junto à cama e afastou o cabelo da testa da filha.

Helena abriu os olhos, procurando sua mão antes de perguntar se o almoço tinha terminado. Estava mais abatida que uma hora antes, com a voz baixa e uma sede que a fazia olhar repetidamente para o copo.

"Bebe devagar", a mãe disse, ajudando-a a se sentar.

O gesto era antigo. Helena fechou os olhos ao sentir a palma de Marisa entre os ombros. Por alguns segundos, a casa enorme desapareceu e ela voltou a ser a menina que acordava doente sem precisar descobrir sozinha o que fazer.

"Você vai ficar comigo?"

"Vou. Pode dormir."

Helena segurou os dedos dela.

"Aqui mesmo?"

Marisa olhou para a cama larga, depois para a cadeira.

"Fico aqui um pouco. Se precisar sair, volto para ver você."

Não era exatamente a resposta que a filha desejava, mas havia conforto suficiente nela para que relaxasse. Marisa ajeitou o lençol e perguntou se gostaria de tomar um caldo mais tarde.

"Se você ficar, eu tomo."

"Está negociando comida comigo?"

Helena sorriu sem abrir os olhos.

Marisa permaneceu até a respiração dela ficar mais regular. Depois soltou a mão com cuidado e respondeu a uma mensagem de Eduardo.

Ele perguntava se estava tudo bem e avisava que ia descansar no quarto deles. Não pedia que ela fosse imediatamente. Ainda assim, Marisa levantou-se.

Havia pouco tempo de casamento. Ela conhecia os horários dos remédios, os sinais de cansaço do marido e o modo como ele tentava disfarçar uma falta de ar para não preocupá-la. Também conhecia sua própria ansiedade quando alguém da casa percebia Eduardo sozinho.

Queria cuidar da filha.

Queria continuar sendo indispensável ao homem com quem construía uma vida nova.

Na porta, voltou para conferir o copo, a água e o telefone. Pediu à funcionária que a chamasse se Helena precisasse de alguma coisa.

Quando a filha acordou outra vez, o quarto já estava escuro.

Chamou pela mãe sem levantar a voz. Ninguém respondeu.

Helena tateou o criado-mudo, encontrou o telefone e viu uma mensagem de Marisa dizendo que estava no quarto ao lado do corredor, com Eduardo. Bastava chamar.

Digitou que estava com sede, mas apagou antes de enviar.

O copo se encontrava ao alcance da mão. Não precisava acordar a mãe por causa disso. Bebeu alguns goles e tentou voltar a dormir, incomodada pela sensação de que o corpo continuava quente enquanto os pés pareciam frios.

Mais tarde, ouviu a porta.

Por um momento, acreditou que Marisa voltara.

"Mãe?"

"Sou eu."

A voz de Augusto atravessou o sono antes que ela conseguisse entender por que ele estava ali. Havia pouca luz, vinda do corredor e de uma luminária acesa junto à parede.

Ele perguntou como se sentia.

"Quente."

"Já olharam a temperatura?"

Helena tentou lembrar. O médico, a mãe, alguém com uma bandeja. Os acontecimentos se confundiam, e a pergunta lhe pareceu difícil demais.

正文1

Augusto tocou sua testa e buscou o termômetro deixado sobre a mesa. Ela colaborou sem discutir, cansada de sustentar a própria cabeça.

Quando ele lhe ofereceu água, pediu que chamasse Marisa.

"Ela está descansando com seu padrasto."

Helena fechou os olhos. Não era uma explicação que desejasse ouvir, mas estava sem forças para transformar o desejo numa insistência.

Augusto a ajudou a se apoiar nos travesseiros. O copo chegou à boca dela, e Helena bebeu devagar, interrompendo quando precisou respirar.

"Chega", murmurou.

Ele colocou o copo no criado-mudo e permaneceu perto demais.

Helena sentiu um contato breve na boca, estranho ao cuidado que esperava. Virou o rosto imediatamente, ainda sem organizar o que acontecera.

"Mãe..."

Augusto se afastou. Ela não abriu os olhos o bastante para ver a expressão dele. O cansaço a puxava de volta, e o episódio ficou preso naquele espaço incerto entre acordar e sonhar.

Ele não havia pedido permissão. Ela não estava em condições de oferecê-la. O quarto continuou silencioso depois do gesto, mas a ausência de protesto não o tornava menos indevido.

Augusto puxou a cadeira para junto da cama e esperou.

Na madrugada, uma funcionária bateu à porta para perguntar se deveria chamar Marisa. Ele disse que já acompanhava a temperatura e que a avisaria se necessário.

A mulher entrou, conferiu a bandeja e saiu.

Augusto ficou até a febre começar a baixar. Helena dormia de modo irregular, às vezes chamando a mãe, às vezes procurando água com a mão. Ele respondia, ajudava e voltava à cadeira.

Ao amanhecer, Marisa acordou antes de Eduardo.

Pegou o telefone e não encontrou novas mensagens da filha. Por um instante, sentiu alívio. Depois se lembrou da promessa de voltar e levantou sem fazer barulho.

No corredor, ouviu o movimento de uma maçaneta.

A porta do quarto de Helena abriu.

Augusto saiu com o paletó dobrado sobre o braço e a camisa ligeiramente amarrotada. Parou ao vê-la, sem demonstrar surpresa suficiente para tranquilizá-la.

Marisa olhou para ele, depois para o quarto.

"Você estava aí?"

"Ela teve febre durante a noite."

"Podia ter me chamado."

"Você estava com Eduardo."

As mesmas palavras que poderiam justificar qualquer cuidado lhe soaram diferentes naquele momento. Marisa se lembrou da insistência em levar Helena para Curitiba, da casa oferecida, dos telefonemas, da intervenção no almoço.

Tudo se aproximou de repente.

"Eu sou a mãe dela", disse.

Augusto a observou sem recuar.

"Eu sei."

Marisa apertou o telefone até sentir a borda contra a palma. Queria perguntar o que fizera ali, por que tinha ficado, quem lhe dera o direito de ocupar aquele lugar.

O nome de Eduardo a impediu de falar como gostaria.

O marido dormia a poucos metros. A casa inteira pertencia à família dele. Ela não tinha uma certeza que pudesse dizer em voz alta sem abrir uma porta que talvez não conseguisse fechar depois.

"Da próxima vez, me chame", pediu, com uma firmeza que quase não reconheceu.

Augusto assentiu, mas seu olhar permaneceu sobre ela por mais um segundo antes de seguir pelo corredor.

Marisa entrou no quarto da filha.

Helena estava dormindo, com o cabelo espalhado no travesseiro e a mão junto ao rosto. O copo havia sido reabastecido. A toalha estava dobrada. Tudo parecia cuidado.

A mãe sentou-se ao lado dela e, pela primeira vez naquela casa, sentiu medo justamente daquilo que antes chamara de proteção.

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