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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 6

正文开头

Me chame pelo nome

Augusto atendeu antes do terceiro toque.

"Helena?"

Ouvir a voz dele quase a fez chorar de alívio.

"Desculpa ligar tão tarde. Eu preciso de ajuda."

"Onde você está?"

Ela informou o endereço, tropeçando em parte do nome da rua. A policial apontou para uma placa, e Helena repetiu corretamente.

"O que aconteceu?"

"Um homem encostou em mim. O Lucas viu... Eu contei para ele, e ele bateu no homem. Trouxeram a gente para cá."

O silêncio no outro lado durou pouco, mas Helena o sentiu inteiro.

"Você está machucada?"

"Não."

"Tem certeza?"

"Tenho. Só estou com medo."

"Fique onde está. Não saia com ninguém até eu chegar."

"Você vem?"

"Vou."

Ela fechou os olhos por um instante.

"Obrigada, tio."

Augusto desligou.

A policial lhe mostrou onde poderia esperar. Helena se acomodou numa cadeira de plástico, perto de uma máquina de café que não funcionava.

O telefone continuou na mão.

Lucas não estava à vista. Quando perguntou por ele, ouviu que ainda conversavam em outra sala.

Ela começou a escrever uma mensagem para a mãe. Apagou antes de enviar.

Primeiro precisava resolver. Depois decidiria como contar.

Os minutos se estenderam. O frio do piso parecia subir pelas solas dos tênis. Helena abraçou a própria cintura e apoiou o cotovelo na cadeira.

Tentou recordar a sequência dos acontecimentos, com medo de esquecer alguma coisa importante.

O cigarro. A camisa cinza. O sorriso.

A mão que não pedira permissão.

Sentiu o estômago se contrair e interrompeu a lembrança.

Um movimento perto da entrada a fez levantar o rosto.

Augusto estava parado a poucos passos.

O paletó não parecia ter perdido uma única linha desde o aeroporto. Apenas a gravata estava um pouco mais baixa no pescoço.

Helena se levantou imediatamente.

"Tio..."

"No primeiro dia?"

Ela apertou os dedos um contra o outro.

"Não foi de propósito."

"Imagino."

Não parecia imaginar nada de bom.

Augusto olhou para a policial que se aproximava, apresentou-se e ouviu a orientação sobre a sala onde poderiam conversar.

Antes de entrar, voltou-se para Helena.

"Espere aqui."

Ela assentiu.

Viu a porta se fechar atrás dele e se sentou outra vez.

Agora que ele chegara, tudo parecia menos impossível. Mesmo com a expressão severa. Mesmo com aquela pergunta que fizera a vergonha crescer.

Helena não queria passar a noite dependendo dele, mas também não sabia o que faria se ele não tivesse vindo.

Quando a porta se abriu novamente, ela já estava em pé.

Augusto guardava o telefone no bolso.

"Pode vir."

"E o Lucas?"

"Ainda não terminou."

Helena olhou para o corredor.

"Então eu espero."

Augusto parou.

"Você já contou o que precisava. Não há motivo para ficar nessa cadeira até de manhã."

"Não posso ir embora sem ele."

Um funcionário passou entre os dois, carregando uma pasta. Augusto esperou que se afastasse.

"Helena, não vou discutir isso aqui."

"Ele fez aquilo para me ajudar."

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"E decidiu resolver com um soco."

Ela sentiu os olhos encherem.

"Eu sei que não devia. Mas o homem estava rindo de mim. Ele..."

Sua voz falhou.

Augusto olhou para seu rosto, depois para o copo de água que ela deixara sobre a cadeira.

"Você está tremendo. Vamos comer alguma coisa."

"Eu não quero comer."

"Eu quero que você coma. Depois conversamos."

A firmeza da voz fez Helena recolher as palavras seguintes.

A policial disse que, se precisassem de alguma informação adicional, entrariam em contato. Helena deixou o número, perguntou mais uma vez por Lucas e recebeu a mesma resposta cautelosa.

Saiu com Augusto, olhando para trás até a porta desaparecer.

No carro, ele lhe entregou uma garrafa de água.

Ela abriu sem beber.

"Minha mãe sabe?"

"Ainda não."

"Você vai contar?"

Augusto ligou o motor.

"Vamos conversar antes."

Helena ouviu aquilo como uma possibilidade de negociação.

Guardou o telefone no colo e esperou.

Ele parou diante de um restaurante que ainda tinha mesas ocupadas. Um funcionário abriu a porta, chamou Augusto pelo sobrenome e ofereceu uma área mais reservada.

Helena o seguiu.

O ambiente estava quente. Havia um aquário grande na parede e uma música baixa, tocada ao piano, que parecia pertencer a uma noite completamente diferente da sua.

Augusto afastou a cadeira para ela.

Ela se sentou, desajeitada, e segurou a bolsa contra as pernas.

"Pode deixar aqui", ele disse, apontando a cadeira vazia ao lado.

Helena obedeceu.

Quando o garçom trouxe o cardápio, ela quase não o abriu.

"Qualquer coisa."

Augusto a observou.

"Escolha uma coisa que consiga comer."

Ela pediu uma sopa e um prato pequeno de carne com legumes. Ele acrescentou peixe assado e uma entrada, depois escolheu vinho para si.

Assim que ficaram sozinhos, Helena se inclinou para a frente.

"Tio, por favor, você não consegue ajudar o Lucas também?"

"A comida já vem."

"Não estou falando da comida."

Augusto ergueu os olhos.

Ela percebeu o tom que usara e se endireitou.

