标题上

"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 9

正文开头

Uma noite que fosse minha

Helena levou três dias para desfazer a mala na casa de Augusto.

No primeiro, deixou tudo fechado ao lado da cama, como se ainda fosse hóspede por uma noite. No segundo, retirou os livros porque precisava deles. No terceiro, pendurou as roupas para que não amassassem.

Quando percebeu, seus objetos já estavam espalhados por um quarto que não escolhera.

Na residência estudantil, entregara a chave e pedira informações sobre a saída. O funcionário fora educado. Não tentou convencê-la a ficar.

As duas moças com quem dividiria o quarto ainda não tinham chegado quando buscou a mala.

Nunca soube como se chamavam.

Augusto voltou a São Paulo na manhã seguinte ao café. Antes de ir, pediu que ela lhe telefonasse ao chegar da universidade.

"Todos os dias?", Helena perguntou.

"É tão difícil assim?"

Ela disse que não.

Durante duas semanas, cumpriu.

Os telefonemas eram curtos. Ele perguntava das aulas, da comida, se tinha dormido bem. Às vezes, atendia de uma sala cheia e pedia que esperasse. Helena ficava ouvindo o trabalho dos outros até ele voltar à conversa.

Não sabia por que precisava provar, diariamente, que estava dentro da casa.

A senhora que cuidava do lugar se chamava Célia. Chegava de manhã, deixava o almoço pronto e ia embora no meio da tarde.

Era gentil, mas estava trabalhando. Quando Helena tentava ajudar, dizia que não precisava.

O quarto continuava limpo sem que ela levantasse um pano. A geladeira era reabastecida antes que notasse a falta de alguma coisa.

Sua rotina ficou fácil e solitária.

Na universidade, os grupos se formavam durante as horas em que as outras estudantes voltavam juntas para a residência, conversavam nas cozinhas e combinavam o dia seguinte.

Helena era a menina que chegava, assistia às aulas e ia embora.

Algumas colegas falavam com ela. Não havia hostilidade, mas ainda não havia intimidade.

Lucas sempre tentava encontrá-la entre os horários.

Ela aceitava um café, um almoço, uma caminhada até o ponto. Depois voltava para a casa antes que tivesse de explicar por que estava atrasada.

À noite, ligava para Marisa.

Na terça, a mãe estava se preparando para um jantar. Na quinta, acompanhava Eduardo a uma consulta. No sábado, atendia enquanto escolhia a roupa para uma reunião de amigas.

"Mais tarde te ligo, meu amor."

Às vezes ligava. Às vezes esquecia.

Helena não cobrava.

Mas, depois da terceira conversa interrompida, ficou olhando a tela apagada por tempo demais.

Augusto tinha feito parecer inevitável que ela se tornasse uma presença secundária. Queria provar que ele estava errado, não descobrir que bastava esperar.

Naquela sexta-feira, uma professora anunciou um exercício em dupla. Helena olhou ao redor e viu pessoas se aproximando de amigos que já tinham escolhido antes da explicação terminar.

Uma estudante perguntou se ela queria trabalhar junto.

Helena agradeceu com um entusiasmo que a deixou envergonhada depois.

Ao sair, Lucas a encontrou perto do portão.

正文1

"Você está livre hoje?"

"Tenho leitura."

"Tem sempre leitura."

"O curso é Letras. Não posso dizer que me enganaram."

Ele riu, mas continuou observando seu rosto.

"Uns amigos vão sair. Um bar com música. Você podia ir."

Helena balançou a cabeça.

"Não gosto muito de bar."

"Já foi?"

"Não."

"Então talvez não goste da ideia. É diferente."

Ela ajeitou a mochila.

"Minha mãe não gosta."

Lucas não respondeu imediatamente.

"Você falou com ela sobre isso?"

"Não preciso. Eu sei."

Ele apoiou a mão na grade, sem bloquear sua passagem.

"Helena, você está sempre indo para algum lugar onde precisa ficar quieta. No quarto, na aula, naquela casa. Hoje podia ser diferente."

