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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 5

正文开头

A primeira vez que eu precisei dele

"Helena! Aqui!"

Lucas deixou o lugar à sombra e correu até o carro antes que ela terminasse de puxar a mala.

Usava uma camiseta branca, jeans e um tênis que já estava sujo de terra. Ao vê-lo, Helena percebeu o quanto passara as últimas horas tentando manter o próprio corpo imóvel.

Soltou os ombros.

"Você está aqui há muito tempo?"

"Tempo suficiente para aprender onde fica a biblioteca e esquecer o caminho de volta."

Pegou a alça da mala, agradeceu ao motorista e apontou para o portão.

"Vamos?"

O motorista ofereceu esperar. Helena agradeceu, mas disse que estava acompanhada e não precisaria de mais nada.

Foi a primeira decisão que conseguiu tomar sem que alguém a corrigisse naquele dia.

Lucas lhe entregou uma garrafa de água.

"Sua mãe mandou um grupo de segurança com você?"

"Quase."

"Está brincando?"

"Ainda bem que estou."

Ele riu e deixou o assunto morrer.

Havia estudantes carregando caixas, famílias conferindo mapas e veteranos que ofereciam orientação em mesas improvisadas. Alguém derrubou uma pilha de folhetos; três pessoas se agacharam para ajudar.

Helena parou para segurar uma das caixas enquanto uma moça amarrava o tênis.

Ninguém reparou no preço da sua mochila. Ninguém perguntou pelo casamento da mãe.

Lucas procurou o setor de atendimento e a acompanhou até a porta.

"Agora é com você. Se eu entrar, vão querer me matricular em Letras também."

"Acho que não iam aceitar seu repertório de duas piadas sobre Machado de Assis."

"Três. Preparei outra durante o voo."

Ela saiu meia hora depois com as orientações e os documentos conferidos. A vaga na residência já estava confirmada; só precisava buscar a chave e guardar suas coisas.

Lucas a ajudou a encontrar o prédio, mas ficou do lado de fora quando ela entrou.

No quarto, duas camas já estavam ocupadas por malas. A terceira ficava junto da janela.

Helena colocou seus livros sobre a mesa e passou a mão no colchão fino.

Era muito menos confortável do que a cama na casa de Eduardo.

Gostou mesmo assim.

Ligou para Marisa, mostrou o quarto e ouviu a mãe reclamar do espaço.

"Não cabe nem metade das suas roupas."

"Cabe o que eu trouxe."

"E esse banheiro é dividido?"

"Mãe, é uma residência de estudantes."

"Eu sei, mas você podia morar melhor."

Helena olhou para a janela aberta. Um grupo ria no pátio.

"Eu estou bem aqui. Depois a gente conversa, tá? Vou comer."

Marisa pediu que agradecesse a Augusto pela viagem.

"Já agradeci."

Desligou antes que a mãe encontrasse mais alguma coisa para questionar.

Lucas estava encostado numa árvore, mexendo no telefone.

Guardou o aparelho assim que a viu.

"Missão cumprida?"

"Cumprida."

"Então agora eu vou salvar você da fome."

Comeram num restaurante simples perto da universidade. Helena escolheu arroz, feijão, frango e salada. Lucas colocou tanta comida no prato que ela duvidou que pudesse terminar.

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Ele terminou.

"Você estava guardando fome desde São Paulo?"

"Desde ontem. Minha mãe achou que eu precisava comer toda a comida da casa antes de ir embora."

Helena riu com a boca fechada, ainda mastigando.

Quando saíram, Lucas lhe mostrou as ruas ao redor e uma livraria pequena. Ela quis entrar. Ele a acompanhou sem olhar o relógio, segurando a sacola de documentos enquanto ela examinava os livros usados.

"À noite tem um evento perto do rio", disse, quando voltaram à calçada. "Música, comida, umas lanternas bonitas. Vi o anúncio no hostel."

"Você vai?"

"Queria ir com você."

Helena pensou na advertência de Augusto.

Depois olhou para Lucas, que aguardava uma resposta sem se aproximar mais.

"Eu só preciso voltar cedo."

"A gente volta. Se você ficar cansada, me fala."

Aceitou.

No começo da noite, a cidade tinha esfriado um pouco. Helena levou um casaco leve e encontrou Lucas no local combinado.

Ele olhou para ela, depois pareceu esquecer a frase que ia dizer.

"O quê?", ela perguntou.

"Nada. Você está bonita."

Helena ajeitou a manga do casaco.

"É a mesma roupa de hoje."

"E hoje você estava bonita também."

Ela virou o rosto para esconder o sorriso.

Caminharam entre barracas e pessoas que paravam para fotografar as luzes. A música vinha de um palco pequeno. Lucas comprou dois salgados e esperou que ela escolhesse qual queria.

Ficaram junto da grade, olhando os reflexos na água.

"Posso falar uma coisa sem você achar que estou brincando?"

A seriedade na voz dele a fez erguer os olhos.

"Pode."

Lucas passou a mão no cabelo.

"Eu gosto de você. Faz tempo."

Helena ficou quieta.

Ele soltou uma risada nervosa.

