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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 7

正文开头

A chave era o meu dedo

Augusto voltou à mesa e guardou o telefone.

"Estão cuidando disso."

Helena ergueu o rosto.

"Ele vai sair?"

"Assim que terminarem os procedimentos. Pedi que me avisassem."

Ela pegou o próprio celular para escrever a Lucas. A mensagem ficou com apenas um sinal de envio.

"Talvez ele esteja sem o aparelho", Augusto disse. "Você vai falar com ele amanhã."

Helena assentiu, mas não largou o telefone até a comida ser retirada.

Quando se levantaram, percebeu que o cansaço finalmente alcançara suas pernas. O restaurante parecia muito distante da rua onde tudo acontecera.

Augusto caminhou à sua frente. Do lado de fora, o ar frio atravessou o casaco leve, e ela espirrou.

Ele parou.

"Você trouxe outra roupa?"

"Na mala."

Augusto tirou o paletó e o colocou sobre seus ombros. O tecido pesado reteve um pouco do calor de seu corpo.

"Assim fica melhor."

"Obrigada, tio..."

Helena interrompeu a palavra ao perceber o olhar dele.

"Obrigada", corrigiu.

Augusto não a obrigou a tentar novamente. Pediu um carro por telefone; não dirigiria depois do vinho. Ela entrou no banco de trás, segurando as abas do paletó para não arrastá-las.

"O endereço da residência é..."

"Vamos para a minha casa", ele disse ao motorista.

Helena se virou.

"Minha mala está na universidade."

"Você busca amanhã."

"Não. Eu tenho uma cama lá. Já peguei a chave."

"Ouvi."

Ele continuou olhando para a frente.

Helena levou alguns segundos para entender que aquilo não era uma confusão de endereços.

"Eu preciso voltar. Ainda nem conheci as meninas que vão dividir o quarto comigo."

"Depois de hoje, prefiro que fique num lugar mais tranquilo."

"O quarto é tranquilo. A confusão aconteceu na rua."

Augusto virou o rosto devagar.

"Não estou discutindo a qualidade do seu quarto."

Ela apertou o telefone no colo.

"Você falou que ia ajudar. Não falou que eu precisava mudar de casa."

"Estou ajudando."

"Sem me perguntar."

A frase deixou o carro silencioso.

Helena olhou para o motorista, esperando que a presença de outra pessoa tornasse Augusto mais cuidadoso. O homem manteve os olhos no trânsito.

"Sua mãe concordaria comigo", Augusto disse.

"Então eu ligo para ela."

"Pode ligar."

Não havia desafio na voz. Ele parecia sinceramente seguro do resultado.

Helena desbloqueou a tela. Imaginou a mãe ouvindo as palavras polícia, homem, briga, madrugada. Depois imaginou explicar que rejeitara uma casa confortável oferecida pelo irmão do marido.

O dedo parou antes de alcançar o contato.

"Você prometeu não contar."

"Não vou contar o que aconteceu hoje. Posso explicar que ofereci um lugar melhor para você morar."

Ela baixou o celular.

Augusto observou o movimento, depois ajeitou o paletó sobre seu braço.

"Não estou levando você para um lugar perigoso, Helena. É uma casa perto da universidade. Tem espaço para estudar e segurança."

"E você?"

"O que tem eu?"

"Você mora lá?"

"Não. Uso quando estou na cidade. Tenho outros lugares onde ficar."

正文1

Um pouco do medo cedeu.

Não o suficiente para fazê-la gostar da ideia.

O carro passou por ruas que ela não reconhecia, depois entrou num condomínio com árvores altas e iluminação discreta. Na portaria, o funcionário reconheceu Augusto antes de pedir qualquer informação.

Helena viu a cancela subir.

Não sabia se conseguiria sair com a mesma facilidade.

A casa tinha dois andares e janelas grandes, protegidas do exterior por vegetação. Augusto pagou o motorista e caminhou até a porta.

"Venha aqui."

Helena se aproximou, sem tirar o paletó.

Ele tocou o painel da fechadura, digitou uma sequência e estendeu a mão.

"Me dê o dedo."

"Para quê?"