"Desculpa. Estou nervosa."

"Eu percebi."

Ele abriu o guardanapo e o colocou sobre o colo.

"Beba água."

Helena bebeu, embora aquilo não diminuísse a urgência.

A sopa chegou primeiro. Segurou a colher, levou uma pequena quantidade à boca e percebeu que estava com mais fome do que imaginava.

O calor lhe trouxe um alívio imediato.

Augusto acompanhou o movimento sem comentar.

Ela comeu mais duas colheradas.

Quando o peixe chegou, ele perguntou ao garçom sobre o molho, depois ofereceu uma porção a Helena.

"Experimente."

"Eu já pedi um prato."

"Uma porção pequena não vai atrapalhar."

Ela aceitou. Estava bom, com a pele levemente crocante e um sabor de ervas que não sabia identificar.

"Gostou?"

Helena assentiu.

"Muito. Obrigada, tio."

Augusto pousou a taça.

Ficou um instante olhando para ela, como se a palavra tivesse estragado alguma coisa.

"Tenho trinta e oito anos."

Helena baixou a colher.

"Eu... não perguntei."

"Eu sei."

Ela esperou.

正文2

Augusto apoiou o antebraço na mesa.

"Não sou tão velho quanto você parece pensar."

"Eu não disse que você era velho."

"Você diz tio a cada duas frases."

Helena sentiu o rosto esquentar.

"Minha mãe pediu para chamar assim. Você é irmão do meu padrasto."

"Isso eu também sei."

Ela baixou os olhos para o prato.

Não compreendia o que fizera de errado. Se o chamasse apenas pelo nome diante da mãe, ouviria depois que não tinha educação.

"Desculpa se parece que estou usando o parentesco para pedir coisas. Eu não queria incomodar. Só não sabia para quem ligar."

A explicação saiu de uma vez, acompanhada da vontade de chorar novamente.

Augusto não respondeu logo.

Helena pousou o guardanapo sobre a mesa, sem saber onde colocar as mãos.

"Olhe para mim", ele pediu.

Ela ergueu o rosto.

"Você não incomodou. Se não quisesse vir, eu não teria vindo."

Por um momento, ela conseguiu respirar melhor.

Então ele acrescentou:

"Mas aqui, quando estiver comigo, pode me chamar de Augusto."

Helena ficou olhando para ele.

"Não consigo."

"Por quê?"

"Porque seria estranho."

"Para quem?"

"Para mim. Para minha mãe. Para o Eduardo."

"Eles não estão aqui."

A música continuava tocando. O garçom passou do lado de fora da divisória e não entrou.

Helena descobriu que preferia o barulho do posto policial àquela privacidade.

"Você é uma pessoa mais velha", disse, escolhendo as palavras. "Minha mãe me ensinou a ter respeito."

"Respeito não depende de me chamar de tio."

"Eu sei, mas..."

"Helena."

Ela parou.

Augusto não parecia zangado. Isso tornava a insistência mais difícil de combater. Não podia pedir que parasse de gritar, porque ele falava baixo.

"Vamos fazer assim", disse. "Você tenta me chamar pelo nome, e eu vejo o que posso fazer para ajudar seu amigo."

Helena ergueu os olhos de imediato.

"Você consegue tirar ele de lá?"

"Consigo falar com as pessoas certas para que a situação seja examinada sem demora. Isso inclui o que aconteceu com você. Não vou permitir que aquela parte desapareça porque seu amigo reagiu mal."

Ela apertou o guardanapo.

"E a faculdade?"

"Se houver alguma questão com a universidade, ajudo vocês a esclarecê-la."

"Minha mãe não precisa saber hoje?"

Augusto sustentou seu olhar.

"Não por mim."

Helena sentiu esperança pela primeira vez desde a confusão.

O pedido dele parecia pequeno diante de tudo aquilo. Uma palavra. Apenas um nome que outras pessoas usavam todos os dias.

Mas sua garganta se fechou quando tentou dizê-lo.

Augusto esperou, sem pegar novamente a taça.

Ela olhou para a água, para o prato, para os dedos dele sobre a mesa.

Pensou em Lucas, sozinho na outra sala, sem saber se ela voltaria.

"Augusto."

A voz saiu baixa.

Ele não sorriu imediatamente. Primeiro respirou fundo, como se tivesse acabado de ouvir uma resposta importante.

"Assim está melhor."

Helena sentiu o rosto queimar.

"Por favor, ajude ele."

"Olhe para mim quando pedir."

Ela obedeceu, com os olhos úmidos.

"Augusto, por favor."

O nome pareceu íntimo na segunda vez. Não porque ela quisesse que fosse, mas porque ele fizera todo o resto desaparecer para ouvi-lo.

Augusto pegou o telefone.

"Coma enquanto eu resolvo."

Levantou-se e caminhou até a lateral do aquário. Falou com alguém, ouviu, passou outra ligação e deu informações que Helena reconheceu do que contara na polícia.

Ela se obrigou a levar mais uma colherada à boca.

Do outro lado da sala, Augusto olhou para ela enquanto falava.

Helena desviou os olhos, depois se forçou a olhar novamente. Precisava saber se estava dando certo.

Ele fez um pequeno gesto afirmativo.

O alívio veio, mas não veio sozinho.

Helena baixou a colher e apoiou a mão no colo para esconder que ainda tremia.

Não sabia explicar por que dizer aquele nome parecia ter mudado alguma coisa entre os dois.

Só sabia que, ao ouvi-lo encerrar a ligação, já não conseguia se convencer de que tinha pedido ajuda a um tio.

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