"Eu ensaiei uma fala muito melhor. Na minha cabeça, pelo menos."

"Não precisa ensaiar."

"Precisa um pouco. Você me deixa sem saber o que dizer."

Ela olhou para os dedos dele apoiados na grade, próximos dos seus.

Gostava de Lucas. Gostava de vê-lo chegar, de conversar sem preparar cada resposta, de poder rir sem depois sentir vergonha.

Mas a ideia de assumir aquilo parecia abrir outra porta que ainda não estava pronta para atravessar.

"Eu não sei se quero namorar agora", disse com cuidado. "Acabei de chegar. Tenho um monte de coisa para organizar."

Lucas assentiu, embora o sorriso tivesse diminuído.

"Tudo bem. Eu não estou pedindo para você decidir hoje."

"Não quero que fique esperando uma coisa que eu não prometi."

Ele olhou para ela.

"Então não promete. Só deixa eu te conhecer fora da escola também."

Helena sorriu de leve.

"Você já me conhece."

"Conheço a menina que corrigia meu trabalho e reclamava da minha letra. Quero conhecer a universitária que me obrigou a esperar vinte minutos numa livraria."

"Você podia ter ido embora."

"Não queria."

A resposta a deixou com as faces quentes.

Lucas tocou a ponta dos seus dedos, sem fechá-los na mão.

"Se um dia quiser tentar, me fala."

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Ela assentiu.

Permaneceram ali até a música mudar. Não havia nada em Lucas que a fizesse querer diminuir o próprio espaço.

Quando decidiram voltar, a saída estava cheia. Um funcionário indicava outra passagem, e as pessoas se acumulavam perto de um cruzamento.

Lucas virou para perguntar se ela preferia esperar.

Foi nesse instante que Helena sentiu a mão de um desconhecido apertar seu corpo por trás.

Virou-se bruscamente.

Um homem de camisa cinza estava a poucos passos. Segurava um cigarro e sorria, como se o susto dela fosse uma brincadeira particular entre os dois.

Helena puxou o casaco para baixo.

O rosto ardeu.

"O que aconteceu?", Lucas perguntou.

Ela olhou ao redor, com vergonha de dizer em voz alta diante de tanta gente.

Mas o homem continuava olhando.

"Aquele ali encostou em mim. De propósito."

Lucas acompanhou seu olhar.

"Onde?"

Ela lhe contou, baixinho.

A expressão dele mudou tão depressa que Helena não conseguiu segurá-lo a tempo.

"Lucas, espera..."

Ele já havia avançado.

O primeiro soco atingiu o rosto do homem. Um grito surgiu na multidão, e alguém empurrou Helena para trás tentando se afastar.

O desconhecido revidou. Lucas o agarrou pela camisa.

"Para!", Helena gritou.

Dois agentes que trabalhavam no evento chegaram quase imediatamente. Separaram os homens, fizeram perguntas que se atropelaram e pediram que ninguém saísse.

Helena tentou explicar.

O homem levou a mão ao nariz, viu sangue e começou a gritar que fora atacado sem motivo.

Lucas dizia a mesma frase, repetidamente:

"Ele mexeu com ela."

No posto policial, Helena já não conseguia manter a voz firme.

Contou o que acontecera a uma policial, respondeu sobre o lugar, o horário, a roupa do homem. Perguntaram se conseguia reconhecer alguém que tivesse visto a aproximação.

Ela não conseguia.

"Tem câmera lá", disse, angustiada. "Perto das barracas. Eu vi uma."

"Vamos verificar", a mulher respondeu. "Mas preciso que você me conte com calma."

Helena tentou.

Do outro lado da porta, ouviu Lucas discutindo. O desconhecido queria atendimento, falava em advogado e dizia que conhecia pessoas que não deixariam aquilo passar.

Ela olhou para a policial.

"Ele vai poder sair comigo?"

"Ainda estamos ouvindo os envolvidos. A situação dele precisa ser esclarecida."

"Mas ele só fez isso porque eu contei."

"Eu entendi. Uma coisa não apaga automaticamente a outra."

Helena engoliu o choro.

Eram estudantes recém-chegados. Não sabia se aquilo chegaria à universidade, se Lucas perderia alguma oportunidade ou se os pais dele precisariam viajar.

Não sabia sequer a quem perguntar.

A policial colocou um copo de água diante dela.

"Você tem alguém de confiança na cidade? Pode ser útil ter uma pessoa aqui com você enquanto resolvemos isso."

Helena pensou na mãe.

Marisa estava em São Paulo. Ligaria para Eduardo, ficaria assustada e talvez mandasse alguém buscá-la de volta.

Olhou para o telefone.

Uma palavra dele pode fazer mais do que tudo o que nós duas tentaríamos sozinhas.

O número estava salvo.

Seu dedo parou sobre o nome por alguns segundos.

Era exatamente o tipo de problema que a mãe mencionara. Precisava ajudar Lucas. Não podia deixá-lo ali depois de ele ter tentado protegê-la.

Helena respirou fundo e apertou a tela.

Tio Augusto.

O telefone começou a chamar.

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