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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 14

正文开头

Não sou a mulher dele

Helena encontrou uma mesa pequena perto de uma coluna, onde podia observar o salão sem ficar no caminho de ninguém.

Pegou um prato e escolheu duas coisas que reconhecia. A comida finalmente lhe deu algo concreto para fazer com as mãos.

Estava cortando uma porção de peixe quando ouviu uma voz atrás de si.

"Você encontrou a melhor parte da festa."

Um homem jovem segurava uma taça e olhava para seu prato.

Helena sorriu por educação.

"A comida?"

"O lugar onde ninguém tenta vender nada por cinco minutos."

Sem esperar convite, puxou a cadeira ao lado e se sentou.

Helena afastou a bolsa para não deixá-la perto dele.

O homem percebeu e sorriu um pouco mais.

"Não vou roubar."

"Não pensei isso."

"Pensou alguma coisa."

Ela baixou os olhos para o prato.

O terno cinza tinha um corte elegante. A gravata estava ligeiramente solta, como se ele não considerasse necessário manter a mesma disciplina dos homens mais velhos.

"Você veio com Augusto?", perguntou.

Helena assentiu.

"Para ajudar no evento."

"Ajudar em quê?"

"Com os documentos. Estou acompanhando as reuniões."

Ele olhou para o colar.

"Pelo visto, ele remunera muito bem uma assistência de três dias."

Helena levou a mão às pedras, sem querer.

"Não estou recebendo dinheiro."

"Não disse que era dinheiro."

Uma sensação desagradável começou a tomar o lugar da fome.

Ela pegou água.

O homem lhe ofereceu uma taça que retirou da bandeja de um garçom.

"Beba comigo."

"Obrigada, mas não quero."

"Nem um brinde?"

"Prefiro água."

Ele deixou a taça sobre a mesa.

"Augusto também escolheu isso para você?"

Helena ergueu os olhos.

"Não."

"Achei que ele estivesse escolhendo tudo. Vi vocês entrando."

O rosto dela esquentou.

"Você entendeu errado."

"Eu ainda nem disse o que entendi."

O jeito tranquilo com que a provocava a fez lembrar Augusto no avião. Mas ali havia algo mais aberto: ele parecia se divertir com cada tentativa sua de responder corretamente.

Helena empurrou o prato alguns centímetros.

"Eu não sou a mulher dele. Sou da família."

"Da família?"

"Minha mãe se casou com o irmão dele. Então eu sou... Não é um parentesco de sangue, mas sou como uma sobrinha."

O jovem apoiou o cotovelo na mesa.

"Engraçado. Eu sou o sobrinho de verdade e nunca recebi um colar para ir jantar com ele."

Helena ficou imóvel.

"Você é Pedro?"

"Ferraz. Filho do marido da sua mãe."

Ela retirou a mão do colar.

A mãe falara dele muitas vezes. O filho que precisava aceitar o casamento, o rapaz que voltaria do exterior, a pessoa com quem deveriam tentar construir uma boa relação.

Não parecia disposto a construí-la naquela mesa.

"Desculpa. Eu não reconheci."

"Não tinha como. Não fui à festa."

Ele bebeu um pouco de vinho.

"Pelo visto, meu tio compensou minha ausência oferecendo atenção suficiente para todos nós."

Helena sentiu a frase tocar algo que tentava não olhar de frente.

正文1

"Ele ofereceu uma experiência de trabalho."

"Sua mãe deve ter ficado muito satisfeita."

"Ficou."

Pedro soltou uma risada curta.

"Imagino. Primeiro meu pai. Agora meu tio. Vocês chegaram e encontraram as portas certas."

Helena largou o guardanapo.

"Não fala da minha mãe desse jeito."

Ele a observou, surpreso com a mudança de tom.

"Qual jeito?"

"Você sabe."

Pedro inclinou a cabeça.

"Ela sabe como você está vestida? Como entra de braço dado com ele?"

"Ela sabe que eu vim ajudar."

"Então ou não sabe de tudo, ou sabe muito bem."

Helena sentiu os olhos arderem.

Não queria chorar diante daquele homem. Não queria lhe dar a satisfação de confirmar que conseguira feri-la.

"Minha mãe cuida do seu pai", disse. "Você podia respeitar pelo menos isso."

"Meu pai recebe cuidados de muita gente. Nem todas conseguem casar com ele."

Helena se levantou.

A cadeira fez um ruído maior do que esperara. Uma mulher, a poucos passos, virou o rosto.

Ela segurou a bolsa com força.

"Eu não fiz nada para você."

Pedro ficou sentado.

"Por enquanto."

"O que isso quer dizer?"

Ele olhou para o salão, depois para ela.

"Quer dizer que esta família já tinha uma organização antes de vocês chegarem."

Helena percebeu, finalmente, que não estava sendo avaliada por uma falta de educação ou por comer sozinha.

Era sua presença que ele não queria.

"Eu vou embora quando terminar o evento. Não estou tentando tomar nada de ninguém."

Pedro ia responder quando uma voz interrompeu.

"Se veio para conversar com a família, podia ter começado por mim."

Augusto estava atrás dela.

Helena não sabia há quanto tempo.

Pedro se levantou imediatamente, trocando a expressão de deboche por um sorriso amplo.

"Tio. Estava procurando você."

Augusto não correspondeu ao abraço que ele tentou oferecer de imediato.

"Não avisou que vinha."

"Queria acompanhar o evento. Não preciso pedir autorização para isso."

"Não precisa. Para interferir no trabalho dos outros, precisa."

Pedro olhou para Helena, depois para o tio.

"Eu só estava conhecendo minha nova irmã."

A palavra irmã não tinha nada de acolhedor.

Augusto finalmente tocou seu ombro e o levou um pouco para o lado, como quem reorganizava os lugares de uma fotografia.

"Há pessoas esperando por você. Venha comigo."

Antes de sair, estendeu a mão para Helena.

Ela a afastou com um movimento rápido.

Não pensou. Só não suportou a ideia de ser tocada por ele diante de alguém que já interpretava tudo da pior maneira.

Augusto parou.

Pedro viu.

Helena quis desaparecer, mas permaneceu em pé.

"Não estou bem. Vou para casa."

"Peço a André para levar você", Augusto disse.

"Não precisa. Posso chamar um carro."

"Helena..."

Ela olhou para ele com os olhos cheios.

"Eu quero ir sozinha."

O silêncio durou o suficiente para que ela sentisse o próprio coração no pescoço.

Então Augusto baixou a mão.

Helena passou pelos dois, sem olhar para trás.

Na saída, percebeu que ainda estava usando o colar. Tentou alcançar o fecho, não conseguiu e desistiu para não chamar atenção.

Do lado de fora, respirou o ar frio como se tivesse passado horas debaixo d'água.

Abriu a conversa com Lucas.

Não sabia como explicar o que acontecera. Só sabia que, se voltasse diretamente para a casa vazia, passaria a noite ouvindo a voz de Pedro.

"Você pode me encontrar?"

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