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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 16

正文开头

Uma fatia de pizza

Helena dormiu pouco, mas acordou com uma mensagem de Lucas.

"Bom dia, namorada."

Leu três vezes.

Depois escondeu o rosto no travesseiro, sorrindo sozinha.

O colar estava guardado na caixa que André lhe entregara na noite anterior. Ele passara na casa apenas para deixar os acessórios do dia seguinte, sem fazer perguntas sobre sua saída.

Helena ainda não sabia se agradecia aquela discrição ou se ela significava que ele já sabia de tudo.

Preferiu pensar em Lucas.

Respondeu que estava indo trabalhar e não poderia conversar muito.

"Eu espero. Agora posso dizer que estou esperando minha namorada sem mentir."

Ela sorriu outra vez.

Ao chegar ao hotel, encontrou Augusto examinando documentos no mesmo lugar da manhã anterior.

Ele ergueu os olhos para ela.

"Bom dia."

"Bom dia, senhor Ferraz."

A escolha do tratamento pareceu agradá-lo. Helena a fizera por um motivo diferente: precisava manter o trabalho como trabalho, sem oferecer a Pedro outra coisa que pudesse usar contra ela.

Augusto lhe entregou duas pastas e pediu que verificasse a ordem das páginas indicadas por André.

Ela se concentrou na tarefa.

Não perguntou por Pedro.

Também não contou onde estivera depois do jantar.

Augusto não mencionou a noite anterior diante dos funcionários. Quando ficaram perto de uma janela, entre uma reunião e outra, perguntou se tinha dormido.

"Um pouco."

"Não devia ter saído sem o carro."

"Eu disse que queria ir sozinha."

Ele olhou para ela.

Helena manteve os olhos nos papéis.

"Se não estiver bem, avise antes de sair", Augusto respondeu.

Não houve uma nova discussão. Ela se sentiu estranhamente aliviada e voltou a conferir as páginas.

Perto do almoço, André explicou que a palestra da tarde exigiria apenas a presença dele e de Augusto.

Helena assentiu, tentando não parecer satisfeita demais.

No restaurante do hotel, montou um prato com legumes, carne, arroz e dois salgados que pareciam bons. Voltou à mesa de alimentos para pegar uma pequena fatia de pizza de cogumelos.

Estava procurando André quando um garçom se aproximou.

"O senhor Ferraz pediu que fosse até a mesa dele."

Helena olhou para a área reservada, atrás de um painel de vidro.

Augusto já estava sentado.

André ocupava outra mesa, mais longe, falando ao telefone.

Ela foi até Augusto.

"Eu podia comer com André."

"Ele está trabalhando. Sente."

Helena se sentou do outro lado da mesa.

O prato de Augusto tinha um pouco de carne, folhas, um pedaço de milho e café.

Ela olhou para a própria comida, que parecia desproporcional.

"Você está com fome", ele comentou.

"Andamos bastante."

"Não precisa justificar."

Helena pegou o garfo.

Ele bebeu café enquanto ela comia. Não parecia ter pressa nem sentir necessidade de preencher o silêncio.

Depois de alguns minutos, ela reparou que Augusto também não tocara em quase nada do prato.

"Não gostou?"

"Gostei."

"Então por que não come?"

Ele olhou para a carne.

"Já comi o suficiente."

正文1

Helena franziu a testa.

"Você vai falar por quase duas horas. Não fica fraco?"

O canto da boca dele se moveu.

"Ainda consigo ficar em pé depois do almoço."

Ela se constrangeu, mas continuou olhando o prato.

"Eu não quis dizer isso. Só que ontem você também quase não comeu."

Augusto deixou a xícara sobre o pires.

Ela apontou para a pizza.

"Essa está boa. Eu ainda não toquei. Quer?"

Ele olhou primeiro para a fatia, depois para ela.

Helena interpretou a pausa como recusa.

"Se não quiser, tudo bem. Só ofereci."

"Pode me dar."

Ela transferiu a fatia com cuidado.

Augusto cortou um pedaço e comeu.

"Boa", disse.

Helena assentiu, satisfeita, e voltou ao próprio prato.

