"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 15
Quero ser sua namorada
Lucas respondeu com uma ligação.
"Onde você está?"
Helena se apoiou na parede externa do hotel.
"Saí do jantar. Queria ficar um pouco fora."
"Aconteceu alguma coisa?"
"Eu te conto quando chegar. Você está ocupado?"
"Estava saindo de uma comemoração do projeto. Não é nada que não possa esperar. Me manda a localização."
Helena hesitou.
Não queria obrigá-lo a entrar no hotel, ver as pessoas que ainda circulavam na porta ou perguntar por Augusto.
"Pode ser perto do rio? Aquele lugar onde a gente foi."
"Pode. Mas vá de carro. Eu encontro você lá."
Ele desligou só depois que ela confirmou que o aplicativo já buscava um motorista.
Helena ficou olhando a tela enquanto esperava.
No reflexo escuro do telefone, viu o cabelo preso, os olhos pintados e as pedras vermelhas que não conseguira tirar.
Pedro fizera tudo aquilo parecer uma prova contra ela.
Talvez outras pessoas estivessem pensando a mesma coisa.
O carro a deixou perto de um café que ainda estava aberto. Helena comprou água, sentou numa mesa externa e enviou o número do local a Lucas.
Ele chegou alguns minutos depois, com a respiração acelerada.
Parou ao vê-la.
"Você veio correndo?", ela perguntou.
"Um pedaço."
Lucas baixou os olhos para o vestido, depois voltou ao rosto dela.
"Achei que fosse reconhecer de longe. Quase passei direto."
Helena tentou sorrir.
"Está ruim?"
"Não. Está muito bonita. Só diferente."
A sinceridade da resposta desfez uma parte do aperto.
Lucas puxou uma cadeira.
"Posso?"
Ela assentiu.
Ele olhou para a garrafa de água, depois para suas mãos.
"Quer comer?"
"Comi no hotel."
"Então quer só conversar?"
Helena baixou os olhos.
"Uma pessoa falou coisas desagradáveis sobre minha mãe. Sobre mim também."
Lucas ficou sério.
"Quem?"
"O filho do Eduardo."
"O que voltou de fora?"
Ela assentiu.
Lucas apoiou os braços na mesa, mas não tentou lhe pegar a mão sem antes olhar para ela.
"Você quer me contar o que ele disse?"
Helena recordou as frases e sentiu vergonha outra vez.
Não queria ouvir, com a voz de Lucas, a pergunta sobre ser mulher de Augusto.
"Ele acha que minha mãe casou por dinheiro. E que eu estou querendo me aproveitar da família também."
Lucas franziu a testa.
"Ele não conhece você."
"Não precisa conhecer para falar."
"Mas você não precisa aceitar como verdade."
Ela passou o polegar pela tampa da garrafa.
"É difícil quando todo mundo parece saber como eu devia agir. Minha mãe quer que eu agradeça. Ele quer que eu entenda que não pertenço. Eu fico tentando não incomodar, e sempre incomodo alguém."
Lucas ficou quieto, ouvindo até o fim.
Depois disse:
"Você não me incomoda."
Helena ergueu os olhos.
"Agora atrapalhei sua comemoração."
"Não. Eu quis vir."
A frase era quase a mesma que Augusto usara no restaurante. Mas Lucas a disse e esperou, sem acrescentar uma exigência.
Helena reconheceu a diferença antes de conseguir explicá-la.
"O projeto deu certo?", perguntou.
Lucas sorriu, surpreso com a mudança de assunto.
"Conseguimos apoio da universidade para continuar desenvolvendo. Ainda é pouco, mas já ajuda."
"O jogo que você me mostrou?"
"Aquele. Estamos chamando de Quintal de Casa. Tem coisa demais para ajustar, mas os testes foram bons."
Helena gostava de vê-lo falar de algo que queria construir. As mãos dele se moviam ao explicar, e os olhos ficavam mais vivos.
"Você devia ter ficado com o pessoal", disse.
"Vou comemorar outras vezes."
Lucas olhou para ela, com um sorriso mais tímido.
"Esta noite também não está ruim."
Helena sentiu as faces aquecerem.
