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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 12

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Três dias ao lado dele

Helena guardou as roupas no fundo da gaveta e voltou a telefonar no horário combinado.

Não contou a Lucas sobre o banho frio. Disse que levara uma bronca por voltar tarde, e ele se desculpou por não ter conferido sua bateria.

Ela respondeu que a culpa não era dele.

Era mais fácil dizer isso do que explicar de quem achava que era.

As semanas seguintes passaram entre leituras, exercícios e cafés curtos. Helena encontrou uma colega com quem conseguia conversar antes das aulas. Ainda não eram amigas, mas já tinham o hábito de guardar lugar uma para a outra.

Aquilo lhe pareceu um começo.

Quando se aproximou um feriado de abril, Lucas sugeriu uma viagem de dois dias.

"A gente pode ir com o pessoal. Alugar um lugar, fazer comida, voltar antes das aulas."

Helena pediu que lhe mandasse os detalhes.

Estava examinando as opções quando Marisa ligou.

"Seu tio me pediu um favor."

Helena se sentou mais direito.

"Que favor?"

"Ele vai participar de um fórum de investimentos em Curitiba. São três dias. Quer que você acompanhe."

Ela olhou para as fotografias da viagem no computador.

"Para quê?"

"Para ajudar. Ficar com os documentos, receber cartões, essas coisas. E fazer companhia nos jantares."

"Ele não tem assistente?"

"Tem, claro. Mas está oferecendo uma oportunidade para você."

Helena fechou o computador.

"Eu estudo literatura."

"E pode aprender outras coisas."

"Mãe, não sei fazer esse trabalho."

"Ninguém nasce sabendo. Ele disse que vai orientar."

Marisa parecia animada. Helena conseguia imaginá-la caminhando pela sala com o telefone na mão, satisfeita por ter sido procurada pelo cunhado.

"Eu já tinha combinado de sair."

"Com quem?"

"Com amigos."

"Você pode sair com amigos em qualquer fim de semana. Esse evento não acontece toda hora."

Helena ficou quieta.

A mãe tomou o silêncio como hesitação a ser resolvida.

"Augusto está incluindo você em coisas que muita gente pede para conhecer. Não tem obrigação nenhuma. Não quero que pense que minha filha é ingrata."

"Eu nunca fui ingrata."

"Então mostre. São três dias."

Helena encostou a testa na mão.

Perguntou os horários. Marisa disse que o assistente lhe passaria tudo.

Depois acrescentou que seria bom aprender a conversar com pessoas importantes, mesmo que escolhesse trabalhar com livros.

Helena concordou sem sentir que tivesse escolhido.

Naquela tarde, encontrou Lucas no restaurante perto do campus.

Ele abriu a conversa sobre a viagem assim que se sentaram.

"O pessoal fechou um lugar. Você viu as fotos?"

"Vi. Não vou conseguir ir."

O sorriso dele diminuiu.

"Aconteceu alguma coisa?"

"Minha família pediu que eu ajudasse num evento. Não dá para recusar."

"O evento do seu tio?"

Ela o olhou, surpresa.

"Tem cartaz em uns prédios. Um professor comentou que ia levar um grupo para uma das apresentações", Lucas explicou. "É esse?"

Helena assentiu.

"Então deve ser grande mesmo."

Ela mexeu no guardanapo.

Lucas percebeu que não estava feliz.

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"Você quer ir?"

Helena quis dizer não.

Mas, se dissesse, ele perguntaria por que não recusava. E aquilo levaria a uma conversa sobre a mãe, a casa e o homem que lhe telefonava todas as noites.

"Vai ser uma experiência", respondeu.

Lucas não insistiu.

"Depois você me conta como foi."

Ela agradeceu por ele não transformar a própria decepção em obrigação para ela.

No dia do evento, Helena acordou com a campainha.

Desceu de pijama, ainda tentando prender o cabelo.

Um homem de terno aguardava do lado de fora. Não era o motorista que costumava levá-la.

"Senhorita Helena? André Costa. Sou assistente do senhor Ferraz."

Ela abriu um pouco mais a porta.

"Bom dia. Você chegou cedo."

"O cronograma começa às nove. O senhor Augusto já está no hotel."

Helena olhou para o relógio.

Eram oito.

"Eu achei que começava mais tarde."

"Mandei os horários para seu endereço de e-mail ontem. Talvez tenham ido para a pasta de mensagens indesejadas."

Ela pegou o telefone e verificou. Estavam lá.

"Desculpa. Não olhei."

André não demonstrou irritação.

"Vinte minutos são suficientes para se preparar?"

Helena disse que sim e subiu depressa.

Escolheu uma camisa clara e uma calça preta. Não queria que ninguém tivesse motivo para comentar sua roupa.

Quando voltou, André estava examinando a agenda no tablet, junto da porta.

"Assim está bom?", ela perguntou antes de conseguir conter o impulso.

Ele ergueu os olhos.

"Está adequado."

A resposta a tranquilizou um pouco.

No carro, recebeu uma cópia impressa do programa. Visitas a empresas, reuniões, uma palestra de Augusto e jantares com horários que iam até muito depois do que esperara.

"Eu vou falar com alguém?"

"Se falarem com você, responda naturalmente. Não precisa fazer apresentações."

"E se perguntarem sobre um investimento?"

André quase sorriu.

"Diga que vai encaminhar a pergunta. É o que fazemos quando não temos a informação."

Helena guardou a frase.

Gostou de ter ao menos uma resposta pronta que não fosse fingir conhecimento.

"Sua função é acompanhar o senhor Ferraz, ajudar com os materiais e guardar o que ele lhe entregar. Eu cuido da parte de atendimento aos convidados. Se tiver dúvida, pode me procurar."

"Pode me chamar de Helena."

"Está bem, Helena."

Ela o olhou com uma gratidão pequena. A simplicidade daquela concordância lhe pareceu rara.

O hotel era grande, com uma equipe inteira organizando credenciais e orientando grupos.

André passou por uma fila sem entrar nela. Helena acompanhou, segurando o programa junto ao corpo.

Augusto estava numa poltrona, examinando uma pasta.

Ao vê-la, fechou os documentos.

"Bom dia."

"Bom dia, tio Augusto."

Ele olhou para André.

O assistente fingiu conferir a hora.

Helena lembrou a conversa do restaurante e sentiu calor no rosto.

"Aqui pode chamar de senhor Ferraz", Augusto disse. "Assim ninguém precisa explicar parentesco toda vez."

Ela assentiu, aliviada por receber uma alternativa.

Ele lhe entregou uma pasta menor.

"Guarde isto. Vou precisar na primeira reunião."

Helena a segurou com as duas mãos.

"Está bem."

Augusto se levantou. Um homem se aproximou para cumprimentá-lo, e os dois começaram a caminhar juntos.

Ela ficou um passo atrás, sem saber onde deveria se posicionar.

Augusto voltou o rosto.

"Ao meu lado, Helena."

Ela se aproximou.

Ele baixou a voz, para que apenas ela ouvisse.

"Nestes três dias, não saia sem me avisar."

Helena apertou a pasta contra o peito.

Antes mesmo da primeira reunião, já sentia que o trabalho mais difícil seria descobrir quanto espaço ainda poderia conservar ao lado dele.

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