标题上

"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 21

正文开头

Só mais um pouco com você

Lucas chegou com uma flor amarela e um casaco amarrado à cintura.

Helena o viu do outro lado da rua e sorriu antes que ele conseguisse terminar o aceno. Depois de três dias andando conforme agendas alheias, aquela figura conhecida parecia uma saída que alguém abrira só para ela.

"A árvore não coube no ônibus", ele disse, entregando a flor.

"Ainda bem. Eu não saberia o que fazer com ela no avião."

Lucas pegou a mochila dela sem transformar o gesto numa pergunta e imediatamente perguntou se podia carregar. Helena riu da ordem atrapalhada.

"Pode."

Foram ao zoológico numa manhã fria, escolhida porque nenhum dos dois queria começar o encontro dentro de uma sala. O céu estava nublado, mas a previsão prometia algumas horas sem chuva.

Helena segurou a flor durante o trajeto inteiro.

Lucas tentou fotografá-la junto à entrada. Ela se escondeu atrás do papel que envolvia o caule, e a primeira foto saiu com metade do rosto coberta.

"Essa vai ser a sua lembrança oficial?"

"É a foto de uma moça que não confia no talento do namorado."

Ele disse namorado com uma satisfação que a fez levantar os olhos.

"Você está gostando muito dessa palavra."

"Esperei bastante para poder usar."

Helena parou de esconder o rosto. Lucas tirou outra foto, dessa vez sem fazer piada, e mostrou a tela para que ela aprovasse antes de guardar.

Caminharam devagar, discutindo qual animal parecia mais disposto a ignorar visitantes. Ela escolheu um felino que dormia de costas para todos. Lucas disse que se identificava com aquela dedicação ao descanso.

"Você dormiu quatro horas ontem", Helena observou.

"O jogo não se programa sozinho."

"E o programador precisa continuar vivo."

Ele levantou as mãos em rendição e comprou dois cafés numa lanchonete. Quando Helena espirrou pela terceira vez, deixou de fazer graça.

"Você está resfriada?"

"Só um pouco. Acho que o ar do hotel estava forte."

"Podíamos ter escolhido um lugar fechado."

"Eu quis vir."

Lucas lhe ofereceu o casaco. Ela recusou primeiro, depois aceitou quando uma rajada de vento passou pelo banco.

O tecido era comum, macio de tanto uso. Helena enfiou as mãos nos bolsos e encontrou uma embalagem de bala e uma nota amassada. A intimidade banal daqueles objetos lhe deu vontade de rir.

"Seu armário está dentro disso?"

"Meu sistema de organização é avançado demais para ser explicado num encontro."

Ela encostou o ombro no dele.

Durante alguns minutos, ficaram vendo crianças tentarem convencer os pais de que ainda não estavam cansadas. Helena desejou ter aquela dificuldade simples: pedir mais uma volta, mais um sorvete, mais tempo antes de ir embora.

Lucas tirou o telefone do bolso e mostrou uma mensagem da equipe.

"Eu ia esperar o almoço para contar, mas não consigo."

"O que aconteceu?"

"Chamaram a gente para uma apresentação. Tem um grupo interessado em investir."

Helena se virou inteira para ele.

正文1

"No jogo?"

"No projeto e na equipe. Ainda não está fechado. Precisamos organizar a documentação, discutir o que eles esperam... mas é a primeira vez que alguém fala disso sem ser só uma ideia distante."

Ele explicou tão depressa que precisou voltar ao começo. Um professor avisara que a universidade fora procurada depois do fórum. A avaliação seria feita por representantes de uma estrutura de investimentos; Lucas ainda não sabia quem tomaria a decisão final.

Helena segurou o copo com as duas mãos.

"Depois do fórum?"

"Parece que o reitor comentou nosso trabalho com algumas pessoas. Suas perguntas chegaram na hora certa."

Ela pensou em Augusto sentado à mesa e na atenção com que escutara o nome de Lucas.

"Você sabe o nome do grupo?"

"Só recebi o contato da equipe técnica. Tenho que confirmar tudo com o professor."

Lucas voltou a falar sobre contratar ajuda, terminar a versão de testes e aprender a mostrar o jogo sem abrir todos os arquivos errados. Estava tão feliz que Helena não quis interrompê-lo com uma suspeita que não sabia justificar.

Talvez fosse simplesmente o resultado de um trabalho bom.

Talvez uma coisa boa pudesse acontecer sem esconder uma cobrança.

Ela apertou a mão dele.

"Você merece."

Lucas ficou sério por um instante.

"Se der certo, quero levar você para conhecer lugares de verdade. Não só os que consigo desenhar numa tela."

"Eu gostei do jardim."

"O jardim fica."

Almoçaram num restaurante simples. Helena comeu menos do que esperava, irritada com o nariz entupido e com o cansaço que começava a ocupar o corpo.

Quando Lucas ofereceu trocar o prato porque ela não parecia gostar, respondeu que não era uma criança. Arrependeu-se no mesmo instante.

Ele recolheu a mão sem se ofender.

"Eu sei. Também sei que gente adulta pode não gostar do almoço."

Helena baixou os olhos.

"Desculpa. Estou ficando chata."

"Está ficando resfriada. São coisas diferentes."

Ele roubou uma batata do prato dela, e Helena roubou duas do dele para compensar. A pequena disputa devolveu alguma leveza ao encontro.

Mais tarde, dividiram uma sobremesa. Lucas ficou com creme na ponta do nariz, e ela demorou a avisar, divertindo-se com a solenidade de uma explicação sobre o projeto feita daquele jeito.

Quando ele finalmente percebeu, aproximou o rosto para pedir ajuda. Helena limpou com um guardanapo e lhe deu um beijo rápido na bochecha.

Ele ficou quieto por alguns segundos.

"Vou derrubar mais coisas no rosto."

"Vai ganhar só o guardanapo da próxima vez."

O telefone dela tocou quando já estavam saindo.

Augusto perguntou se chegaria a tempo do voo. Helena disse que sim e tossiu antes de terminar.

"Está doente?"

"É só um resfriado."

"Quem está com você?"

Ela olhou para Lucas, que segurava a mochila e esperava sem tentar ouvir a conversa.

"Estou acompanhada."

"Dê notícias quando embarcar. Vou pedir a Pedro que não se atrase."

A ligação terminou, mas o peso dela permaneceu. Lucas perguntou se havia algum problema em casa. Helena negou e estendeu a mão para ele.

No aeroporto, encostou a testa no ombro do namorado enquanto aguardavam a abertura do embarque. Não queria que a despedida consumisse as últimas horas, mas parecia já ter começado desde o primeiro aviso de viagem.

"Queria ficar mais um pouco", disse.

"A gente vai ter outros dias."

Ela assentiu, desejando ter a mesma certeza.

Guardou a flor dentro de um livro para proteger as pétalas durante o voo. Lucas acompanhou o movimento com um sorriso e a beijou antes de deixá-la entrar.

Foi um beijo que começou devagar, com os dois atentos ao gesto do outro.

Helena levou aquela lembrança consigo até São Paulo.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部