"Cadastrar sua digital. Ou prefere depender de alguém para abrir a porta?"

Ela lhe ofereceu a mão.

Augusto segurou seu pulso com uma delicadeza que não diminuía a sensação de estar sendo conduzida. Posicionou o indicador sobre o sensor, retirou, pediu que pressionasse novamente.

O aparelho emitiu um som curto.

"Pronto. Teste."

Ele trancou a porta. Helena encostou o dedo, e o mecanismo se abriu.

Sua mão continuou suspensa um instante.

Tinha acesso à casa de um homem que mal conhecia. Não sabia como aquilo se tornara uma solução tão depressa.

Augusto acendeu as luzes.

O interior era cinza, branco e madeira escura. Nenhuma fotografia. Nenhum casaco esquecido numa cadeira. Até os livros pareciam ter sido colocados na estante por alguém que conferira as alturas.

Helena entrou sem fazer barulho.

"O quarto de hóspedes fica em cima", ele disse. "O banheiro é só seu. Amanhã uma pessoa vem cuidar da comida e da limpeza."

"Não precisa trazer alguém por minha causa."

"A pessoa já trabalha aqui."

Ela ficou sem resposta.

Augusto foi à cozinha, trouxe água e se sentou numa poltrona. Helena escolheu a ponta do sofá mais distante.

Tirou o paletó, dobrou-o cuidadosamente e o deixou ao lado.

"Pode descansar", ele disse. "Não precisa ficar sentada desse jeito."

Ela não conseguia relaxar.

O relógio na parede marcava uma hora que a fez pensar no quarto vazio da residência, no livro sobre a mesa, no carregador que deixara lá.

"Eu não trouxe roupa", disse.

"Há coisas no armário. Pode usar alguma camisa até amanhã."

Helena assentiu.

O silêncio voltou. Augusto apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos.

Ela esperou que ele se levantasse para ir embora.

Um minuto. Outro.

"Você está esperando que eu vá?"

Helena endireitou o corpo.

"Não."

Augusto abriu os olhos.

Ela se arrependeu da mentira, mas não sabia como desfazê-la sem parecer grosseira.

"É tarde", acrescentou. "Se quiser descansar um pouco antes..."

"Posso ficar esta noite."

Helena sentiu o estômago afundar.

Não fora aquilo que tentara oferecer.

Augusto pegou o copo.

"Fico no quarto de baixo. Você tem o andar de cima inteiro."

Ela olhou para a escada.

"Está bem."

"Precisa de mais alguma coisa?"

Precisava que ele não tivesse vindo buscá-la, que Lucas já estivesse livre, que ainda fosse possível voltar ao início do dia.

"Não. Boa noite."

Subiu antes que a conversa recomeçasse.

No quarto, fechou a porta e verificou a maçaneta duas vezes. Encontrou toalhas limpas, sabonete e um armário com algumas camisas masculinas em cabides iguais.

Escolheu uma branca, comprida o suficiente para servir de roupa de dormir. Deixou o telefone carregando numa entrada USB da cabeceira e tomou um banho rápido.

Quando saiu, a casa continuava em silêncio.

Dobrou a própria roupa, sentou na cama e abriu a conversa com Lucas. Ainda não havia resposta.

"Estou bem. Me avisa quando puder falar."

Apagou a luz.

O colchão era macio, o quarto tinha a temperatura certa, e nada deveria impedi-la de dormir.

Mesmo assim, ficou ouvindo o corredor até seus olhos arderem.

No andar de baixo, Augusto enviou uma mensagem a André Costa, seu principal assistente. Pediu que acompanhasse o caso do rapaz e organizasse o transporte dos pertences de Helena, caso ela concordasse em permanecer na casa.

Depois abriu outro aplicativo.

A imagem do quarto de hóspedes apareceu na tela. O sistema de vigilância estivera instalado muito antes daquela noite, mas ele não mencionara as câmeras a Helena.

Ela estava sentada na cama, abraçando os joelhos. O telefone iluminava seu rosto.

Augusto ficou observando até ela se deitar.

Não tocou em nenhum dos arquivos de trabalho que aguardavam sua leitura.

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