"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 13
Você está com medo de ficar sozinha comigo?
Às cinco da tarde, Helena conseguia distinguir os convidados pelas pastas que carregavam, mas já não lembrava metade dos nomes.
Tinha aprendido a guardar cartões num bolso separado, entregar documentos sem interromper a conversa e esperar o momento em que Augusto ficava em silêncio para fazer uma pergunta.
O que não aprendera era a impedir que o sapato machucasse seu calcanhar.
Na última visita, caminhara apoiando o peso na ponta do pé. André percebeu e diminuiu o passo.
Augusto também percebeu, mas não comentou diante dos outros.
No hotel, foram encaminhados à suíte onde ele se hospedava. Helena se sentou no sofá enquanto André organizava os documentos sobre uma mesa.
Augusto tirou o paletó.
"Seus pés estão doendo?"
Ela soltou o calcanhar do sapato e o colocou de volta depressa.
"Um pouco."
Ele se aproximou.
"Mostre."
"Não precisa. Eu descanso e melhora."
Augusto se agachou diante dela.
Helena olhou imediatamente para André. O assistente recolheu o tablet e disse que iria confirmar a equipe do jantar.
A porta se fechou antes que ela pudesse pedir que ficasse.
Augusto tocou o sapato.
"Tire."
Ela o tirou, porque a alternativa seria permitir que ele próprio retirasse.
Havia uma pequena marca vermelha acima do calcanhar.
"Você devia ter avisado", disse.
"Eu não queria atrasar ninguém."
Augusto pegou o telefone e enviou uma mensagem.
"Vou pedir outro par para esta noite."
"Posso usar o meu tênis. Está em casa."
Ele ergueu os olhos.
"Não vamos jantar na universidade."
Helena baixou a cabeça.
Augusto se levantou e foi até o frigobar.
"A equipe vem arrumar você. Tome banho antes."
Ela olhou para o banheiro aberto e para a mala dele ao lado da cama.
"Quando eles chegarem, eu tomo."
Ele abriu uma garrafa de água.
"Pode ir agora."
"Prefiro esperar."
Augusto pousou a garrafa.
Seu olhar passou pela porta, depois voltou a ela.
"Você está com medo de ficar sozinha comigo?"
Helena sentiu o corpo inteiro se contrair.
Era difícil responder sem ofendê-lo. Era mais difícil fingir que não compreendia a pergunta.
"Eu só acho mais confortável esperar outras pessoas."
"O banheiro tem porta."
"Eu sei."
"Então?"
Ela segurou o sapato no colo.
"Você é um homem. Eu sou uma mulher. Não é estranho eu querer um pouco de privacidade."
Augusto ficou olhando para ela.
Helena percebeu que apertava o couro a ponto de amassar a lateral.
Não retirou o que dissera.
Ele se sentou numa poltrona, pegou a garrafa e bebeu água.
"Pode esperar."
O alívio veio tão rápido que Helena quase agradeceu.
Não agradeceu por poder fazer algo normal.
Ficaram em silêncio até a campainha da suíte tocar.
André entrou com duas mulheres e uma arara pequena de roupas. Uma delas cumprimentou Helena pelo nome, explicou que cuidaria do cabelo e perguntou se já tinha alguma preferência.
Helena respondeu que queria algo simples.
Augusto pediu que a deixassem confortável.
Era uma palavra curiosa depois da conversa que acabavam de ter.
Ela levou a roupa indicada para o banheiro e girou a chave antes de tirar a camisa.
A água quente fez seus ombros relaxarem. Lavou o cabelo depressa, com receio de atrasar a equipe, e saiu vestindo um roupão emprestado.
Augusto estava no outro cômodo, falando ao telefone.
As mulheres a sentaram diante de um espelho.
Helena tentou acompanhar as instruções sem ficar rígida. Perguntou se o vestido precisava ser tão ajustado na cintura; a profissional explicou que podia regular um pouco.
O tecido preto parava acima dos joelhos, sem ser curto. O decote deixava os ombros descobertos.
Ao se olhar, ela não se reconheceu imediatamente.
Gostou do cabelo preso, dos olhos um pouco mais definidos. Não gostou da sensação de ter sido preparada para um lugar onde ainda não sabia como existir.
Augusto voltou vestido para o jantar e parou à entrada.
A maquiadora perguntou se estava tudo certo.
Ele olhou para Helena por tempo suficiente para que ela quisesse puxar um casaco sobre os ombros.
"Está", respondeu. "Os sapatos?"
A mulher lhe mostrou um par baixo, elegante e macio.
Helena calçou e deu dois passos.
"Melhor?", Augusto perguntou.
"Muito."
"Então são esses."
Uma caixa de joias foi colocada sobre a mesa. A profissional retirou um colar delicado com pequenas pedras vermelhas.
Helena o observou pelo espelho.
"É emprestado?"
"Pode usar", Augusto respondeu, sem esclarecer de quem seria depois.
O fecho tocou sua nuca. Helena sentiu uma vontade absurda de tirar tudo e vestir a própria camisa novamente.
André trouxe a bolsa pequena que usaria e informou que os convidados já estavam chegando.
No elevador, Helena ficou com as mãos sobre a bolsa.
Augusto lhe ofereceu o braço.
Ela olhou para ele.
"Precisa?"
"Vai ficar menos perdida do que tentando acompanhar por trás."
Helena passou a mão por seu braço, segurando apenas o tecido.
O elevador abriu.
A aproximação dos convidados foi imediata. Nomes, sorrisos, mãos estendidas. Augusto respondia com tranquilidade, e Helena se concentrava em não esquecer de respirar.
Um homem olhou para ela.
"E esta jovem?"
"Da família", Augusto disse. "Estou trazendo para conhecer o trabalho."
Não falou em sobrinha.
Não disse seu nome até ela própria se apresentar.
O homem apertou sua mão, elogiou o vestido e voltou à conversa com Augusto. Helena sentiu um olhar passar pelo colar antes de se afastar.
Talvez estivesse imaginando coisas.
Mas, à medida que atravessavam o salão, outras pessoas olhavam da mesma maneira.
Augusto a conduziu até uma mesa com pequenos pratos.
"Coma alguma coisa. Vou falar com um grupo ali."
Helena soltou seu braço com alívio.
"Posso ficar aqui?"
"Pode. Eu volto."
Ela pegou uma sobremesa pequena. A primeira colherada tinha gosto de creme e baunilha.
Augusto ainda não se afastara.
Tocou com o polegar uma marca no canto de sua boca.
Helena segurou o pulso dele por reflexo.
Não apertou. Apenas impediu o segundo movimento.
"Eu limpo", disse.
Ele a observou e baixou a mão.
"Está bem."
Helena pegou um guardanapo.
Quando ele se afastou, procurou um canto onde pudesse comer sem ser examinada.
Não percebeu o jovem de terno cinza, do outro lado do salão, que assistira ao toque e à pequena resistência com um sorriso interessado.
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