"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 18
Amor não paga as contas
"A universidade pode esperar um dia", Augusto disse.
Helena virou o rosto para ele. O carro atravessava uma avenida quase vazia; as luzes dos estabelecimentos fechados deslizavam pelo vidro.
"Eu já perdi o passeio do feriado. Não queria perder o que combinei para depois."
"Você combinou o quê?"
Ela sentiu a pergunta entrar num lugar que ainda queria preservar.
"Sair com uma colega."
Augusto esperou, como se houvesse mais alguma informação a entregar.
"Talvez a gente vá ao parque. Ainda não decidiu."
Ele apoiou o braço junto à janela.
"Sua mãe quer você em São Paulo no fim de semana. Podemos voltar amanhã, depois do encerramento."
"Eu posso ir no dia seguinte. Sozinha."
"Por que complicar uma coisa simples?"
Helena puxou o paletó dos ombros e o dobrou sobre as pernas. Precisava de um segundo para escolher palavras que não soassem infantis.
"Porque esse dia também é meu. Eu aceitei ficar três dias no fórum. Não aceitei mudar todo o feriado."
O motorista manteve os olhos adiante. Augusto olhou para a peça dobrada antes de voltar ao rosto dela.
"Sua mãe sabe desse passeio?"
"Ela sabe que eu tenho amigos."
"Não foi isso que perguntei."
Helena respirou fundo.
Se continuasse discutindo, teria de explicar por que desejava tanto aquelas horas. Pensou em inventar o nome de uma colega, mas a mentira já lhe pesava sem precisar de detalhes.
"Eu falo com ela amanhã. Não precisa mudar sua passagem por minha causa."
Augusto não respondeu imediatamente. Quando o carro entrou no condomínio, disse que André verificaria um voo para o dia seguinte ao dele.
Helena ergueu os olhos, surpresa.
"Então eu posso ficar?"
"Desde que não falte ao almoço da família."
"Não vou faltar."
Ela abriu um sorriso involuntário. Augusto observou a mudança com uma atenção que a fez recolher a alegria depressa.
Dentro de casa, encontrou Célia já ausente e um recipiente com sopa na geladeira. O ambiente silencioso pareceu, pela primeira vez naquele dia, um lugar onde podia parar de desempenhar uma função.
Augusto a acompanhou até a cozinha.
"Precisa de alguma coisa?"
"Não. Você já pediu comida no restaurante."
Ele retirou uma garrafa de água e colocou sobre a bancada.
"Sua mãe disse que você anda comendo pouco."
"Minha mãe diz isso desde que eu tinha seis anos."
A resposta saiu mais leve do que pretendia. Augusto sorriu, e Helena percebeu o risco daquela conversa: quando ele não estava contrariando suas escolhas, era fácil esquecer por alguns minutos o que a incomodava.
Ela pegou a garrafa para subir.
"A colega é da sua turma?"
Helena parou no primeiro degrau.
"É da universidade."
"Tem namorado?"
"A minha colega?"
"Você."
A pergunta veio com tanta naturalidade que ela demorou a entender a mudança. Ficou olhando para ele, com a mão apoiada no corrimão.
"Por que você quer saber?"
"Porque alguém deve orientar você."
Ela desceu o degrau, contrariada.
"Eu não preciso de uma orientação para tudo."
Augusto encostou na bancada. Parecia disposto a conversar sem pressa, o que não a tranquilizou.
"Aos dezoito anos, uma pessoa pode confundir atenção com compromisso. Um rapaz diz coisas bonitas, acompanha você por algumas semanas, e parece suficiente. Depois a vida cobra outras coisas."
Helena se lembrou de Lucas saindo do trabalho em equipe para encontrá-la junto ao rio, sem perguntar se valeria a pena ou quem pagaria a corrida.
"Tem gente que diz coisas bonitas e faz coisas boas também."
"Por quanto tempo?"
"Não dá para saber antes de viver."
Augusto puxou uma cadeira e indicou a outra. Helena permaneceu em pé.
"Você sabe quanto custa manter uma casa? Aluguel, alimentação, saúde, transporte. Gostar de alguém não resolve nada disso."
"Eu sei que as coisas custam dinheiro. Vivi numa casa antes de chegar aqui."
Ele ergueu ligeiramente as sobrancelhas.
Ela sentiu o rosto esquentar, mas não recolheu a frase.
"Minha mãe trabalhava. Eu ajudava no que conseguia. Não tínhamos essa cozinha, mas não éramos incapazes de entender uma conta."
Augusto ficou quieto por um instante.
"Não quis ofender você."
"Então não fale como se eu tivesse descoberto o mundo ontem."
Helena apertou a garrafa contra o corpo. Havia mais coragem na voz do que no resto dela. Esperava uma repreensão e tentava se preparar para não chorar caso viesse.
Augusto apenas afastou a cadeira que não chegara a ocupar.
"Você pode trabalhar. Não duvido. Mas querer que a vida seja fácil não é um defeito. Sua mãe entende isso."
"Eu não quero uma vida difícil. Só não quero escolher uma pessoa pelo que ela pode pagar."
"Também não precisa escolher alguém que não possa oferecer nada."
"Você está falando de alguém que nem conhece."
A frase revelou mais do que Helena pretendia.
Augusto ergueu o rosto, atento. Ela desviou os olhos para o relógio da cozinha.
"Eu estou falando de qualquer rapaz", corrigiu. "Um estudante não vai ser estudante para sempre."
"Alguns continuam esperando que alguém resolva tudo por eles."
"E alguns tentam. Estudam, trabalham, fazem projetos."
Helena percebeu que já defendia Lucas como se ele estivesse naquela sala, ouvindo cada desconfiança. Quis dizer seu nome e acabar com aquilo. Mas imaginou Augusto telefonando para sua mãe, fazendo perguntas, pedindo uma apresentação que transformaria o namoro num assunto da família inteira.
Ficou calada.
Augusto se aproximou da pia e encheu um copo. Quando falou novamente, o tom havia mudado.
"Existem homens bons, Helena. Não estou dizendo o contrário. Só quero que você seja cuidadosa."
Ela assentiu, mais cansada que convencida.
"Eu vou ser."
"E não precisa ter medo de me contar as coisas."
Helena desejou acreditar. Ter alguém mais velho que escutasse sem transformar tudo em decisão seria bom. O problema era que aquela conversa começara com um dia de passeio e terminara com ela justificando a possibilidade de amar alguém.
Subiu depois de desejar boa noite.
No quarto, recebeu uma mensagem de Lucas perguntando se ainda poderiam se encontrar. Escreveu que sim. Apagou. Escreveu de novo, acrescentando que precisava voltar para São Paulo à noite.
Ele respondeu quase imediatamente: fariam daquele dia uma pequena viagem, mesmo sem sair da cidade.
Helena sorriu, finalmente sozinha.
Já se preparava para deitar quando Augusto apareceu do lado de fora da porta aberta.
"Não fique até tarde naquele jogo. Amanhã você vai reclamar de sono."
Ela levantou o rosto.
"Que jogo?"
"O que você tem jogado depois da meia-noite."
Helena olhou para o telefone, depois para ele.
Não se lembrava de ter contado aquilo à mãe. Muito menos a Augusto.
Ele lhe desejou boa noite antes que a pergunta seguinte encontrasse voz.
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