"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 22
Atrás do irmão errado
Pedro estava junto à saída quando Helena chegou.
Ela quase passou por ele. O homem do jantar usava agora uma camiseta escura e segurava as chaves do carro, sem a expressão cuidadosamente polida que adotara diante dos convidados.
"Esqueceu que tem família?", perguntou.
Helena ajustou a alça da mochila.
"Não. Achei que você fosse mandar um motorista."
"Eu também. Mas meu pai pediu que viesse pessoalmente."
Ele estendeu a mão para a mala. Helena hesitou e entregou apenas a bagagem maior, mantendo a mochila junto ao corpo.
"Não vou roubar suas coisas."
"Eu não disse que ia."
Pedro a observou por um instante, depois seguiu em direção ao estacionamento. Ela caminhou atrás, tentando controlar uma tosse que insistia em aparecer nos momentos menos convenientes.
No carro, ele diminuiu o ar-condicionado sem comentar. Helena agradeceu, e Pedro respondeu com um gesto vago.
Ficaram alguns minutos em silêncio.
"Seu namorado não veio junto?"
O coração dela acelerou.
"Você está perguntando porque sabe alguma coisa ou porque quer inventar?"
Pedro soltou uma risada curta.
"Essa foi melhor que as respostas do jantar."
"As perguntas continuam ruins."
Ele olhou de lado antes de mudar de faixa.
"Pode relaxar. Não vim fazer interrogatório. Meu pai quer um almoço sem problemas. Estou tentando colaborar."
Helena preferiu olhar para a janela. A cidade ia ficando para trás, substituída por avenidas largas e, depois, por vias cercadas de árvores.
"Minha mãe falou de uma casa. É longe?"
"Dos meus avós? Um pouco."
"Achei que a gente fosse para a casa do Eduardo primeiro."
"Todo mundo já está lá."
Ela passou a mão pela testa. Tinha imaginado que haveria uma pausa, um banho, alguns minutos com a mãe antes de conhecer outras pessoas. Agora chegaria diretamente, com a roupa amassada e o corpo começando a doer.
Pedro percebeu o movimento.
"Você está mesmo doente?"
"Resfriada."
"Meu tio perguntou três vezes se eu tinha chegado."
Helena virou o rosto.
"Ele está lá?"
"É a casa dos pais dele."
"Eu sei. Só pensei que tivesse trabalho."
Pedro não respondeu, mas havia uma diversão desagradável no canto da boca. Helena decidiu não oferecer mais nada a ela.
Quando passaram pelo portão, precisou disfarçar a surpresa.
A casa não parecia apenas grande. Havia espaço antes dela: jardins, árvores antigas, uma curva no caminho e funcionários que sabiam para onde cada carro deveria ir. O prédio principal tinha uma varanda longa, paredes claras e janelas que deixavam ver uma sala onde muitas pessoas poderiam conversar sem precisar se ouvir.
Pedro estacionou junto à entrada lateral.
"Fecha a boca antes de sair."
Helena olhou para ele, ofendida.
"Eu só estava olhando."
"Vai ter bastante tempo para olhar."
Ela abriu a porta sozinha e retirou a mochila. Não pediu ajuda para descer, embora as pernas parecessem menos firmes que na chegada ao aeroporto.
Eduardo apareceu na varanda antes de qualquer outra pessoa.
"Finalmente. Como foi a viagem?"
Helena sorriu com alívio. A voz dele tinha uma gentileza que não exigia adivinhar o que viria depois.
"Foi boa. Obrigada por buscar... por pedir para me buscarem."
"Pedro precisava sair um pouco de casa."
"Estou sendo elogiado pelas costas?", o filho perguntou, levantando a mala.
Eduardo riu e chamou Marisa. Ela veio depressa, beijou o rosto da filha e imediatamente encostou a mão em sua testa.
"Você está quente."
"É porque fiquei andando."
"Andando de onde até aqui?"
Helena não conseguiu inventar uma resposta convincente.
A mãe pediu que levassem a bagagem para um quarto e já começava a falar sobre chá quando Augusto saiu da sala. Ele parou junto a Eduardo e olhou para Helena de um modo que a fez endireitar as costas.
"Você disse que era só um resfriado."
"E é."
Ele se aproximou e levantou a mão para verificar sua temperatura. Helena recuou por impulso, esbarrando no braço de Pedro, que ainda segurava a mala.
Ela ficou atrás dele antes de perceber o que fizera.
Pedro abaixou os olhos para ela.
"Agora sou uma proteção portátil?"
Helena quis desaparecer.
"Eu não... só estou cansada."
Augusto permaneceu com a mão suspensa por um breve instante. Depois a abaixou e olhou para o sobrinho.
"Pode levar a mala."
"Já estava levando."
Pedro se moveu, e Helena perdeu o abrigo improvisado. Marisa segurou sua mão, percebendo apenas o desconforto de uma filha doente diante de muita gente.
"Vamos entrar. Você precisa sentar."
Augusto voltou a se aproximar, mas dessa vez Helena manteve o rosto voltado para a mãe. Ele tocou rapidamente sua testa, com um cuidado que não apagava o fato de ela ter tentado evitar o gesto.
"Chamem o médico", disse.
"Não precisa disso tudo", Helena protestou.
Eduardo respondeu antes de Augusto.
"Não é trabalho nenhum, minha querida. Se for só um resfriado, melhor ter certeza e deixar você tranquila."
Ela assentiu porque aquela formulação não lhe dava vontade de discutir.
Marisa a levou pelo corredor. A casa cheirava a madeira encerada e comida pronta. Helena avistou uma senhora sentada junto à janela, mas a mãe disse que fariam as apresentações depois, quando estivesse melhor.
No quarto, tirou o casaco de Lucas e o dobrou cuidadosamente sobre a cadeira.
Marisa percebeu que não era uma peça da filha.
"De quem é?"
"De um amigo. Eu estava com frio."
A mãe pareceu querer perguntar mais, mas Pedro apareceu à porta com a bagagem e interrompeu a conversa.
"Precisa de mais alguma coisa, irmãzinha?"
Helena reconheceu a provocação e decidiu respondê-la.
"Que você pare de me chamar assim."
"Você prefere senhor Ferraz? Já está usando com meu tio."
"Prefiro Pedro."
Ele riu, satisfeito por conseguir irritá-la, e encostou a mala à parede.
"Tudo bem. Mas meu pai vai gostar se perceber que a gente se entende. Pode me chamar de irmão na frente dele."
"Então se comporte como um."
Marisa soltou uma risada surpresa. Pedro ficou olhando para Helena por um segundo, depois levantou as mãos e saiu.
Ela se sentou na cama, sem energia para apreciar a pequena vitória.
No corredor, Augusto tinha ouvido a última parte da conversa.
Não entrou.
A confiança necessária para responder ao sobrinho lhe desagradou mais do que a recusa silenciosa que Helena acabara de oferecer a ele.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4