Não acompanhou cada garfada dele. Não esperou elogio nem pareceu considerar aquilo uma maneira de agradar.

Augusto percebeu justamente essa falta de expectativa.

Não era um favor calculado, uma tentativa de recuperar sua boa vontade ou um gesto ensaiado diante de convidados.

Ela achara que ele podia precisar comer e oferecera o que tinha.

Augusto terminou a fatia.

Na outra mesa, André interrompeu a leitura por um momento ao perceber o prato do chefe. Conhecia suas restrições de alimentação, os pedidos específicos e o modo como dispensava qualquer insistência sobre comida.

Voltou ao tablet sem comentar.

Quando Helena terminou, Augusto lhe entregou uma chave de quarto.

"André reservou um lugar para você descansar. Fica ao lado do meu."

Ela olhou para a chave.

"Preciso voltar aqui à tarde?"

"Só para o jantar. A equipe avisa quando for preparar você."

"Obrigada."

Ele assentiu.

Helena pegou a bolsa e subiu, sentindo que finalmente tinha algumas horas que não precisaria organizar em função de outro corpo ao seu lado.

O quarto era grande e tinha uma janela voltada para a cidade. Ela tirou os sapatos, conferiu a porta e se deixou cair sobre a cama.

O telefone tocou antes que fechasse os olhos.

Lucas.

Atendeu a chamada de vídeo e escondeu metade do rosto atrás do travesseiro.

"Por que está fazendo vídeo?"

"Para conferir se ontem aconteceu mesmo."

"Não aconteceu. Você sonhou."

"Muito cruel. Nem deu um dia de namoro e já está destruindo minha felicidade."

Ela riu.

Lucas estava numa sala com uma mesa cheia de cabos e um notebook aberto. Tinha olheiras.

"Você também não dormiu?"

"Tentei. Aí olhava a foto e acordava de novo."

Helena puxou o travesseiro sobre o rosto inteiro.

Ele pediu que voltasse.

Ela apareceu novamente, com as faces vermelhas.

"Você devia estar trabalhando."

"Estou no intervalo. Você está num hotel?"

"Mandaram eu descansar até o jantar."

"Finalmente alguém teve uma ideia boa nesse evento."

Helena soltou uma risada curta.

Não queria falar de Augusto.

"Estou com sono."

"Dorme."

"Então vou desligar."

Lucas hesitou.

"Pode deixar um pouco? Só até você dormir. Não vou falar."

Ela olhou para a tela.

Era um pedido que poderia recusar. Ele não faria sua recusa significar uma falta de gratidão.

Talvez por isso tenha aceitado.

"Se começar a falar, desligo."

"Prometo."

Helena colocou o telefone apoiado numa almofada, numa posição em que a câmera mostrava seu rosto. Deitou de lado e fechou os olhos.

Lucas baixou o volume e continuou trabalhando.

Antes de ela adormecer, disse apenas:

"Descansa. Estou aqui."

Algumas horas depois, Augusto terminou a palestra. Recebeu cumprimentos, respondeu a duas perguntas e entregou os documentos a André enquanto seguiam para o elevador.

"Helena já está pronta?"

"Liguei há pouco. Não atendeu. Deve estar dormindo. Posso bater na porta."

Augusto olhou para os números do elevador.

"Tem a chave?"

André demorou um instante a responder.

"A reserva ficou sob nossa organização. Tenho uma cópia."

Retirou o cartão da pasta.

Não o ofereceu imediatamente. Bastou olhar para o chefe e compreender que dizer mais alguma coisa não mudaria a pergunta.

Entregou.

Augusto recebeu o cartão e passou o polegar pela borda.

"Depois falamos sobre sua transferência para a operação internacional", disse. "Quero alguém que entenda meu jeito de trabalhar."

André assentiu.

"Quando o senhor preferir."

O elevador abriu no andar dos quartos.

Augusto saiu com as duas chaves na mão.

André permaneceu onde estava, esperando a porta fechar.

Helena dormia do outro lado do corredor, sem saber que a fechadura conferida antes de deitar não bastaria para manter sua privacidade.

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