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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 11

正文开头

A mulher que voltou tarde demais

Augusto chegou a São Paulo com a camisa da noite anterior e a sensação incômoda de não ter terminado o que fora fazer.

Helena estava dormindo quando saíra. Ou fingira dormir. Não abrira os olhos quando ele colocara o telefone carregado sobre a cabeceira.

No caminho para o aeroporto, André enviara a agenda reorganizada.

A reunião começaria em duas horas.

Augusto pediu que passassem primeiro em casa. Precisava trocar de roupa e dormir por vinte minutos. Não mais do que isso.

O assistente esperou no escritório, examinando documentos, até uma funcionária entrar com uma expressão cautelosa.

"A senhora Renata está no portão."

André levantou os olhos.

"Ela marcou?"

"Disse que o senhor a espera."

"Não espera."

A mulher ficou parada.

André largou a caneta e foi até a entrada.

Renata Valença já atravessava o jardim. Um empregado que trabalhava na casa desde o casamento a acompanhava, levando sua bolsa.

André percebeu imediatamente quem teria lhe contado que Augusto estava ali.

"Bom dia, senhora Renata. O senhor Ferraz não pode recebê-la agora."

"Espero."

"Hoje a agenda está cheia."

Ela parou e o olhou com um sorriso discreto.

"Você não precisa me explicar a agenda do meu marido."

André não corrigiu o substantivo.

Também não abriu caminho por iniciativa própria.

Renata entrou mesmo assim.

Vinte minutos depois, Augusto saiu do quarto já barbeado, com uma camisa limpa. Encontrou André no corredor.

"Ela está na sala", o assistente informou.

Augusto parou de ajustar o punho.

"Quem deixou entrar?"

André lhe deu o nome.

"Fale com a administração da casa. Quero que as orientações de acesso sejam cumpridas."

"Sim."

Augusto desceu.

Renata se levantou ao vê-lo. O vestido azul-marinho e os brincos pequenos lhe davam a elegância habitual, sem esforço aparente.

"Você parece cansado."

"Tenho pouco tempo."

"Pedi que preparassem alguma coisa para comer."

Ela indicou a mesa, onde uma bandeja de café já esperava.

Augusto olhou para a bandeja e depois para ela.

"Você continua dando ordens aos meus funcionários?"

Renata manteve o sorriso.

"Pedi um café. Não convoquei o conselho da empresa."

Ele se sentou, não para prolongar a visita, mas porque não gostava de discutir de pé na própria sala.

Renata ocupou a cadeira ao lado.

"Soube que tem viajado bastante."

"Trabalho."

"Curitiba agora virou uma prioridade?"

Augusto pegou a xícara.

"Diga o que veio dizer."

Ela afastou a colher, devagar.

"Quero conversar sobre nós."

"Não há nada pendente nessa parte."

"Você fala como se eu estivesse pedindo para revisar um contrato."

"Foi você que tornou necessário revisar tantos."

Renata olhou para a janela. A planta junto ao vidro continuava no mesmo lugar de quando morava ali.

"Eu me arrependo."

Augusto não respondeu.

Ela levou a mão até o braço dele. Antes que o tocasse, ele afastou a xícara e mudou a posição do corpo.

Renata recolheu os dedos.

"Você podia ao menos tentar me ouvir."

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"Estou ouvindo."

"Com essa cara, não."

Ele olhou para o relógio.

Renata viu o gesto e abandonou parte da suavidade.

"Nos conhecemos desde crianças. Nossos pais ainda se encontram. Você acha mesmo que dá para apagar isso com uma assinatura?"

"Não apaguei nossa história. Encerrei o casamento."

"Seus pais não queriam. Os meus também não."

"Nenhum deles estava casado com você."

Renata soltou uma risada sem humor.

"Quando queria alguma coisa, passava semanas fora. Eu ficava aqui, esperando sobrar uma hora. Depois achou um absurdo que eu também tivesse uma vida."

Augusto pousou a xícara.

"Nunca pedi que ficasse esperando na janela."

"Pediu que fosse discreta."

"E você não foi. Mesmo assim, isso não teria causado o que aconteceu se tivesse respeitado o limite que combinamos."

Ela desviou os olhos.

"Eu estava pressionada."

"Todos estavam. Só você teve acesso aos documentos porque era minha esposa."

Renata cruzou os braços.

"Meu pai dizia que vocês queriam destruir a empresa dele."

"Então você entregou informações do meu escritório."

"Eu não imaginei que causaria aquele prejuízo."

"Imaginou que me derrotariam e eu continuaria chamando você para jantar?"

A pergunta a fez se calar.

Augusto se levantou.

Renata foi atrás e lhe segurou a manga.

"Eu errei. Estou dizendo que errei. O que mais quer que eu faça?"

Ele olhou para a mão dela.

"Solte."

Ela não soltou imediatamente.

"Augusto, por favor. Não jogue fora a possibilidade de termos alguma coisa boa de novo."

Ele retirou a manga dos seus dedos sem puxar com força.

"Eu não quero voltar. Isso não depende de você encontrar uma frase melhor."

Renata respirou fundo, tentando recuperar a compostura.

"Não quer agora."

"Não quero."

O rosto dela endureceu.

Ele reconhecia aquela mudança. A mulher que pedira compreensão e a que procurava uma vantagem eram a mesma pessoa; apenas escolhiam palavras diferentes.

Não sentia raiva da familiaridade. Sentia cansaço.

"Você está me castigando porque minha família precisa de ajuda", ela disse.

"Sua família precisa de ajuda porque fez escolhas ruins."

"E você está aproveitando."

"Sim."

A resposta simples pareceu surpreendê-la mais do que uma discussão.

Augusto olhou para André, que aguardava à distância.

"Acompanhe Renata até o carro."

Ela pegou a bolsa da cadeira.

Antes de sair, se voltou.

"Eu conheço você. Quando começa a fechar portas desse jeito, tem alguma coisa que não quer que eu veja."

Augusto não lhe ofereceu uma explicação.

Foi até o escritório e fechou a própria porta.

Do lado de fora, Renata parou no jardim para procurar o batom. Retocou a boca usando um pequeno espelho, sem a expressão abatida de minutos antes.

André esperou.

"Ele chegou de viagem hoje?", ela perguntou.

"Não posso comentar a rotina pessoal do senhor Ferraz."

"Você podia ter dito não sei. Essa frase é muito mais reveladora."

André permaneceu em silêncio.

Renata guardou o espelho.

"Curitiba", murmurou. "Quem diria."

Entrou no carro sem se despedir.

No escritório, Augusto recebeu uma mensagem da pessoa que cuidava da casa de lá. Helena descera para almoçar e pedira que não jogassem suas roupas fora.

Ele leu até o fim.

Depois respondeu que as roupas podiam ficar.

Uma concessão pequena. Talvez ela percebesse.

Pegou os documentos da reunião e saiu, sem saber que Renata já começava a procurar alguém disposto a falar sobre suas viagens.

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