Saíram do café e caminharam até uma parte tranquila da margem. Não havia o evento daquela primeira noite. Apenas a iluminação da rua, água escura e algumas pessoas caminhando.
Lucas diminuiu o passo para acompanhá-la.
"Seu sapato machuca?"
"Este não. Trocaram hoje."
Ela olhou para os pés, constrangida por explicar uma coisa que ele talvez nem tivesse perguntado.
Lucas não comentou o preço, o hotel ou o colar.
"Podemos sentar mesmo assim."
Ficaram num banco. Helena soltou um pouco o cabelo, que estava preso com grampos demais.
Lucas virou o rosto para lhe dar privacidade, embora não fosse necessário.
Aquela pequena consideração a tocou mais do que esperava.
"Você trouxe o telefone?", perguntou.
"Trouxe."
"A gente podia tirar uma foto."
Ele a olhou, como se quisesse ter certeza de que ouvira bem.
"Agora?"
"Agora. Antes que eu desmanche o cabelo inteiro."
Lucas riu e abriu a câmera.
Aproximou-se sem encostar o corpo de imediato. Helena reduziu o espaço que faltava.
Ele ergueu o braço.
"A luz está boa?"
"Se esperar uma equipe profissional, eu vou dormir aqui."
"Está bem. Um, dois..."
Helena lhe beijou a bochecha no instante em que ele tocou a tela.
Lucas deixou o telefone baixar.
Ficou olhando para ela.
Helena queria ter coragem para sustentar o gesto. Precisou respirar fundo antes de falar.
"Aquilo que você disse na outra noite ainda vale?"
Ele assentiu, depressa.
"Vale."
"Não responde sem pensar."
"Eu pensei antes de dizer. E depois também."
Ela olhou para a fotografia. Seu rosto estava voltado para o dele, e Lucas parecia surpreso de uma maneira tão transparente que ela sentiu vontade de sorrir de novo.
"Quero tentar", disse.
"Tentar o quê?"
Ele perguntou baixinho, como se um erro de interpretação pudesse lhe tirar aquele momento.
Helena virou o corpo para ele.
"Quero ser sua namorada."
Lucas abriu um sorriso que precisou conter antes de responder.
"Eu quero muito."
Ela sentiu uma alegria real. Não era só a possibilidade de se afastar de Augusto, ou de contrariar Pedro.
Gostava daquele rapaz. Gostava de quem conseguia ser perto dele.
O medo do resto não anulava isso.
Lucas lhe ofereceu a mão.
Helena a segurou.
Ficaram assim por um tempo, olhando para a foto e escolhendo qual dos dois receberia a cópia primeiro.
No hotel, Augusto terminou uma conversa e foi procurar a mesa onde deixara Helena.
O prato estava recolhido. A cadeira, vazia.
André informou que ela saíra num carro.
Augusto olhou para Pedro, que estava próximo à varanda.
"Venha aqui."
O sobrinho o acompanhou até um ponto afastado dos convidados.
"O que você disse a ela?"
Pedro levantou os ombros.
"Conversei. Ela não parece gostar muito de conversar."
"Não tente ser engraçado agora."
Pedro se apoiou na grade.
"Você está preocupado com o que ela vai contar para a mãe?"
"Estou dizendo para não repetir."
A expressão do tio fez o sorriso dele diminuir.
"É só uma menina que entrou na família. Não imagine coisas sobre minha posição por causa disso", Augusto continuou. "Marisa não vai tomar o seu lugar. Helena muito menos."
Pedro o examinou por alguns segundos.
"Então por que precisa de tanta proteção?"
Augusto permaneceu quieto.
Pedro olhou para o salão, depois voltou ao tio.
"Você podia ter escolhido qualquer pessoa para acompanhar."
"Escolhi ela."
"Por ser sobrinha?"
O olhar de Augusto endureceu.
Pedro entendeu o limite sem que fosse explicado.
Pegou a taça e se afastou da grade.
"Está bem. Não vou incomodá-la."
Ao voltar para dentro, já não pensava apenas na ameaça que uma nova esposa podia representar para a família.
Pensava no que poderia ganhar ao descobrir o que o tio estava disposto a fazer por aquela garota.
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