"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 19
Um jardim só para ela
Helena ficou alguns segundos olhando para a porta.
Poderia chamá-lo e perguntar como sabia. Mas já ouvia os passos se afastando, e a perspectiva de prolongar a conversa da cozinha lhe pareceu insuportável.
Talvez Célia tivesse comentado que a luz do quarto ficava acesa. Talvez sua mãe soubesse por alguma mensagem enviada tarde. Helena encontrou explicações suficientes para deixar o incômodo quieto, sem conseguir fazê-lo desaparecer.
Lucas mandou um arquivo de atualização do jogo.
"Testa antes de dormir? Prometo que não vai dar trabalho."
Ela se sentou na cama e abriu Quintal de Casa.
O pequeno cenário ainda lembrava os terrenos das casas antigas de Santa Clara: um portão simples, árvores frutíferas, vasos que o jogador podia escolher e um banco junto à parede.
Lucas modificara algumas cores desde a última versão. O céu estava menos brilhante, a sombra das folhas mais suave. Helena moveu a personagem até o portão, pensando que ele provavelmente queria uma opinião sobre os detalhes.
Uma mensagem apareceu.
"Alguém deixou uma coisa para você."
Ela tocou na caixa junto à entrada.
Dentro havia flores amarelas e brancas, amarradas com uma fita verde. Quando selecionou o buquê, uma frase ocupou a tela.
"Para a menina que conseguiu transformar meu intervalo em minha parte favorita do dia."
Helena cobriu a boca com a mão.
Não era um presente caro. Não poderia colocá-lo num vaso nem mostrar o perfume à mãe. Mesmo assim, ficou observando as flores por um tempo ridiculamente longo, tentando descobrir se a alegria também poderia permanecer ali quando fechasse o aplicativo.
"Isso aparece para todo mundo?", escreveu.
Lucas respondeu com um áudio.
"Você acha que eu tenho coragem de mandar essa frase para o professor que testa o projeto?"
Ela riu sozinha.
"Só aparece nessa versão. Depois eu faço um jeito menos improvisado. Ainda dá para quebrar algumas coisas se você apertar o botão errado."
"Eu não vou apertar nenhum botão errado."
"Agora você está sendo otimista."
Helena tirou uma captura da tela e enviou de volta.
"Gostei mais disso do que das roupas que escolheram para mim hoje."
Lucas demorou um pouco a responder.
"Queria poder te dar flores de verdade também."
"Pode me dar uma quando a gente se encontrar. Uma só."
"Vou chegar segurando uma árvore."
Ela riu outra vez e deitou com o telefone junto ao travesseiro. Na manhã seguinte, antes de vestir a roupa do fórum, abriu o jogo apenas para conferir se o buquê continuava lá.
Continuava.
No último dia, Augusto participou de menos painéis e de mais conversas reservadas. Helena levava os documentos, conferia a agenda e aproveitava os intervalos para anotar nomes que talvez fossem úteis a Lucas.
Um debate sobre iniciativas universitárias a fez prestar atenção de verdade. Até então, acompanhara gráficos e palavras que não lhe diziam muito; agora alguém falava de equipes pequenas, laboratórios e projetos desenvolvidos por estudantes.
Ela registrou o endereço eletrônico de um programa de apoio.
Augusto percebeu o movimento.
"Esse assunto interessa a você?"
"Conheço gente que está tentando desenvolver um jogo."
"Gente da sua universidade?"
"Sim. Eles trabalham bastante."
Ele olhou para a página cheia de anotações.
"Trabalhar bastante não substitui um modelo viável."
Helena fechou a tampa da caneta.
"Eu sei. Mas alguém precisa começar antes de saber fazer tudo."
"Você tem razão nisso."
A concordância inesperada a deixou sem resposta. Augusto apontou para um nome na programação.
"O reitor vai jantar conosco hoje. Se quiser, pode perguntar sobre o programa."
Ela ergueu o rosto, animada.
"Eu posso falar com ele?"
"Pode. Mas deixe o rapaz terminar de comer antes de oferecer uma pilha de formulários."
O comentário lhe arrancou um sorriso. Pela primeira vez, imaginou que acompanhar Augusto pudesse render alguma coisa que ela mesma escolhera.
À noite, vestiu um modelo branco com mangas leves e guardou o colar vermelho na caixa, preferindo os brincos pequenos que trouxera de casa. A maquiadora tentou sugerir outra joia, mas Helena explicou que gostaria de se sentir um pouco mais parecida consigo mesma.
Augusto não comentou a ausência do colar.
Durante o jantar, apresentou-a ao reitor, professor Álvaro Mendonça, como estudante de Letras e filha da esposa de seu irmão. Era a explicação mais clara que já dera sobre ela em público.
Helena sentiu um alívio quase físico.
O professor perguntou se estava gostando do curso. Ela respondeu com menos dificuldade que nas conversas anteriores e, depois, mencionou a equipe de computação.
"Quintal de Casa?", ele perguntou.
Helena abriu os olhos.
"O senhor conhece?"
"Recebi uma apresentação do laboratório. Ainda é um projeto inicial, mas a equipe parece comprometida."
Ela tentou não demonstrar orgulho demais. Não conseguia.
"Eles queriam saber onde buscar apoio sem abandonar a universidade."
Álvaro explicou que havia um setor responsável por orientar os estudantes e pediu que procurassem a coordenação. Helena anotou a informação num papel pequeno, esquecendo por alguns minutos Augusto e os demais convidados.
Quando mencionou Lucas pelo nome, Augusto pousou o copo na mesa.
Ela não percebeu.
O jantar terminou tarde. André avisou que o carro já estava disponível, e Helena pediu licença para voltar à casa. Augusto lhe disse que ficaria para uma última conversa.
"Não precisa esperar acordada."
"Não vou esperar", ela respondeu, e só depois percebeu que poderia soar mal.
Ele sorriu sem mostrar os dentes.
"Melhor assim."
No carro, Helena enviou as anotações a Lucas. Ele respondeu com uma sequência de mensagens tão contente que ela imaginou seu rosto antes mesmo de abrir o áudio.
O dia deixava de parecer inteiramente perdido.
No restaurante, Augusto esperou que retirassem os pratos antes de retomar o assunto.
"Gostaria de conhecer esse projeto que ela mencionou."
Álvaro demonstrou surpresa.
"Posso pedir uma apresentação."
"Peça. Talvez haja espaço para um investimento."
O reitor começou a falar sobre a equipe, mas Augusto já olhava para André, sentado a alguns lugares de distância.
O assistente compreendeu que deveria guardar aqueles nomes.
"Não anunciem nada antes de avaliarmos", Augusto acrescentou. "E, por enquanto, não é necessário mencionar minha participação."
Álvaro assentiu, satisfeito com uma possibilidade que parecia beneficiar a universidade.
Augusto voltou a pegar o copo.
Helena tinha passado três dias procurando uma oportunidade para Lucas. Finalmente encontrara uma.
Só não sabia quem acabara de ficar do outro lado dela.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4