Ela se sentiu exposta.

"Você não sabe como é minha casa."

"Você me disse que janta sozinha."

Helena olhou para a rua.

Ele tinha razão. Ela mesma falara, numa conversa curta, como se não importasse.

"Não estou pedindo para fazer nada que não queira", Lucas acrescentou. "Só achei que pudesse se divertir. Vai ter gente legal. Não precisa beber."

Helena pensou na sala silenciosa, no jantar servido numa travessa coberta, no telefone obrigatório depois.

Pela primeira vez, sentiu vontade de desobedecer sem ter uma emergência que justificasse.

"Que horas?"

Lucas sorriu.

"Oito."

"Eu posso ir embora quando quiser?"

"Claro. Eu vou com você."

Ela decidiu passar no shopping antes de voltar para casa. Escolheu um short, uma blusa de alças e um par de brincos simples.

Ao experimentar, quase devolveu a blusa. A mãe talvez achasse curta. Augusto certamente teria alguma coisa a dizer.

Helena olhou novamente para o espelho.

Comprou.

Uma vendedora de maquiagem lhe ofereceu testar uma cor. Ela aceitou, depois pediu que tirasse o excesso perto dos olhos.

"Assim?"

Helena sorriu para o próprio reflexo.

"Assim."

Lucas a esperou à entrada do bar. Ao vê-la, passou a mão no cabelo e abriu um sorriso que não conseguiu disfarçar.

"Agora você vai ter que me dar um minuto."

"Por quê?"

"Para eu lembrar como se conversa."

Ela riu e o empurrou de leve com o ombro.

Na mesa, os amigos abriram espaço. Havia três garotas e quatro rapazes, todos da área de computação. Um deles anunciou que finalmente conheceriam a pessoa que fizera Lucas aprender o caminho do prédio de Letras.

Lucas mandou que parasse.

Helena ficou vermelha, mas ninguém insistiu depois de notar seu constrangimento.

Uma das garotas lhe ofereceu água e começou a contar sobre um professor que perdera o arquivo da própria aula. Helena ouviu, riu e, sem perceber, respondeu com uma história de sua escola.

A conversa passou a incluir suas frases.

Quando alguém propôs um jogo, ela aceitou. Quando sugeriram um drinque, decidiu experimentar um fraco, com frutas.

Lucas perguntou se estava gostando.

Ela respondeu que sim, sem precisar acrescentar uma desculpa.

Mais tarde, foi dançar com as garotas. Não sabia os movimentos, errou o ritmo e riu de si mesma. Uma delas segurou suas mãos para mostrar como acompanhar.

Helena se lembrou da praia.

Da liberdade de ser apenas alguém aprendendo uma coisa nova.

Quando saíram, alguns decidiram continuar a noite num karaokê. Ela estava animada e aceitou antes de olhar o relógio.

O telefone ficou na bolsa. Passara o dia sem carregar, ouvindo áudio e procurando livros entre uma aula e outra.

Não percebeu a primeira vibração.

Nem a segunda.

No karaokê, cantou uma música inteira sem conhecer o final. Lucas inventou as palavras ao seu lado. A mesa aplaudiu o desastre.

Ela riu até os olhos lacrimejarem.

Em São Paulo, Augusto olhou a hora pela terceira vez.

A ligação para Helena não foi atendida. Tentou novamente, aguardando até o aviso da caixa postal.

Abriu as câmeras da casa.

A sala estava vazia. A luz da cozinha, apagada. No quarto, a cama permanecia arrumada.

Tornou a telefonar.

Dessa vez, ouviu que o aparelho estava desligado.

Augusto apoiou o telefone sobre a mesa e ficou olhando a tela escura. Poucos segundos depois, pegou-o outra vez.

Ligou para André.

"Preciso chegar a Curitiba esta noite."

O assistente perguntou se devia mudar a reunião da manhã seguinte.

"Mude."

Augusto encerrou a ligação antes da próxima pergunta.

No karaokê, Helena recebeu o microfone novamente e não pensou em recusar.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部