"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 17
O beijo que ela desconhecia
Augusto aproximou o cartão da fechadura.
A luz verde apareceu, seguida de um estalo discreto. Ele entrou sem bater e fechou a porta devagar, mantendo a mão na maçaneta até que o trinco se encaixasse.
A cortina deixava passar uma faixa de claridade. Sobre a mesa havia uma garrafa de água, a credencial do fórum e o telefone de Helena, ligado a um carregador cujo adaptador não estava na tomada.
A tela permanecia escura.
Ela dormia de lado, com uma das mãos sob o rosto. Tinha tirado os sapatos e dobrado o casaco antes de deitar, como se mesmo sozinha precisasse demonstrar que não dava trabalho.
Augusto ficou junto à cama.
Naquela manhã, ela lhe oferecera um pedaço de pizza porque achara que ele não estava comendo direito. Não pedira nada em troca. A lembrança o acompanhara durante a reunião inteira, mais insistente que as perguntas dos empresários.
Ele afastou uma mecha de cabelo da face dela.
Helena não acordou.
O silêncio não era um convite. Augusto sabia disso. Ainda assim, inclinou-se e encostou a boca na dela, num beijo breve que ela não pôde escolher receber.
Quando Helena se mexeu, ele recuou.
Ela franziu a testa, procurou uma posição mais confortável e voltou a respirar regularmente. Não abriu os olhos. Augusto permaneceu imóvel por alguns segundos, observando o movimento do lençol.
Depois endireitou o carregador, conectou o adaptador e saiu.
Do lado de fora, guardou o cartão no bolso interno do paletó. Não o deixou com André.
O assistente aguardava junto ao elevador com duas mensagens novas e uma pasta. Olhou para o relógio antes de perguntar se retomariam a programação.
"Pedro já foi?"
"O carro está a caminho do aeroporto. A equipe de São Paulo confirmou a reunião de amanhã cedo."
Augusto assentiu.
"Não quero outro incidente durante o jantar."
"Ele entendeu o recado."
Augusto não respondeu. O elevador chegou e os dois entraram, como se o intervalo tivesse sido apenas mais um compromisso particular do dia.
Quando Helena despertou, encontrou uma mensagem de Lucas pedindo que avisasse ao acordar.
Sentou-se depressa, confusa com a hora. Tinha dormido mais de uma hora. A chamada de vídeo havia terminado sozinha, provavelmente quando a bateria acabou. Agora o telefone carregava sobre a mesa.
Ela olhou para o fio.
Talvez o tivesse conectado antes de deitar. Lembrava-se de procurar o adaptador, mas as últimas imagens da conversa com Lucas se misturavam ao sono.
Respondeu que estava bem e foi lavar o rosto.
No espelho, reparou que o lábio inferior parecia um pouco inchado. Tocou a pele com o dedo, incomodada. A pizza levara algum tempero diferente? Poderia ter mordido a boca dormindo.
Não doía o bastante para justificar uma preocupação. Passou água fria e voltou ao quarto para guardar suas coisas.
Uma batida na porta a fez interromper o movimento.
Dessa vez, era a mulher responsável pela maquiagem, acompanhada de uma funcionária do hotel. Helena conferiu os rostos pelo olho mágico antes de abrir.
"Conseguiu descansar?", perguntou a maquiadora.
"Acho que até demais."
A mulher sorriu e indicou a cadeira diante do espelho.
Enquanto separava pincéis, Helena perguntou se havia algum produto para diminuir a sensação de ressecamento nos lábios. A profissional lhe entregou um hidratante e sugeriu beber mais água.
Uma explicação simples. Helena se agarrou a ela com alívio.
Augusto apareceu quando a preparação estava terminando. Ficou à porta, sem entrar, e perguntou se ela preferia jantar antes de acompanhar a recepção.
"Não vai ter comida lá?"
"Vai. Mas ontem você quase não comeu."
Ela baixou os olhos para o vestido azul escolhido para aquela noite.
"Ontem aconteceu uma coisa desagradável."
"Pedro voltou para São Paulo."
Helena ergueu a cabeça.
"Por minha causa?"
"Ele tem trabalho."
A resposta era curta demais para esclarecer alguma coisa. Mesmo assim, ela sentiu os ombros relaxarem. Não teria de suportar novas perguntas sobre sua mãe, sua roupa ou o lugar que ocupava naquela família.
"Obrigada por falar com ele", disse, depois de pensar um pouco. "Eu não queria uma briga. Só queria que parasse."
"Parou."
Augusto observou o rosto dela por um instante. Helena levou a mão aos lábios, ainda incomodada, e ele desviou os olhos para a pasta que segurava.
"Está pronta?"
No restaurante, ele pediu uma refeição que chegasse rápido. Helena comeu sem precisar equilibrar um prato em pé, e aquela facilidade a deixou menos tensa.
O telefone vibrou durante a sobremesa.
Era sua mãe.
Helena pediu licença e se afastou até o corredor. Marisa queria saber se estava gostando da experiência, se tinha feito contatos, se já entendia como funcionavam os grandes negócios.
"Eu continuo sem entender quase nada, mãe. Ajudei com os materiais, anotei os horários..."
"Isso já é aprender. Você acha que todo mundo começa mandando?"
"Eu nem quero mandar."
Marisa riu como se a frase fosse uma modéstia encantadora.
"Eduardo está muito feliz por você. Disse que, se gostar, pode fazer estágio durante as férias."
Helena apertou o telefone.
"Meu curso é Letras."
"Empresa também precisa de gente que escreva bem. Não feche portas antes de conhecer."
A mãe continuou falando sobre oportunidades até Helena perceber Augusto no fim do corredor, esperando. Ele não fez um gesto de pressa. Bastou sua presença para que ela começasse a encerrar a ligação.
"Eu preciso voltar. Depois a gente conversa."
"Dê atenção ao seu tio. Ele está fazendo tudo isso por você."
Helena desligou com a frase presa no peito.
Na recepção, Augusto lhe ofereceu o braço. Ela o segurou apenas ao entrar, soltando assim que os cumprimentos permitiram. Ele não protestou, mas lhe entregou um copo de água antes que alguém pudesse oferecer vinho.
Um empresário comentou que ela parecia cansada. Augusto respondeu que os jovens também precisavam dormir, e os homens à volta riram com facilidade.
Helena sorriu por educação.
Ninguém perguntou o que ela desejava fazer com aquele tempo livre.
Mais tarde, quando voltou a procurar o telefone, encontrou uma foto enviada por Lucas: um pacote de biscoitos ao lado do computador e uma mensagem reclamando da ausência dela.
Respondeu com um coração pequeno, escondendo a tela junto ao corpo.
"Quer ir embora?", Augusto perguntou.
Ela assentiu com uma rapidez que não conseguiu disfarçar.
Ele tirou o paletó e o colocou sobre os ombros dela antes de chamar André. No carro, Helena manteve as mãos recolhidas sob o tecido, sentindo o cheiro familiar que já reconhecia sem querer.
"Amanhã é o último dia", disse.
"Está contando as horas?"
"Quero voltar à minha vida."
Augusto olhou para ela.
"E o que, exatamente, está esperando você?"
Helena pensou no sorriso de Lucas, no passeio que ainda não tinham conseguido fazer e na vontade de passar um dia sem pedir licença.
"A universidade", respondeu.
Foi a primeira coisa verdadeira que conseguiu dizer sem contar toda a verdade.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4